sábado, 31 de dezembro de 2016

XXXV.


Trecentésimo sexagesimo quinto dia do ano.
Ou o último dia do ano.

Fielmente acreditei que não mais escreveria neste blog em 2016 e pelo que vemos, foi um engano. Até hoje meus mares internos estavam calmos e reflexivos e eu já havia aceitado o meu destino. No entanto, vinte minutos após a chegada dos Castores, desesperei-me. Por um instante senti a dor de não ter mais uma casa nas montanhas da Capital para me esconder. Não há mais casa na Capital, nem vida, apenas lembranças e muitos amores.
Minha face no espelho está transformando-se e evito olhá-la para não sentir os meus pedaços desintegrando. Quem serei eu, a partir de hoje? Quem poderei ser eu, afinal? Não posso sequer falar livremente do demônio, coisa que me regojiza e acalma a alma. Quem é o demônio de vocês? Porque há tanto medo dele? Certamente não falamos do mesmo demônio. O meu não possui conotação religiosa alguma e não há porque temê-lo. Não posso sequer falar do inferno, o que tem no inferno de tão apavorante que já não foi vivido aqui na Terra? Poderia existir algum lugar mais infernal do que este?
É extremamente desafiador viver em meio às pessoas novamente. As pessoas gritam o tempo todo, discutem por coisas tão supérfluas como alguém que passa na rua de carro, e quando percebo estou gritando também. Gritei mais em dez dias do que em seis anos.
E então comecei a cultivar uma horta. E voltei a escrever meu livro. E assistir uma temporada de série por dia.
As estátuas podem estar esquecidas sob um balcão, camufladas entre vidros com cobras e fermentos. As sementes foram lançadas na terra juntamente com minha devoção. Se não posso acender velas, me tornarei uma. Seja para iluminar este lugar ou colocar fogo em tudo.
As aventuras castorianas retornaram e eu vos convido à acompanhar suas peripécias.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

XXXIV.

Trecentésimo décimo quarto dia do ano.
Ou a redenção.


Faltam 9 dias para o retorno definitivo às Terras do Sul. Faltam-me palavras e coração.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

XXXIII.

Centésimo trigésimo quarto dia do ano.
Ou a crônica da fome.

Era um dia como qualquer outro, um solzinho quente lá fora e  um vento frio entrando pela janela. A Àrtemis pulando em cima da mesa e me infernizando, como de costume. Eu estava assando linguiças e fazendo uma espécie de purê de abóbora ou abóbora refogada, enfim que quando estava acendendo o fogo ouvi uma batida na porta. Pensei em todas as pessoas que poderiam vir me visitar: o Marcelino teria esquecido a chave? Ou era o Papinildo? Quando abro a porta percebo que não era nenhum dos dois. Fiquei ali com a porta entreaberta olhando pra figura que estava na minha frente, não fazia sentido algum. Depois de um tempo ali parada tentando encontrar algum sentido, lembrei que devia deixá-lo entrar. Era Maurício, depois de quase um ano sem notícias. O mais engraçado é que havia pensado nele de manhã, logo quando acordei. Mas o que ele estaria fazendo na minha casa, àquela hora e sem avisar? 
Me mantive afastada, fazendo perguntas pra tentar entender o que estava acontecendo. - Só estava por perto e resolvi ver se você estava em casa. Não tinha mais seu número e resolvi arriscar, disse ele. Engraçado que a pessoa desaparece por um ano e do nada simplesmente está passando e decide chegar. Não sei o que me surpreendeu mais, ele chegar assim ou o fato deu estar recebendo uma visita. Eu não estava preparada praquilo e eu geralmente me preparo para receber alguém. Sempre há tempo de fazer um bolo, uma pizza ou qualquer coisinha, no entanto, dessa vez só estava eu, ali, sozinha e crua. Arrisca e confusa. Minutos depois tratei de dispensar a visita e só consegui após prometer que sairia com ele. Sete e meia, eu disse. Sete e meia. Eu realmente não queria que chegasse a hora marcada, mas chegou e tão logo chegou a hora, sua sombra estava em frente à casa. Pronta? Sempre. Ou quase sempre. Bem, a gente tenta.
Fomos andando até a casa onde ele estava morando, segundo ele, havia se mudado naquele dia e por isso não encontraria muitas coisas na casa. No entanto, eu não imaginava que seriam tão poucas as coisas que eu encontraria lá. Uma geladeira velha que se ligava e desligava sozinha, dois cobertores dobrados no chão fingindo ser uma cama e uma pequena cômoda num canto na parede. 
A caminhada foi longa e senti sede. Mas não havia copos. Ele me disse que ia pegar e desapareceu durante vinte minutos e retornou com dois copos descartáveis na mão. Conversamos sobre o local, o valor do aluguel, a localização, a busca por emprego e por algum motivo chegamos ao tema comida. Confessou então que estava a seis dias na cidade e que havia se alimentado apenas quatro vezes. Engoli seco e continuei ouvindo o que ele dizia. Prosseguiu dizendo que sentia vontade de comer macarrão com molho de frango e tomar suco. Contou que gosta de molho feito com carne e caldo de galinha apenas. Que macarrão e feijão são tudo o que ele precisa pra viver. A medida em que ele foi falando meu coração apertou e eu lembrei de quantas vezes durante a faculdade eu fiquei sem dinheiro pra comprar comida e que consegui superar isso graças à ajuda de amigos. E enquanto ele falava sobre ter que ir até o centro andando, eu só conseguia pensar que eu tinha que fazer alguma coisa pra ajudá-lo. Eu também estou desempregada, no entanto, se tratando de comida a gente dá um jeito. Disse a ele que poderíamos voltar para a minha casa e que eu cozinharia para ele, afinal eu adoro cozinhar. E ele se sentiu envergonhado e lembrei que havia sentido a mesma vergonha quando estava naquela situação. Mas a vergonha não nos ajuda em nada nesses momentos. Caminhamos um longo percurso até em casa e ele dizia estar se sentindo mal, acredito que se sentia fraco por estar tanto tempo sem se alimentar direito. Preparei o único resto de suco que eu tinha enquanto descongelava o frango e vi ele tomando o conteúdo do copo como se fosse uma espécie de néctar dos deuses. Recostou-se no sofá e por um instante acreditei que ele havia sido vencido pelo cansaço, mas ele logo retornou. 
Cozinhei macarrão suficiente para quatro pessoas comerem e fiz o melhor molho de frango que pude, colocando todo o meu amor e o desejo de que as coisas melhorem pra cozinhar na panela. O cheiro estava maravilhoso e o gosto me surpreendeu. Os molhos nunca foram o meu forte, mas aquele estava muito agradável. Arrumei a mesa e chamei-o para comer e vi a vergonha aparecendo novamente e logo desapareceu. Na falta de suco convencional, improvisei um copo com água, vinho e açúcar e ele aprovou. Comeu uma, duas, três vezes, até que se sentiu cansado. Disse que ele poderia dormir no sofá se quisesse, pra não ter que voltar pra casa andando, mas ele preferiu voltar. Ele realmente não parecia bem e então, pensando que na manhã seguinte ele não teria nada pra comer, coloquei em uma sacola um bolo e um  pacote de bolacha. Não é uma super comida, mas mata a fome. Ele brincou que assim ele não precisaria assaltar uma velhinha. Dei-lhe também algumas moedas, o suficiente pra pagar a lotação ou comer no bandejão. Ele pegou a sacola e saiu dizendo obrigado e sem saber direito como agir e em instantes vi sua figura se dissolvendo na escuridão. 
Depois que ele se foi, fiquei pensando que poderia ter lhe dado um shampoo, mas bem isso não importa agora. A questão que me chama a atenção é que a fome ainda nos assola, a humanidade evolui em diversos aspectos e somos pegos sorrateiramente por uma questão biológica. A crônica da fome é silenciosa e desesperadora, carregada de vazios e vergonhas, carregada de morte mas também carregada de solidariedade. Eu sou e serei eternamente grata aos que me deram de comer quando eu tive fome e me sinto grata porque em meio à tantas dificuldades, eu posso compartilhar aquilo que tenho.

terça-feira, 10 de maio de 2016

XXXII.

Centésimo trigésimo segundo dia do ano.
Ou de volta à low carb.

Olá pessoas, após longos dias aqui estou novamente. Os dias passam e ansiedade aumenta e quando você vive com alguém mais ansioso que você, já viu né? Imagina só que em duas pessoas, nós comemos um quilo de mandioca em menos de dois dias, bem como meio quilo de macarrão em uma refeição, duas xícaras de arroz e por aí vai. O resultado disso? Muitos quilos à mais.
No ano passado, me desafiei à ficar uma semana sem consumir açúcar e carboidratos e estava indo muito bem, perdi 2,600 quilos logo na primeira semana e estava tranquila já, mas como nada é perfeito, aquela era a última semana antes das férias e lá fui eu pra Terra do Sul passar as férias. Tentei resistir bravamente durante uma semana e fui vencida pelo caos e bem, se vocês acompanharam o blog desde o seu nascimento, vocês sabem que eu estive à beira de um colapso. Pra tentar me acalmar comecei a cozinhar e realmente é uma atividade que me deixa muito relax, principalmente se acompanhada de uma boa taça de vinho. No entanto, existe uma diferença entre comer um doce de vez em quando e comer doce todo dia durante três meses e o resultado disso foi voltar pra minha casa, aqui na capital e continuar comendo igual uma doida.
Em termos de balança isso significa 5 quilos e esse não é exatamente o problema. O problema é o ciclo vicioso em que isso se torna. Eu tentei voltar pra low carb e não obtive sucesso. No entanto, o açúcar e as sensações maravilhosas e falsas que ele traz consigo não podem ser maiores que a minha vontade. No entanto, é mais difícil do que parece. As prateleiras dos supermercados e lojas estão repletos de produtos atraentes e gostosos, esperando apenas que você os leve pra casa. Sem falar que a maioria dos produtos, sejam eles doces ou não, são carregadas de carboidratos que você não vê. Como por exemplo, em meia colher de sopa tem 15 gramas de carboidratos.
Enfim, eu resolvi tentar de novo. E o simples fato de considerar a ideia de tentar de novo e ir ao mercado comprar comida de verdade, os meus mecanismos de defesa dispararam. A ideia da restrição é pior do que a restrição em si. Como diz o nome é baixo carboidrato, não é zero carboidrato. Mas pra quem come basicamente carboidratos é uma ameaça grande. Pra diminuir essa ansiedade inicial, farei posts diários contando a minha evolução no processo. O desafio é ficar uma semana sem açúcar e carboidrato e seguir como os Alcoolicos Anônimos, que sempre seguem mais um dia sem o seu vício.
Espero a companhia de vocês nessa jornada. Nos vemos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

XXXI.

Nonagésimo sétimo dia do ano.
Ou quando as pessoas vão embora e os gatos aparecem.

Well, well, well ... faz um bom tempo que eu não apareço por aqui, eu sei. A razão do sumiço é que a vida é muito louca, os meus pensamentos são mais loucos ainda e muitas vezes não valem à pena serem expressados.
Estava pensando que o ano mal começou e duas pessoas já foram embora da minha vida. E sinceramente, eu achei que seria bem pior. Acho que quando você tem consciência do porquê algo está acabando, fica mais fácil aceitar que é o melhor a ser feito no momento. Mas confesso que na hora foi uma facada no coração "Não sei como dizer isso, mas não podemos mais ser amigos". No entanto, quando parei pra pensar em tudo o que a gente viveu, eu senti no meu coração que foi real, extremamente real mas que agora  era hora de cada um seguir o seu caminho. Um dia, no futuro, talvez nos encontremos em Paris, eu vendendo artesanato (hoje penso que se eu morar em Paris algum dia, trabalharei numa confeitaria <3) e ele casado com três filhos, autor de algum best seller por aí. Ou talvez a gente nunca mais se encontre, mas isso não faz mais diferença. "Que seja eterno enquanto dure" e foi, fim.
Em contrapartida às despedidas, eis que surge uma gata aqui em casa. Me apaixonei, confesso, mas preferi manter distância. No entanto, a criaturinha permaneceu, dei leite pra ela porque era a única coisa que eu tinha em casa, deixei dormir no sofá e já viu né. Com ela aprendi que até os filhos do capiroto se rendem um dia. E eu me rendi. No outro dia ela quis colo. Ah, esqueci de falar, tive que dar um nome pra ele não é? Primeiro nome que me veio à mente foi Ártemis, pra quem não sabe Ártemis é uma Deusa grega ligada à caça e a vida selvagem. Hoje percebo que ela não poderia ter um nome melhor, caça borboletas, baratas, pombas e qualquer coisa que se mexa próximo dela com uma destreza invejável. O engraçado é que depois que eu finalmente me rendi à gata, um monte de gente apareceu querendo ela. Um dia ela sumiu e eu fiquei louca, depois o filho do vizinho apareceu dizendo que a mãe dele queria adotar ela. Adotar o caralho, essa gata é minha! Fiquei na bad eterna achando que tinha perdido a minha filha. Mas ela voltou e aí eu decidi que não ia deixar ninguém levar ela. Comprei vários pés de arruda, pimenta, uns manjericões, alecrim (aloka), coloquei meu vaso de Espada de São Jorge e fiz uma hortinha na frente de casa. Nenhuma das mudas morreu até agora, mas vamos esperar. Tá achando que aqui é bagunça, meu amor. A gata é minha e a gata fica.
Com isso tudo tô aprendendo a ser mãe, e é difícil hein? A gata mia e eu não entendo o que ela fala, pra variar e aí vamos na tentativa e erro, a gata mia dou comida, a gata mia dou água, a gata mia dou colo, a gata mia brinco com uma bolinha de lã, a gata mia já não sei mais o que fazer, mio de volta, vai que né? Só que não se engane, porque aqui nada são flores, eu tenho um limite pra frescura, dois toques já dou uns berros e mando dormir. HAHAHAHA. Mas confesso que é uma loucura, tenho uma mãe super protetora introjetada que me faz ter calafrios toda vez que ela sai de casa, vai que essas crianças do diabo pegam a minha pequena? Elas que se atrevam, rodo a baiana e as crianças também!
No mais, tô bem locona, procurando emprego, cozinhando e testando receitas, continuo lavando milhões de louças, a questão é que agora eu tenho uma filha e uma horta. O meu humor melhorou consideravelmente e isso faz com que as coisas fluam mais tranquilamente. Por hora, durmo a hora que quero, como a hora que quero, saio de casa se eu quero e isso está me ajudando a colocar as coisas no lugar, a recuperar coisas que se perderam nos últimos anos e que são importantes pra mim. Vamos sem pressa até encontrar a direção certa. Nos vemos por aí, abraço!

quinta-feira, 17 de março de 2016

XXX.

Septuagésimo oitavo dia do ano.
Ou notícias do mundo das trevas


Muitos dias se passaram desde a última postagem e bem, muita coisa mudou por aqui. Primeiramente porque eu fugi da Terra do Sul e se depender de mim, não permanecerei mais do que um final de semana lá. Não faz mais que duas semanas que eu estou de volta ao meu lar, doce lar e parece que faz milênios desde que saí da Terra do Sul. O resultado? Meu humor melhorou (até voltei a fazer piadinhas), meu sono melhorou, meu apetite melhorou, enfim, estou me sentindo muito melhor em muitos aspectos.
Coisas interessantes que descobri desde que voltei para a minha casa: a) comer alface é bom e necessário. b)  eu nunca achei que ia comer alface por livre e espontânea vontade e não é tão ruim quanto parecia. c) Comida de mãe/vó é maravilhosa, mas fazer a sua comida faz toda a diferença. d) Nunca achei que sentiria falta da minha comida; e) Cozinhar é libertador e te torna mais criativo; f) Temperos fazem toda a diferença. Quem sabe quando você descobrir como usar os temperos adequados na comida, consiga também usá-los na sua vida; g) Vinho ruim não é melhor do que nada. Melhor tomar água do que gastar com vinho ruim; h) Existem vinhos baratos que são bons. (Chalise, meu amor); i) Ficar sozinha é altamente terapêutico; j) Ter um lugar só seu é muito importante. (Estou providenciando); h) Compartilhar conhecimento enriquece as pessoas;
Interessante perceber que quase todas as descobertas tem a ver com comida e bem, acredito que a vida e a comida estão intrinsecamente ligadas. Assim como nós aprendemos a comer e gostar de arroz e feijão, os finlandeses aprendem a comer e gostar de sopa de sangue de pato. Portanto, assim como a gente aprendeu comer arroz e feijão, a gente também pode aprender a comer e gostar de sopa de sangue de pato. E isso pode ser estendido para muito além da comida. Vida é aprendizagem e manutenção pelo hábito.
E por falar em aprendizagem, cá estou formada. E tenho que dizer que é frustrante perceber como a Psicologia é subestimada. Outro dia vi uma postagem que dizia "Nenhum psicólogo poderá explicar o poder curativo de um par de sapatos". Primeiramente acho que o poder curativo dos sapatos é relativo, porque eu tive que comprar sapatos para usar na formatura e não fui curada de nada. Pelo contrário, morri de estresse tendo que experimentar centenas de sapatos pra encontrar um que servisse... E bem, as vezes eu fico pensando a quantidade de vezes que os psicólogos mortos se reviram nos túmulos ouvindo essas idiotices. "Psicólogo é coisa de louco"; "Psicólogo lê mente"; "Psicólogo só conversa"; "Psicólogo dá conselho" Sim, meu querido. Eu ganhei uma bola de cristal na formatura, então você só precisa chegar e sentar. Vou olhar pra minha bola de cristal, ler sua mente, conversar um pouco, dar uns conselhos e pronto, sua vida estará resolvida! Mais eficiente que aquelas criaturas que trazem o amor em três dias. Fácil né? Nem sei porque eu passei cinco anos da minha vida, estudando, fazendo estágios e pesquisa se no fundo eu só precisava mesmo era de uma bola de cristal.
Esse mundo tá doido demais pra mim. O Brasil está prestes à sofrer um ataque zumbi e eu nem fugi pro Uruguai ainda. (O destino principal é a Argentina, mas a situação tá difícil por lá também). Enquanto o mundo cai lá fora, eu convido você pra acompanhar minhas novas aventuras. As postagens voltaram, fique esperto! Até a próxima!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

XXIX.

Quinquagésimo sexto dia do ano.
Ou Tempo para Matar

Aqui estou eu novamente. Aparentemente de TPM e bem, você pode imaginar o que isso significa: PROBLEMAS.
Estou visivelmente sensível ao meu ambiente e isso têm gerado conflitos, uma sequência irritante de pequenos conflitos e claro, objetos voadores. Nos últimos dois dias tenho me mantido em silêncio, não devo ter dito mais do que dez, doze palavras, mas acredite: você não gostaria de ouvi-las.
A insuportável ladainha matutina, as discussões por causa da igreja no almoço, as reclamações sobre o tempo à tarde e as pragas e as lamúrias por causa da insônia à noite. Esta têm sido minha linda e adorada rotina. Eu pude ignorá-la eficientemente por alguns dias, me afundando em filmes e livros. Em menos de uma semana eu já estou na última parte do terceiro livro da trilogia "Cinquenta Tons", isso tudo junto soma mais de mil páginas. 
Ontem organizei-me para um ensaio fotográfico levemente sombrio e sedutor, para afastar os meus demônios. Mas é claro, o contrário aconteceu. Após ser interrompida uma quantidade significativa de vezes, eu  só não joguei minha câmera pela janela, porque eu realmente à amo e necessito dela para viver. Senão ela teria voado. 
Ao final da tarde recebi a maravilhosa notícia de que eu ficaria sozinha em casa. Deus existe, pensei instantaneamente. Mas não foi por muito tempo. Os Anciãos temem que o demônio venha me pegar, se eu estiver sozinha em casa. Então em menos de meia hora eles estavam novamente em casa, me deixando completamente irritada. Quando eles chegaram eu estava "performando" na sala, sob o meu tapete. Há muito tempo eu não me ouvia cantar tão afinadamente, foi uma excelente performance e no auge, é claro, como de costume, eu fui interrompida. Não preciso sequer falar da insônia, que me atormenta diariamente. O sono sempre vem ao amanhecer, mas aqui não é permitido dormir por muito tempo, então novamente eu sou retirada do meu mundo dos sonhos e acordo endiabrada. 
Tenho tentado fugir do contato com qualquer pessoa que seja, pessoalmente ou virtualmente, eu tento me esconder no meu quarto mas logo alguém atrás de mim para saber o que aconteceu. Se eu estou em silêncio perturbam-me, se estou gritando, magoam-se. Eu só queria que me deixassem um minuto em paz. 
Hoje, no entanto, o meu estresse estava me dominando e eu tentei relaxar olhando pela janela por diversas vezes. Meia taça de vinho me ajudou a relaxar e então ao virar as costas tive "uma visão". Num curto espaço de tempo eu olhei para mim e vi que tudo o que está acontecendo nos últimos dias é exatamente igual ao que acontecia na minha "infância". A mesma vida de merda, as mesmas chantagens emocionais de merda, as mesmas exigências de merda, os mesmos sentimentos de merda. Lendo centenas de livros para tentar esquecer de toda essa merda em cima de mim. A questão é que depois de muitos anos de terapia eu estou sem a minha armadura ... "Você é muito resistente, Ana". Resistente, o caralho. A ideia aqui é sobreviver, apenas.  Mais de dez anos se passaram e toda essa merda continua aqui e estou sem a minha armadura. Eu respirei fundo e tentei ser otimista dizendo pra mim mesma que eu já sobrevivi à toda essa porcaria e que eu preciso tentar mais uma vez. Sobreviver, mais uma vez. E recuperar a minha armadura, que me servia muito bem e me faz falta. Quem precisa de sentimentos nessa merda? Se você precisa, pegue-os para você. E não me venha novamente com essa merda de conversa de "você é resistente". Pegue essa merda de vida pra você e divirta-se com suas não-resistências. O mundo precisa disso. Me deixe sozinha. Eu estou farta!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

XXVIII.

Quinquagésimo quarto dia do ano
Ou Cinquenta Tons de Ana

Hoje eu me olhei no espelho e pensei "Como você está graciosa, Ana". Pela primeira vez em semanas e talvez meses, eu olhei no espelho e vi uma pele relaxante e olhos brilhando. Só pra constar eu continuo na Terra do Sul. 
Por algum motivo indefinido eu realmente assisti Cinquenta Tons de Cinza e eu não pude me contentar com aquele filme raso e sem graça. Perdi o ar diversas vezes enquanto assistia, confesso. Mas não foi de longe o que eu esperava. Eu não podia me conformar com tanto alvoroço em cima de uma coisa tão vazia e então eu fui ler o livro. Sim, eu fui ler o livro e ele me devolveu alguma coisa que havia perdido.
Se a Anastasia do filme é uma decepção total, a do livro não é. E isso foi um alívio pra mim, eu não podia acreditar que Ana fosse tão vazia e sem graça. No livro Ana é bastante desafiadora e eu gosto disso. E bem, o que dizer sobre Christian Grey? O do filme não me agrada, mas o do livro ... bem, eu adoraria que Christian fosse meu amigo ou meu sócio. Eu jamais seria sua submissa e acredito que quem faria qualquer tipo de contrato, seria eu. A personalidade de Christian me agrada muito. Frio, intenso, objetivo, dominador, inteligente, humor ácido e sarcástico, tem diversas habilidades (toca piano, entende de vinhos, de arte, tem um ótimo gosto musical, aprecia pratos clássicos, sabe pilotar diversos equipamentos, e tantas outras qualidades que eu não consigo listar, entre outras coisas). Bem, trazendo-o para a vida real, bastava que gostasse de vinho (e tivesse dinheiro para comprá-lo, é claro), que tivesse um gosto musical eclético, que fosse inteligente ( e eu não estou falando de uma pessoa teórica, dispenso), não precisa ter um paladar requintado nem conhecer grandes clássicos, mas tem que ser flexível o suficiente para prová-los. Eu faço questão do humor ácido e sarcástico e se vierem acompanhados de um par de olhos profundos, eu agradeço. E que goste de jogos. Penso que isto baste. 
Quem me vê jogada num sofá com cara de "a vida é um tédio", não faz ideia de quão intensa eu posso ser. A questão principal é encontrar alguém que suporte toda essa intensidade. Tive algumas amostrar rápidas e penso que isso explica as minhas fixações. "Eu coloquei um feitiço em você, porque você é meu". No sentido mais literal da frase. Hoje enquanto me olhava no espelho pensava nisso, eu preciso conhecer pessoas interessantes. E acredito que o meu conceito de interessante, não tenha nada a ver com o seu. Deixe-me explicar:
Certa vez conheci um colombiano em um site de conversação com estrangeiros. Trocamos Skype e iniciamos nossa aula de conversação, eu ensinava algumas expressões em português e ele corrigia meu espanhol. Ele não havia dito mais do que três palavras e eu estava inebriada. Sua foto era borrada e não ligamos a câmera. Eu apenas podia ouvir sua voz e imaginar a criatura que estava do outro lado da tela. - Eu sou apaixonada por sotaques e por vozes - e dentro da minha cabeça (através dos fones) soava uma voz abafada, um pouco rouca com um leve sotaque italiano! DAMN! O problema maior era o fuso horário, são três horas de diferença, o que me obrigou a ficar acordada durante muitas madrugadas para "tener nuestras clases de conversasión" e o problema maior foi quando eu descobri que ele era inteligente e sabia falar através de códigos. Minha cabeça entrou em colapso e foi uma semana maravilhosa. Nunca mais nos encontramos, mas a pergunta ficou: "Porque encontrar conexões mentais é tão difícil?". E ainda por cima, quando encontro a pessoa está há uma distância absurda de mim. 
Eu preciso confessar que estou cansada da Psicologia, de estar cercada por pessoas que fazem Psicologia, que discutem Psicologia o tempo todo, que ficam analisando o contexto e teorizando sobre porque o cachorro atravessou a rua. Estranhamente, ao dizer isso, eu sinto falta das aulas de canto, teclado e violino. Sinto falta de toda aquela disciplina. Meu  professor não tolerava atrasos e repetia constantemente sobre a importância de seremos "artistas" disciplinados. Eu serei eternamente agradecida pela sua devoção à mim. Pelas baquetadas nos meus dedos, pela dedicação aos nossos ensaios e apresentações. E acredito que todo o controle de Grey sobre as coisas e seu modo de organizar (pra não dizer, dominar) as coisas ao seu redor. Eu senti falta de quando a minha vida era rigidamente organizada e não havia tanto tempo para sentimentalismos. Meu passatempo favorito era organizar os pensamentos para facilitar as conexões, meus textos eram claros e objetivos, bem como as ideias. A execução de algumas atividades eram cirúrgicas - pelo menos ao meu ver - e isso me dava um prazer imenso. Eu era tanta coisa antes da minha cabeça ser devastada. Eu era tão intensa e profunda nas coisas que eu fazia. Eu leio textos manuscritos e penso, fui eu que escrevi isso? Infelizmente muitos textos ficaram inacabados e eu não me atreveria a continuá-los. 
Finalmente, os cinquenta tons de Grey, me fazem pensar porquê eu deixei os meus tantos tons para trás e me tornei apenas uma cor monótona e sem vida. Eu ainda não li "Cinquenta Tons de Liberdade", mas depois de cinco malditos anos, eu me sinto livre novamente para recuperar tudo o que eu perdi. Eu quero meus cinquenta tons de volta e apesar das recaídas, vocês não perdem por esperar.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

XXVII.

Quinquagésimo segundo dia do ano.
Ou o fim do mundo está próximo

Hello.
Como vocês já devem ter percebido, eu sou a pessoa mais otimista do mundo. E bem, de acordo com as constatações que venho fazendo ao longe desses cinquenta e dois dias, me levam a crer, que o fim do mundo está próximo. 
Eu realmente não quero entrar em detalhes, mas eu tenho visto a barbárie acontecer na Terra do Sul. E por mais que meus ouvidos se recusem à acreditar, a realidade grita diante dos meus olhos. O último feito realizado foi "noticiado" hoje pela manhã: o vizinho teve o portão de casa arrancado pelo outro vizinho. (Como está descontextualizado, parece sem sentido. Mas se vocês soubessem a quantidade de vezes que a polícia esteve por aqui nesses cinquenta dias. É inacreditável. Cercas são cortadas, gente invadindo as terras, idas à polícia, ao juiz, ao não sei o que e as coisas continuam e pioram).
Pois bem, espero que esse mundo de barbárie termine logo (pelo menos pra mim). Já que não posso fugir daqui fisicamente, posso ao menos tentar preservar o que resta da minha sanidade mental. Se é que resta alguma coisa ... 
Com a volta do PopCorn Time (um servidor de filmes online) estou tendo acesso à vários filmes que eu queria muito ver e estou descobrindo outros, tudo isso em alta qualidade e bom som. Ver aproximadamente três filmes por dia, faz com que eu ocupe todo o meu tempo ocioso e apesar da minha insônia estar piorando à cada dia, eu posso ao menos ficar acordada digerindo os filmes e as suas emoções tão peculiares. 
Eu amo filmes franceses. Amo, amo, amo. É muito peculiar, intenso, visceral e perturbador. Tudo isso num filme me agrada muito. A falta de tabu ou a exuberância de temas tabus me fascinam no cinema francês. O sexo, a morte, a dor é escancarada na sua frente, cirurgicamente explorada e você tem que engolir tudo cru. E em seguida você tem uma congestão e quando vomita, não vomita só o que viu e sentiu, mas sim o que tinha de seu nisso tudo. Extremamente renovador. 
A ordem de filmes vistos num dia geralmente estabelecem a ordem: um triste, um feliz e um perturbador. O filme triste pra despertar as emoções, o feliz para equilibrar e o perturbador pra limpar e organizar (ou desorganizar). À medida parece girar em torno de dois filmes americanos e um francês, que são mais fáceis de encontrar. Mas eu amo o cinema latino e suas tramas e dramas intensas. E claro, seu idioma. Nada como um filme legendado. 
Os últimos filmes vistos foram: 1."Burnt" (em português: Pegando fogo; Um filme sobre um chef, fotografia impecável, bons atores, boas comidas. Me hipnotizou);  2. "Fathers and Daughters" (em português: Pais e filhas; Intensamente tocante, identificação master. Conta a história de uma estudante de Psicologia e a relação com seu pai, que é escritor) 3. 'LOVE' (em português: Transa 3D. Se você tem alguma restrição em relação ao sexo e seus fluídos, não veja esse filme. Intenso e extremamente perturbador. Ou não, depende do que você considera perturbador. Drogas, traições, experiências sexuais, vida, morte, amor) 4. A walk in the Woods ( em português: não sei. Um filme sobre dois idosos que resolvem fazer uma trilha. Amo esse tipo de filme, e eu com certeza seria um dos velhos. Muito divertido, ri demais); 5. Fifthy Shades of Grey (em português: Cinquenta Tons de Cinza; Resisti durante um ano e finalmente decidi ver o filme. As atuações não me convenceram, não entendi o porquê de tanta polêmica em cima do filme. A trilha sonora me conquistou, muito bem feita. Confesso que fiquei com vontade de ler o livro pra entender melhor a história do Grey. Só que não sou obrigada.
Hoje ainda tenho tempo de ver mais um filme, ainda não sei qual irá me escolher. Enquanto isso, vou beber uma taça de vinho ouvindo Crazy in Love (versão do filme) enquanto vejo a chuva. Sem mais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

XXVI.

Quadragésimo nono dia do ano.
Ou depois da bad vem o sol (ou a vela).

É minha gente, nem só de mau humor vive o mundo, mas de bad também. Me afundei no bosque das sombras e deixei que as trevas tomassem conta de mim, literalmente. Mas nesse mergulho redescobri a importância da luz. 
Parece aqueles papos de conversão mas não é. Eu penso que se você quer adorar Jesus, você adora. Se você quer adorar o Satanás, você adora. Mas acho feio quando você fica metendo o bedelho na crença dos outros achando que só a sua religião é que salva. Cadê o direito daqueles que não querem ser "salvos"? 
Acho um desrespeito quando chamam qualquer crença/prática/ação que fuja das crenças cristãs de "macumba/macumbeira". Respeito é bom e todo mundo gosta. Na Terra do Sul tem "umas pessoas" que adoram me chamar de macumbeira. Um dia desses, essas pessoas vão ver com quantas velas se faz uma canoa. Eu tenho respeito e admiração pela Umbanda e o Candomblé, mas não é a crença que eu sigo. 
Mas enfim - independentemente do seu credo - eu acho que você sempre deve ter uma boa quantidade de velas em casa. E não estou falando pra caso falte luz. Na verdade, estou sim. Quando falta luz dentro da gente, acender uma luz fora pode ser uma forma de reencontrar o caminho. 
Eu estava numa bad do cão, aparentemente causada pela abstinência de açúcar. Mas foi um pouco de muita coisa que emergiu junta e me derrubou, literalmente. Eu me senti dramaticamente com duas escolhas, "morrer" e acabar com tudo aquilo ou "viver" e dar um basta naquilo tudo. Optei pela segunda opção, porque apesar de tudo os meus "santos" são fortes. E então lá fui eu, catei umas velas, umas ervas, umas divindades, umas rezas, o meu samba enredo, a minha dança, a minha certeza e pedi socorro. E o socorro veio minha gente. Sempre vem. Apesar de eu ser bem teimosa e esperar sempre a míngua chegar pra então pedir um help. Mas o socorro veio. Quem tá comigo, tá sempre comigo, mesmo que as vezes se cale. A teimosia vem dos dois lados, no caso. Não consegui dormir a noite toda mas acordei maravilhosamente energizada. Levantei me sentindo viva e não estava me sentindo mal por isso. Limpei a casa, arrumei o quarto, me mantive ativa por todo o dia, mas ao anoitecer me senti mal de novo e a bad veio me visitar avisando que não tinha ido embora. Mas aí decidi que o bicho ia pegar e eu ia mostrar quem é que mandava! 
Velas pra quê te quero! Intuitivamente fui passando pela casa e pegando coisas: velas, incensos, ervas, óleos, pratos, fotos, sombra, delineador, batom, coca zero, bala de goma e paçoca e lá fui eu pro quarto. Coloquei um samba enredo daqueles e tasquei-lhe ficha! Rapaz a coisa ficou tão linda que deu vontade de chorar. Todas aquelas velas, aquelas cores, a iluminação, a energia. Me senti profundamente emocionada e empoderada com a minha 'criação'. Até o meu coração ressuscitou! Fiquei ali por horas, igual uma boba olhando a luz e cantando o samba enredo. A luz ... a luz ... a luz ... como disse certa vez o meu irmão do coração: "Ana, a luz deve ser nosso alimento diário". 
Eu sempre estou com o meu pézinho nas trevas, mas confesso que estar envolta de luz me fez bem, me senti um bebê cósmico retornando ao lar. Um salve aos que me acompanham e um pouco de luz aos que estão necessitando. Já dizia alguém: Nem só de trevas vive o homem. Que possamos encontrar o nosso equilíbrio. Sem mais.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

XXV.

Quadragésimo sétimo dia do ano
Ou o entediante cotidiano

Hello ... it's me.
Aqui estou eu novamente, na bad. As balas de goma que eu comi me ressuscitaram mas não fizeram com que a bad fosse embora. E parece que ela não vai tão cedo. ~ Hello terapia, estou chegando ~
Há uma explicação hormonal para essas bads, li vários estudos realizados com pessoas que possuem Síndrome dos Ovários Policísticos e vi que é um "efeito colateral". Como eu sou uma bad eterna, nunca saberei.  O que eu sei é que nos últimos dias viver tem sido algo insuportável. E eu me recuso à voltar para a minha querida e amada (só que não) Seritralina. A realidade dói diariamente e eu tô naquela fase que em que eu não sei porque tô viva. E falando nisso, o dia que eu encontrar o responsável pela minha vinda à vida, eu vou dar um tiro nessa pessoa. Eu quero ver onde eu assinei dizendo que eu queria vir pra Terra viver uma vida miserável. Eu preferia ficar centenas de anos no meio das trevas até não saber mais o que era eu e o que era trevas. Sem pessoas, de preferência. 
Hoje fiz um favor à uma criatura necessitada e coloquei meus lindos pezinhos na Universidade Capitar. Eu havia jurado nunca mais pisar lá depois de formada, mas infelizmente e bem infelizmente, eu tive que pisar lá mais uma vez. Não sei se fiquei mais de meia hora lá, mas foi o suficiente pra reviver o horror de cinco anos. A minha aversão ao lugar é tão grande que eu comecei a me sentir mal. Aquele lugar é sinônimo de lutas intensas e vazias. De sujeira e podridão. Um dia eu já amei as lutas estudantis e me senti intensamente orgulhosa de fazer parte delas, hoje passo longe. O mesmo digo das lutas feministas. E de tantas outras lutas que eu aprendi a ter aversão. Foi lá que eu aprendi que as pessoas não são "boas" e que a maioria das lutas, no final das contas, é só uma luta de egos. Eu perdi muitos amigos nessas lutas, que se deixaram cegar pelo poder. Um poder que é ilusório, ao meu ver.
 Pra mim, títulos não dizem nada. Eu sou psicóloga e daí? Eu sou tão humana quanto a vendedora que me atende na loja, à moça que entrega panfletos na rua, à doméstica que só pôde estudar até a quarta série. Eu preciso de um emprego, de casa, comida, roupas tanto quanto elas. As hierarquias existem e são inegáveis. Mas, penso, que podemos estabelecer relações de poder com respeito. Em cinco anos eu cansei de ouvir que tudo o que dava errado era culpa do bolsista/estagiário (ou seja, eu).  E cansei de admitir que a culpa era realmente minha quando a questão fugia totalmente da minha alçada. E me indignei muitas vezes, quando pessoas que estavam no mesmo patamar que eu, se portavam com superioridade em relação à mim. Como se EU devesse alguma coisa à ela. E pior, tive que agir como se devesse, pois meus superiores não davam à mínima.
E foi num processo lento e exaustivo que as coisas foram perdendo  o sentido pouco à pouco. Primeiro às lutas estudantis, depois as lutas feministas, depois as lutas da profissão. Não faz sentido algum lutar por uma causa em que o resultado é apenas a foto de um fulano qualquer num jornal, num pôster ou numa cadeira. De que me adianta ser chamada de "Diva feminista, maravilhosa, extremista, ou sei lá o que" e ver que no meu próprio convívio o machismo continua sendo reproduzido e legitimado. E que isso acontece principalmente no meio das feministas, o que me assusta ainda mais. Eu jamais aceitarei que uma mulher seja oprimida na minha frente, mas essa luta não é pra mim. Nem a estudantil e nem nenhuma outra. 
Enquanto isso eu fico em casa lavando a louça pela milésima vez, ouvindo que tem uma "crosta" no chão, que a casa está suja e afins. E fico pensando onde é que eu assinei o contrato de empregada doméstica. Sem mais.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

XXIV.



Quadragésimo quinto dia do ano
Ou a bad e a abstinência

Acordei numa bad terrível. Não quis sair do quarto e mantive as janelas fechadas. Dormi, acordei comi meu mousse de morango “mágico”.  - Basta misturar creme de leite gelado com um pouco de suco “Clight” e misturar. Se deixar de um dia pra outro ele fica areado. Eu não sei exatamente porque isso acontece, mas acontece e é maravilhoso. -  Dormi de novo, acordei, liguei a luz e decidi abrir a janela. O dia está nublado e escuro, com pancadas de chuva forte que reforçam a minha vontade de não sair da cama. Estou no quarto dia de “low carb” e acordei morrendo de vontade de comer bolo. Dia de chuva vai combinar com bolo e café eternamente. Eu poderia fazer um bolo low carb, mas não tenho todos os ingredientes. Como umas colheradas de pasta de amendoim sem açúcar pra me acalmar. Resolvo fazer um pão low carb, pra matar essa “vontade” louca de comer carboidrato. Após pesquisar mil receitas achei uma que eu tinha todos os ingredientes. Não é aquele pão da padaria, nem aquele que a minha avó faz, mas deu pra comer um sanduíche e acalmar a bad.
Ou não.
Quando sentei pra escrever eu percebi que estou em abstinência de todos os meus prazeres. Nada mais natural que a bad surja. Ontem teve festa de formatura e eu nunca tinha ido à uma. Meu amigo fauno prestou-me consultoria para escolher o look e apesar de todos meus modelitos serem reprovados, o menos pior acabou sendo escolhido. Fiz uma maquiagem maligna, coloquei meus sapatos de “salto” e lá fui eu ensaiar uma forma de sentar “igual mocinha”. No final até que me saí bem. Só que na “hora do rush” a coisa é diferente. Atravessei o corredor e cheguei no salão principal e vi toda aquela gente. Imediatamente pensei “então é isso pessoal, já apareci, agora tchau”. Mas continuamos andando, estávamos eu e as “minhas meninas”, encontramos a primeira colega e assim foi até chegarmos no meio da galera. Eu me senti feliz em reencontrar algumas pessoas, apesar de não conseguir conversar direito com elas por causa do som alto. Dois segundos depois eu estava sentada numa cadeira com cara de idoso no baile da terceira idade. E bem, as músicas que estavam tocando ajudavam, “boate azul,  eu quero que risque meu nome da sua agenda e por aí foi”. Gritei algumas vezes “Toca Britney” mas o grito foi engolido pelo barulho. Os meus pés estavam doendo, então eu levantava um pouco e voltava pra cadeira, até que eu decidi tirar o sapato. Haviam muitas pessoas no salão descalças e bem, eu não sou obrigada à nada. Tomei uma água sem gás e foi isso. Os boatos de que o “Guilhermino Guinle” estava pelo salão me deixaram animada e me desanimaram em seguida com a notícia de que ele havia ido embora. Pois é, Guilhermino, nós batalhamos tanto para manter nossa amizade por cinco anos e hoje “temos” que agir como se não nos conhecêssemos. Mas eu ainda lembro das lasanhas congeladas que a gente comeu e sei que foi real.
Ou seja,
Tenho que voltar pra terapia e dar um jeito nessa vida. Assim como eu aprendi a ser uma pessoa “chata e cansada” , eu também posso aprender a ser uma pessoa mais viva. Não precisa ser muito feliz, mas um pouquinho mais de vida faz bem.
Quanto às abstinências, não sei quanto tempo vai durar.  Se a bad persistir por muito tempo, eu serei obrigada a fazer um belo pudim de leite condensado com muito caramelo e um bolo de cenoura com ganache.  Apesar das “coisas” não funcionarem desse jeito, vou terminar o post com uma frase bem clichê “prefiro ser gorda e feliz, do que magra e triste”. Sem mais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

XXIII.

Quadragésimo dia do ano
Ou acabou a palhaçada.

Olá queridos,
há dias venho tentando escrever algo e no entanto a postagem sempre acabava na metade da página sem um final. Eu conheço esse sentimento de outros carnavais e sei que isso significa que estou processando alguma ideia que só aparecerá quando estiver totalmente processada.
Hoje pareceu um bom dia para isso. E penso que a frase que melhor expressa o sentimento atual é "acabou a palhaçada". Isso mesmo.
Pra começar, o final de ano foi ridículo. E foi suficiente para eu sentir que está na hora de dar um basta nessa palhaçada familiar. Eu sou uma pessoa e eu mereço respeito. Não interessa se eu não ganhei um Prêmio Nobel ou não sou a Presidenta da República. Eu mereço respeito e as pessoas vão ter que aprender a me respeitar. E não vai ser por mal, não. 
O segundo ponto é que decretei 2016 como o ano da limpeza. Nada vai ficar no lugar antigo. Começando com os últimos cinco anos de faculdade e especialmente os últimos, que foram uma palhaçada. Metade dos textos e cópias já foram devidamente picadas e jogadas no lixo. Metade do processo já foi iniciado. A limpeza passará pela Terra do Sul e da "Capitar". Já separei alguns livros que vou doar, já joguei muita coisa que estava acumulada fora e em breve vou conseguir me livrar de uma roupa que ganhei da Anciã quando eu tinha 8 anos. Mas a limpeza não passará apenas por aspectos físicos e materiais. Tem um monte de gente que está precisando ir para o lixo, literalmente. Eu até fiz uma separação mental e confesso que fiquei muito feliz ao perceber as pessoas maravilhosas que eu tenho na minha vida. E por isso sou imensamente grata. No entanto, percebi também que tem um monte de gente inútil ocupando espaço dentro de mim, pessoas que eu amei e que foram embora mas que eu insisto em "estar aqui para se caso ela voltar". Queridinho, escute-me bem, perdeu playboy. Tu foi porque quis, a vida é minha e eu decido quem volta pra ela e quem não. E você perdeu a sua chance. 
O lado "ruim" de "ser" um baú é que muitas vezes você acaba por acumular coisas demais com você. "Se um dia eu precisar, estará aqui". Bobagem. Cansei dessa palhaçada e dessa vida. Eu quero uma vida nova e esse momento é maravilhoso pra criar o que eu quero. Como diria minha "amiga" Shakira ~ la vida me ha dado un hambre voráz y tú apenas me das caramelos ~ Chega de viver como se eu não tivesse fome, quando na verdade eu tenho um apetite voraz. Chega de me esconder porque as pessoas à minha volta não suportam a minha intensidade. Chega de cortar as unhas porque as pessoas se sentem incomodadas com o comprimento delas. Chega de não usar roupas que eu gosto porque as pessoas acham estranho. Eu quero que todos vocês se fodam, sabe?! Querida, se você quer ter unhas compridas como as minhas, vá comer os nutrientes necessários pra fortalecer as suas unhas, vá usar um esmalte fortificante. Minhas roupas te incomodam? Não olhe pra mim, simples. Isso é um favor. E melhor ainda, me ignore querida. De gente como você eu quero distância.
Nesse ano eu quero menos "tranqueira" trancando o meu caminho. Eu quero abrir espaço pra luz passar. Se alguém não ficar feliz com isso, o problema não é meu. E você aí, o que na sua vida está precisando de uma limpeza?
Vou terminar o post cantando: Vou banindo pela Terra e Ar/ Vou banindo pelo fogo e mar/ Vou banindo, vou banindo pra purificar/ Vou banindo, vou banindo pra exterminar/ Espiral, Espiral, Espiral/ Sugue o que há de ruim/Leve todo mal.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

XXII.

Trigésimo oitavo dia do ano.
Ou as coisas voadoras.

Novamente estou na terra do Sul e as coisas começaram a esquentar por aqui. Cheguei há aproximadamente dois dias e já perdi as contas de quantas vezes eu já disse "Maldição; Maldição do demônio; Maldição do diabo dos infernos"; e suas demais variações.  
No dia que cheguei eu estava tomada pela paz da minha casa, o que não durou muito por aqui. Quando fui dormir estava calma, mas dois segundos depois que eu havia deitado a minha cabeça foi invadida por pensamentos que eu não conseguia saber de onde vieram e trouxeram junto sentimentos que não eram meus. Eu estava ok. Parei pra pensar um instante enquanto toda aquela "nhaca" me perturbava e pensei: isso só pode ser energia acumulada. Alguém está pensando muita coisa louca nesse lugar. E enfim, no outro dia acordei como se tivesse trabalhado a noite inteira, eu estava acabada. Acho que fui puxar lenha no inferno enquanto dormia. 
Imagine só o meu estado, os sinais de possessão demoníaca começaram a aparecer. A tarde fui ao mercado, que programa maravilhoso, não? Eu amo ir ao mercado, passar nas prateleiras, olhar os produtos, que amor. Acabei comprando um demaquilante  e uns discos de algodão pra ajudar a tirar a maquiagem. E também comprei doce de leite e ameixa, porque estava com desejo. 
Pois bem, depois que voltei do mercado, separei cinco tigelas, enchi com sal grosso, adicionei alguns cravos, alho e alecrim (o ideal era pimenta, mas não tinha). Coloquei um incenso de flor de laranjeira em cada tigela - que é o aroma mais aceito pelos Anciãos - afinal eu não podia correr o risco deles jogarem meus incensos fora. Iniciei fazendo uma oração pra mim, me protegendo. E depois acendi incenso por incenso e passei por todos os cômodos da casa rezando e imaginando que a fumaça do incenso estava limpando as nhacas do lugar. Depois abri todas as janelas e depositei uma tigela em cada espaço e deixei queimar. Nem preciso dizer que depois de algumas horas o lugar era outro.
Todo mundo dormiu maravilhosamente bem à noite. Eu deitei e desmaiei, acordei só hoje de manhã. Almocei e fui dormir de novo. E aí acordei com vontade de comer meu bolo recheado de ameixa com doce de leite. E foi aí que o clima começou a esquentar.
Eu deixo bem claro aqui que eu odeio pão-de- ló, na verdade eu odeio fazer, mas se alguém fizer eu como. Mas queria uma massa básica pra destacar o recheio. Encontrei uma bendita receita e lá fui eu. 
Iniciei fazendo o "Mise en place" que significa "posta no lugar". Ou seja, peguei a forma que eu iria usar, cortei o papel manteiga, separei as claras da gema, medi o açúcar, a farinha, peguei a batedeira e pré-aqueci o forno. Tudo isso pode parecer besteira, mas faz toda a diferença na hora de executar uma receita. Com todos os ingredientes à mão você não vai ficar louca no meio da receita por descobrir que não tem farinha suficiente ou que acabou o fermento. 
Pois bem, feito o "Mise en place" iniciei as claras em neve. Perfeitas, lindas. A receita pedia que eu adicionasse as gemas nas claras e batesse, eu não gosto disso, mas resolvi seguir a receita. Em seguida, pedia para adicionar a farinha à mão e lá fui eu. A massa estava estranha, eu não tinha colocado metade da farinha e massa estava com aspecto de dura, mas ok. Aprendi num curso que o pão-de-ló não necessita de fermento, devido à ação das claras em neve então não liguei para a falta do mesmo na receita. Coloquei a massa na forma, dei uma ajeitada e coloquei assar. Quando volto para ver a receita, ia fermento na maldita. Fiquei louca, tirei a forma rapidamente do forno e fiz uma tentativa de colocar o fermento, mas fiquei tão louca que atirei a forma longe e aí começou o espetáculo. Eu não sei como o fogão ainda resiste, ele sempre é vítima das minhas fúrias. E em instantes tudo ficou lindo, era pano de prato voando, forma girando no ar, farinha no chão. Eu sei muito bem o que significa a expressão "cega de ódio". 
Mas ok, resolvi que iria fazer o maldito bolo. Procurei uma nova maldita receita e lá fui eu. As claras em neve ficaram uma porcaria, agradeci o fato dos garfos da batedeira não serem afiados, porque senão eu teria perdido uns três dedos. Respirei fundo. E segui a nova receita e sim, dessa vez eu coloquei fermento. Foi só colocar a forma no forno e eu desapareci da cozinha. 
Quero a minha casa.
Sem mais.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

XXI.

Trigésimo sétimo dia do ano.
Ou tentando voltar para a vida normal.

Hello! 
Eu sei que sumi e peço desculpas, mas foi por um bom motivo.  Passei uma semana incrível na "capitar", na minha casca de ovo. Vocês não podem imaginar a minha "alegria". A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi abrir as janelas e tirar a roupa. Livre estou! livre estou! Em seguida me joguei no meu colchão e fiquei lá por horas olhando para o teto. Eu nem podia acreditar que estava sozinha! Não faço ideia de que horas fui comer, quem é que sente fome quando se está sozinha em casa? Só fui cozinhar porque terminei de ver um episódio do MasterChef Júnior e fiquei muito inspirada. E isso também é um fato sobre mim, eu sempre assisto as coisas atrasadas. 
Eu voltei para casa decidida à retomar minha alimentação paleo- low carb, high fat (menos carboidrato, mais gordura. Comida de verdade). Que consiste basicamente em reduzir a ingestão de carboidratos, açúcares, farináceos, laticíneos e produtos industrializados. Há uma maior ingestão de produtos que não contém rótulos e que são semi-industrializados. Então se você está se perguntando o que dá pra comer, eu respondo: comida de verdade. Alface, rabanete, cenoura, couve, espinafre, brócolis, morangos, ovos, manteiga, carnes em geral, castanhas, amêndoas, azeite de oliva, coco, óleo de coco, leite de coco, (água de coco, não!) creme de leite (dá pra fazer chantilly <3), cream cheese, chocolate 70% cacau e afins. Tem centenas de opções pra comer e beber e ninguém morre por diminuir a quantidade de açúcar, pelo contrário. Vi recentemente que os brasileiros consomem 51 kg de açúcar por ano, na low carb, o consumo de açúcar diário varia de 30 à 50 gramas, dependendo das necessidades/objetivos individuais. No final do ano passado, antes de vir para a terra do Sul, eu me mantive nessa alimentação por uma semana e perdi dois quilos e quatrocentas gramas e em compensação ganhei mais energia e disposição, a fome desapareceu, a sensação de saciedade após as refeições aumentou consideravelmente e eu estava me sentindo incrível. 
Cientificamente falando, você deve estar se perguntando qual a vantagem disso ou sei lá, mas a resposta é: esse modo alimentar diminui os picos de insulina no organismo, com menos açúcar entrando no corpo, o mesmo precisa encontrar uma nova fonte de energia, no caso, a gordura que foi estocada devida à alta ingestão de carboidratos. O processo é mais ou menos assim, você consome uma quantidade muito grande de açúcar/carboidratos, o corpo aumenta a quantidade de insulina pra dar conta de metabolizar o que está entrando, o que vai diretamente para a corrente sanguínea e o resultado é que você engorda, e sente fome logo em seguida, porque carboidratos e farináceos brancos, são de rápida absorção. A explicação não está muito boa, mas se tiver interesse, podemos conversar sobre isso. 
Continuando, se você tem resistência à insulina, diabetes, síndrome metabólica ou simplesmente está se sentindo muito cansado e sem disposição, você pode se beneficiar desse modo alimentar. E não, isso não é dieta da proteína. E não, o seu colesterol, triglicerídeos, sei lá o que não vai aumentar, as suas artérias não vão entupir de gordura. Porque você não vai se alimentar exclusivamente de carne e gordura. Você está comendo um abacate, meu bem. Uma cenoura na manteiga, uma pizza de couve-flor com queijo e tomate. Um punhado de morangos com chantilly. Um peixe grelhado. Se você acha que esse tipo de comida vai te matar, continua tomando aquele suco que tem 0,04% de polpa depois de diluído, continua tomando aquele iogurte de morango que tem aromatizante sabor morango. Continua comendo alimentos que tem ingredientes que você não sabe nem dizer o nome. 
Enfim, eu tenho resistência à insulina causada pela Síndrome dos Ovários Policísticos e eu me beneficio muito com esse modo alimentar. Aqui na terra do sul eu não consegui manter essa alimentação devido às regras familiares. Nessa casa todo mundo come a mesma coisa, não tem lugar pra gente "enjoada" e a alimentação é baseada em carboidratos nas mais diversas formas. O resultado de um mês comendo basicamente carboidratos é que a minha cintura aumentou consideravelmente, as bochechas também e até as pálpebras estão com dobras. Cada vez mais me convenço que viver em família é nocivo para a saúde. 
Nessa semana eu consegui me alimentar mais ou menos dentro do modo alimentar, a cabeça estava gritando por carboidrato e eu comi massa. E bem, como sabia que retornaria para o Sul, de nada adiantaria me adaptar para depois voltar a me entupir de carboidrato. Falando nisso, em breve testarei novas receitas e conto pra vocês.
Se vocês se interessarem eu posso trazer melhores informações sobre a low carb. Comentem aí.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

XX.

Vigésimo nono dia do ano.
Ou algumas considerações gastronômicas.

Se você me acompanha no Facebook já deve ter percebido o quanto eu gosto de cozinhar. Se você não me acompanha pelo Facebook, eu posso dizer que sou completamente apaixonada pela gastronomia. 
Minha mãe foi cozinheira durante muitos anos, no entanto, eu nunca tive muito interesse em aprender. Gostava muito de comer aquele restinho de massa de bolo que sobrava na tigela da batedeira e raspar com a colher o que sobrava do creme usado pra fazer torta de bolacha, que nada mais era que um Creme Patissière (ou pode chamar de creme de confeiteiro) ainda sem nome.
Com aproximadamente onze, doze anos fui cozinhar meu primeiro arroz. Coloquei água na panela, um caldo de galinha, tampei a panela e fui fazer outra coisa. Minutos depois minha mãe veio atrás de mim gritando "porque você ainda não colocou o arroz cozinhar??!! Já tá na hora de comer e o arroz não tá pronto!!" Eu tava esperando a água esquentar, ué. Vai entender. Na minha cabeça isso fazia muito sentido. 
Um tempo depois comecei a fazer bolos e gente, que bolos! Não tinha um bolo que eu fazia que ficasse baixo ou seco. O primeiro bolo que aprendi fazer se chama "Bolo de água", é um bolo extremamente simples que pode ser usado como pão-de-ló. É o bolo perfeito pra quando você não tem muitos ingredientes à disposição. (Mais tarde posto a receita, se quiserem).
Depois de um hiato de muitos anos, eu realmente voltei a cozinhar quando fui pra faculdade. Alguém tinha que cozinhar afinal, não dava pra ficar comendo miojo e pão todo dia. Nos primeiros anos era um movimento tímido, uma re-familiarização com alguns ingredientes. Eu não tenho muito afinidade com pratos salgados e isso teve que ser desenvolvido lentamente. Não é por nada que hoje em dia não posso ouvir falar em molho Bechamel (ou se quiser pode chamar de molho branco).
Acredito que o início do processo de aperfeiçoamento foi há mais ou menos dois anos, que foi quando eu comecei a fazer pães. E que pães! Parece que quando você inicia algo começa com mais paixão e aquilo floresce e eu vi isso acontecer com os meus pães. O pão doce e o pão recheado ainda tem admiradores perdidos por aí. 
Foi entre pães e o início das tortas que a "ciência" começou a dar as caras. Entender porque o pão não cresceu, porque ficou pesado ou leve, saber porque a massa da torta encolheu, porque quebrou toda se tornaram fundamentais. E com isso chegaram também os termos técnicos. Era preciso saber a diferença entre uma emulsão e uma redução, saber diferenciar "Pâte choux"(massa de bomba, carolinas, profiteroles e afins) de "pâte sucrée" (massa de torta doce) , de "pâte sablée" (massa de torta doce e salgada), de "pâte brisée" (massa de torta salgada) aprender como se faz e também como não se faz, saber quando se usa uma e não a outra. 
Enfim, cozinha não é bagunça. E a confeitaria exige muita precisão na preparação dos pratos. O leite muito quente cozinha as gemas e faz você perder o creme. Se amassar demais as "pâtes" elas desenvolvem glúten (e isso só é desejável para massas que queremos que cresçam, como a de pães). Se amassar pouco o pão, ele ficará duro e pesado. Se não pré-aquecer o forno, perde-se o "potencial" do fermento. Assar sua massa sem nada de peso em cima pode fazer com que ela encolha e você perdeu o formato da torta. Vai colocar o recheio como?
E assim iniciaram os embates entre a precisão necessária para cozinhar e o meu não-perfeccionismo. Comigo não tem essa história de cortar tudo em quadradinhos idênticos e coisas do gênero. Eu me preocupo mais com o sabor, a harmonia entre os elementos do prato e com a apresentação (não que uns quadradinhos idênticos não favoreçam uma boa apresentação), mas enfim, vocês entenderam. 
Nesse processo todo há diversos desafios, no entanto, é isso que torna tudo prazeroso. Eu adoro pratos que demoram horas para ficarem prontos (lembram-se das 10 horas gastas para fazer o bolo "Chiffon, o magnífico?) Cozinha é arte, é diversão, é ciência, é um conjunto de reações químicas acontecendo bem na sua frente, é magnífico. 
O desafio atual é aperfeiçoar algumas técnicas da confeitaria, desvendar os "mistérios" das preparações com carnes (hello dieta) e conhecer novos sabores. Ao longo da vida "desenvolvi" um paladar simples, pouco temperado, o que dificulta a execução e degustação de alguns pratos com elementos poucos usuais (hello páprica picante).
Inclusive, se você ficou curioso sobre as minhas "produções" gastronômicas, dê uma conferida no meu blog de receitas. Lá você encontra receitas ilustradas passo-a-passo. 
Baú Gastronômico: http://baugastronomicodana.blogspot.com.br/
Espero que gostem e testem as receitas. Se testarem me enviem fotos! Beijos e até a próxima.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

XIX.

Vigésimo sétimo dia do ano.
Ou o dia em que comecei a testar tutoriais de maquiagem do Youtube.

Hello! 
Aqui estou novamente. Depois de uma piadinha infame que foi devidamente ocultada. Bem, eu sei que sumi, mas eu tenho a "desculpa" perfeita, não se chateiem. 
Minha relação com a maquiagem mudou definitivamente no dia em que eu comprei uma base. Até então eu costumava usar muuuuuito rímel, olhos pretos e batom vermelho. Feita a maquiagem. Não preciso de muito para parecer trevosa, consigo isso até sem maquiagem. E não sei se notaram, eu estou com o cabelo preto novamente e percebi que isso faz muita diferença na minha aparência. Inclusive estou com a impressão de que meus olhos estão maiores, seria isso possível? Se você souber, comenta aí!
Bem, voltando à base que eu comprei. Fui num negócio que eu não sei como chamar, um bazar de cosméticos? Enfim, uma loja que tem muuuitos tipos de maquiagens, perfumes, pincéis e pessoas especializadas nisso pra lhe atender. Disse pra uma moça maravilhosa que eu queria uma base, ela me perguntou algo sobre cobertura (oi? de bolo?) e eu disse que tanto fazia. Acabou trazendo a base da promoção (amo!) para testar. Passou dois tons diferentes na minha cara, metade de cada lado e comparamos o resultado. Pasmem, mas ela usou uma gota minúscula e uniformizou o tom no rosto todo! Gente, eu botei fé no negócio. Saí da loja me sentindo uma super modelo. 
A base que eu comprei custou 29,90 se não me engano, e é da linha BB Cream da Avon. Tem dez benefícios em um e olha, eu fiquei muito surpresa. Depois que uso a base a minha pele fica muito macia e quando estou usando a base ela fica imperceptível na pele, fico até parecendo saudável. 
Depois que a mulher arrancou todo o couro que eu tenho nos dedos, fiquei com medo de ir fazer a maquiagem para a minha formatura lá (não quero sair de lá parecendo o Bozo) e aí fui aprender os truques. E gente, novamente, é mais fácil do que parece. Você consegue resultados maravilhosos com aquele batom e aquela sombra que custam 1,99. Eu juro! Nas próximas postagens vou ensinar umas coisinhas mágicas pra vocês, aguardem.
Voltando... a partir dos vídeos e das dicas que fui aprendendo, resolvi testar. Então toda tarde eu sento na frente do espelho e testo as técnicas. Como eu só tenho base e pó, não posso fazer o contorno (por enquanto) mas obtenho um resultado bem bom. 
Eu nunca imaginei que esfumar o côncavo com uma sombra marrom fizesse tanta diferença na vida. E esse é basicamente o segredo de uma boa aplicação de sombra, esfumar as cores para que elas pareçam unidas. O marrom no côncavo é responsável por dar profundidade ao olhar, a sombra branca ou o iluminador bem rente à sombrancelha ( e bem esfumado) fazem muita diferença. Um tom de marrom, dois níveis de esfumado, rímel e lápis de olho e pronto, você tem a maquiagem perfeita pra o dia. O negócio é adquirir a habilidade de usar os pincés e esfumar. Eu percebi que depois de uns dias, o pulso está ficando mais firme e preciso. 
Vejam nas imagens, como o esfumado marrom e o "depósito" de sombras faz diferença. Em breve explico melhor pra vocês esses termos:
Na imagem acima, a base foi aplicada em todo o rosto. No fundo há a aplicação da sombra marrom no côncavo. (Conseguem ver?) Em cima do marrom, apliquei uma sombra azul (que na foto parece preto) esfumando bastante no canto, sem cobrir o marrom totalmente. Para iluminar o olho e dar um aspecto "aberto" optei por um cinza com brilho e fui depositando com o pincel e depois esfumei de leve pra criar a unidade entre as sombras. (Consegue perceber como o branco vai se unindo com o azul/preto ao longo da pálpebra?)

Aqui dá pra visualizar o resultado final. (Se você clicar na imagem, ela fica maior) O lápis não ficou perfeito porque a ponta quebrou várias vezes durante o procedimento. Mas em tese, é isso. 
Amanhã eu conto pra vocês uma super dica para deixar aquela sombra de 1,99 super pigmentada. Até!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

XVIII.

Vigésimo quinto dia do ano.
Ou refletindo sobre "a boa vizinhança".

Hello people! 
Eu ando escrevendo pouco, eu sei. A verdade é que tenho refletido bastante e então demoro pra escrever. O assunto de hoje é um assunto que vem me incomodando desde que cheguei de férias (nesse contexto).
A verdade é que eu odeio vizinhos. Viver em um terreno com quatro casas é algo infernal. Os vizinhos sabem quando você sai, quando você entra, se tem gente em casa, se não tem, se você recebeu visitas, que roupa você estava usando quando saiu e enfim. Não sou obrigada. Eu não sei quem são meus vizinhos, não quero saber a hora que eles saem e muito menos a hora que eles voltam e é por isso que a porta da frente está sempre fechada. Porque se não bastasse, a janela da casa da frente está alinhada com a minha porta. Não me candidatei pro Big Brother pras pessoas ficarem sabendo o que se passa na minha casa, obrigada.
Mas, voltando ao assunto da boa vizinhança, aqui onde estou passando férias, a cidade é praticamente uma "boa vizinhança". A impressão que eu tenho é que a vida de todos os moradores da cidade é pública, em instantes todos sabem que fulano escorreu na estrada, que teve um filho e pasmem, sabem até que a pessoa está grávida antes mesmo da concepção! 
Como eu não tenho nada pra fazer, realizei um pequeno "mapeamento das relações" do bairro onde estou. Acredito que as moradores ficariam chocados (ou não) quando visualizassem o mapa. Analisei (superficialmente) aproximadamente 17 casas e suas relações com os demais vizinhos e fiquei surpresa com a quantidade de recusas que encontrei. 
Entre as "casas" que se escolhem mutuamente é possível observar atitudes de "boa vizinhança", as pessoas se visitam, trocam mercadorias frequentemente. Acho muito bacana essa coisa de "ai tenho umas bananas sobrando aí, vou levar pra vizinha porque ela gosta"; "a vizinha gosta de ovos e eu tenho um monte de galinhas, vou levar uma dúzia pra ela"; "comprei uma máquina de fazer pão, vou distribuir uns pães pros vizinhos experimentarem". Entre outras coisas que acontecem, eu acho isso bonito demais e percebo que é escasso no contexto analisado.
Entre as casas que visivelmente se "rejeitam" mas são "obrigados" à manter relações a coisa muda. Essas relações me dá até preguiça de começar a falar, porque todo santo dia uma nova história começa a circular. Percebo que quando há recusa, qualquer mínimo acontecimento é motivo para gerar discussões, intrigas e fofocas. E bem, como tudo é de todos, as pessoas que não conhecem o contexto, repassam essa história e aí você já viu. É muito louco estar no meio dessas relações e ver como elas se estabelecem e desenvolvem. Em uma semana as cinco histórias que foram criadas diariamente se entrelaçaram e viraram um nó em que não se encontra o início e muito menos o fim. Haja disposição pra viver em um lugar que está constantemente em clima de guerra! E fico aqui pensando: o que seria possível fazer para amenizar esse clima e melhorar a qualidade das relações? 
A solução seria talvez medir relações antes de montarem os bairros? Construir bairros à partir da afinidade das pessoas? Mas isso de certa forma geraria algum tipo de exclusão, ou muitos tipos de exclusão... 
Ainda bem que eu vou pra casa na semana que vem, pra resolver o meu problema basta fechar a porta e voilá, "vizinhos? o que é isso? quem são? e onde vivem?" Não verei, porque não tenho televisão! hahaa

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

XVII.

Vigésimo segundo do dia.
Ou quando a lua cheia se aproxima ...

Há tempos queria escrever um post sobre sexo e sexualidade. O receio surgia devido ao fato de que não sei quem são as pessoas que estão acompanhando as postagens. A questão é que estou passando férias na cidade em que a maioria dos meus parentes moram e qualquer fofoca que surge ao meu respeito gera uma dor de cabeça do cão. 
Quando eu era virgem ainda surgiu o boato de que eu estava me prostituindo e o pior é que todo mundo acreditou! (Oh céus!) Depois surgiu o boato de que eu "tinha virado" lésbica. (Vem me dar uns pega e descubra) E o último que eu me lembro é de que eu estava fazendo/aprendendo bruxaria na faculdade e todos se perguntavam como eu ia tratar os meus pacientes. (Eu mereço!) 
Enfim, se você for uma dessas pessoas que fica espalhando esses boatos idiotas sobre mim, faça a gentileza de se retirar. Eu não sou obrigada a ficar me estressando só porque você tem uma vida desinteressante e precisa ficar mexericando sobre a minha. Obrigada. Volte pras ruínas de onde você saiu! 
Eu estava aqui na sala fazendo meu show diário e quando estava performando "Breathe on me" da Britney comecei a refletir sobre a relação das pessoas com o corpo e a com a própria sexualidade. Enquanto dançava e cantava sentia minha respiração, a vibração das cordas vocais, a dor na coluna, sede, o calor das mãos percorrendo o corpo, afinal de contas, eu tenho um corpo. 
Por diversas vezes ouvi o povo do "rock" se vangloriar porque as "mina" eram de respeito. Ao contrário das "mina" do pop que ficam exibindo o corpo por aí. Eu me pergunto: De que adianta ter o corpo coberto por uma camiseta de banda e ter um corpo queimando abaixo dela? 
Enquanto negamos nosso próprio corpo e nossa sexualidade, contribuímos para a repressão sexual e a manutenção do tabu. Me entristece e me revolta saber que aproximadamente 40% das mulheres brasileiras nunca tenham chegado ao orgasmo. Mulheres que chegam aos sessenta, setenta anos de idade sem saber onde fica o clitóris! Enquanto os meninos são pegos se masturbando no banheiro da escola.
O que tem de tão perigoso no corpo? O pecado? E se você acreditar que o corpo é um templo sagrado? E que ele é instrumento de conexão com os deuses? Você vai continuar a negá-lo?
Masturbação não faz crescer pelos nas mãos e faz um bem danado à saúde. Tem medo de se masturbar? Comece com um espelho entre as pernas, veja o paraíso que você tem aí. Tome um banho relaxante, coloque uma música que lhe agrade e se acaricie, sinta seu corpo. Converse com aquela sua amiga que é desencanada sobre as suas dúvidas (fuja das que vão mandar você pra igreja). Procure um profissional que possa ajudá-la com eventuais bloqueios. Não tenha medo do que você é! E muito menos tenha medo do corpo que você tem! Permita-se, faça amor consigo mesma! Você é rainha de si mesma e merece sentir todo o prazer que puder proporcionar. 
Inclusive, pessoas que estão sexualmente felizes não tem tempo pra ficar inventando coisas da vida dos outros.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

XVI.

Vigésimo segundo dia do ano.
Ou relatos de um aniversário do ~cão ~.

Salve galerinha, o mau humor continua por aqui. Não se enganem. 
No dia do meu aniversário (terça, 19) eu estava surtada. Vocês devem ter percebido no último post, não? Eu estava realmente surtada, porque os Anciãos haviam contado pra meio mundo que era meu aniversário e eu queria ficar sozinha. Na verdade, não sei se eu queria realmente ficar sozinha, mas eu estava cansada.
Minha fada madrinha me chamou na casa dela para me dar alguns presentes. Me deu um vestido lindo, mas que não serviu por causa dos meus pequenos ~pechos ~. Fomos até a loja escolher um outro e lá fui eu, prova um, prova dois, prova três e os pechos não deixavam nada ficar bom. Até que um lindo vestido, estilo ~senhorinha~ serviu. Não adianta, certas coisas me perseguem. O vestido é lindo, com detalhes em amarelo. Minha fada madrinha queria me dar meio mundo de presentes, e eu realmente estava achando aquilo desnecessário. Tipo, é só o meu aniversário. Ela insistiu para que eu aceitasse "um dia de princesa" no salão. Incluindo, manicure e pedicure e tirar a barba com cera (trauma!). Recusei, mas ela disse que estava fazendo aquilo de bom coração e não quis magoá-la. Lá fui eu, afinal fazer as unhas é algo "inofensível" ...
Gente, arrepiei até a alma só de ver aquela cera quente aguardando por mim. (Contarei essa história em outro post). Respirei fundo e agradeci à mim mentalmente por ter feito a barba no dia anterior. E sim, é com a gilete. Não me encha o saco, eu faço a barba com o que eu quiser, não me interessa se vai crescer mais, mais grosso, mais não sei o que. A barba tá aí e é isso aí. Gilete não dói e não dá alergia. Cera sim. 
Bem, voltando ao aniversário, marquei a manicure/pedicure pra hoje e SENHOR AMADO, estou morrendo! Minhas unhas estão lindas, isso é inegável, porque as minhas unhas são lindas e eu amo elas. E sim, a manicure insistiu pra cortar um pedaço delas. É sempre assim (quem vê pensa que vou no salão toda semana). Vou à cada morte de papa e  não gosto de ninguém mexendo e muito menos opinando sobre as minhas unhas. 
Gentem, ganhei de presente, na verdade, umas horas de tortura. "Você tem a cutícula sensível" disse ela, ao arrancar metade do couro das 20 unhas. Passava o algodão com a acetona em cima e eu estava morrendo por dentro. Passava o esmalte, queimava mais um pouco. G-zus, achei que ia morrer. Mas claro, eram minhas cutículas sensíveis que estavam sangrando... Resultado: estou com as unhas lindas, maravilhas e com os dedos inchados. Fui tentar fazer nhoque hoje à noite e não teve como amassar nada. Happy Bday pra mim.
Tenho que avisar que meu humor está ótimo. Uma fada do Norte veio me visitar e me levou junto com ela para a terra das fadas. E magicamente meu humor passou. Estive lá um dia, cercada de natureza e silêncio, pessoas maravilhosas, almoços e jantares e salas de televisão com a família reunida. Foi um sonho. Cinco minutos que estava em casa, já havia soltado umas ~maldições~. É, certa coisas não mudam. Mas ter uma fada na sua vida faz toda a diferença;
Eu agradeço de coração as felicitações que recebi. Agradeço às pessoas que suportam meu mau humor diariamente e que gostam de mim mesmo assim. Eu não sei exatamente o que mudou, mas eu estou me sentindo em paz. Uma paz que eu achei que não fosse mais possível sentir. Então, só me resta agradecer à tudo e à todos que contribuíram pra que isso fosse possível. Eu realmente percebi que eu tenho muitos presentes na minha vida e isso é tudo o que preciso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

XV.

Décimo oitavo dia do ano.
Ou a véspera do meu aniversário.

Olha, eu tenho uma sorte do cão. Pelo amor de Deus. 
Amanhã é o meu aniversário e eu estava completamente feliz porque ninguém da vida real sabia disso. Sim, ninguém sabia. E eu iria aproveitá-lo completamente sozinha. Agora essas maldições dessas pessoas sabem. 
Hoje cedo decretei aqui em casa que amanhã eu queria um churrasco, com direito à maionese e tudo. E inclusive estava preparando uma festa surpresa pra mim mesma. Sim, é isso mesmo que você leu. Uma festa surpresa com direito à bolo e muitos docinhos.
No entanto, agora que essas maldições dessas pessoas sabem. Afinal, os anciões não sabem quando devem calar. Eu odeio pessoa que não sabe quando calar a boca. Mas que inferno! O meu aniversário só diz respeito à mim e ninguém mais.
Amanhã que era pra ser um dia de paz. Sim, eu planejava estar em paz amanhã. Vai ser mais um dia maldito. Com gente vindo aqui em casa me desejar feliz aniversário. Eu quero deixar bem claro que eu não preciso desses parabéns forçados. Se você não gosta de mim no restante do ano, não precisa gostar de mim no meu aniversário. E não precisa fingir, eu não me importo. Eu sinceramente prefiro que você não venha.
Amanhã é o MEU aniversário! E eu queria ter o direito de passar ele sozinha. Mas que maldição! Esqueçam que eu existo!
Amanhã é meu aniversário, repito. E eu vou ter menos paciência ainda pra quem tá começando. E não tô afim de me fingir de simpática, porque eu simplesmente não sou. Vão catar coquinho no Alasca e me deixem em paz. 
Maldição, mil vezes maldição. É nessas horas que eu gostaria de morar no meio do mato, ou naqueles lugares distantes onde o vizinho mais próximo fica a centenas de quilômetros. Inferno. Meu humor que estava bom - pela primeira vez em dias - acabou de azedar.