segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

XVIII.

Vigésimo quinto dia do ano.
Ou refletindo sobre "a boa vizinhança".

Hello people! 
Eu ando escrevendo pouco, eu sei. A verdade é que tenho refletido bastante e então demoro pra escrever. O assunto de hoje é um assunto que vem me incomodando desde que cheguei de férias (nesse contexto).
A verdade é que eu odeio vizinhos. Viver em um terreno com quatro casas é algo infernal. Os vizinhos sabem quando você sai, quando você entra, se tem gente em casa, se não tem, se você recebeu visitas, que roupa você estava usando quando saiu e enfim. Não sou obrigada. Eu não sei quem são meus vizinhos, não quero saber a hora que eles saem e muito menos a hora que eles voltam e é por isso que a porta da frente está sempre fechada. Porque se não bastasse, a janela da casa da frente está alinhada com a minha porta. Não me candidatei pro Big Brother pras pessoas ficarem sabendo o que se passa na minha casa, obrigada.
Mas, voltando ao assunto da boa vizinhança, aqui onde estou passando férias, a cidade é praticamente uma "boa vizinhança". A impressão que eu tenho é que a vida de todos os moradores da cidade é pública, em instantes todos sabem que fulano escorreu na estrada, que teve um filho e pasmem, sabem até que a pessoa está grávida antes mesmo da concepção! 
Como eu não tenho nada pra fazer, realizei um pequeno "mapeamento das relações" do bairro onde estou. Acredito que as moradores ficariam chocados (ou não) quando visualizassem o mapa. Analisei (superficialmente) aproximadamente 17 casas e suas relações com os demais vizinhos e fiquei surpresa com a quantidade de recusas que encontrei. 
Entre as "casas" que se escolhem mutuamente é possível observar atitudes de "boa vizinhança", as pessoas se visitam, trocam mercadorias frequentemente. Acho muito bacana essa coisa de "ai tenho umas bananas sobrando aí, vou levar pra vizinha porque ela gosta"; "a vizinha gosta de ovos e eu tenho um monte de galinhas, vou levar uma dúzia pra ela"; "comprei uma máquina de fazer pão, vou distribuir uns pães pros vizinhos experimentarem". Entre outras coisas que acontecem, eu acho isso bonito demais e percebo que é escasso no contexto analisado.
Entre as casas que visivelmente se "rejeitam" mas são "obrigados" à manter relações a coisa muda. Essas relações me dá até preguiça de começar a falar, porque todo santo dia uma nova história começa a circular. Percebo que quando há recusa, qualquer mínimo acontecimento é motivo para gerar discussões, intrigas e fofocas. E bem, como tudo é de todos, as pessoas que não conhecem o contexto, repassam essa história e aí você já viu. É muito louco estar no meio dessas relações e ver como elas se estabelecem e desenvolvem. Em uma semana as cinco histórias que foram criadas diariamente se entrelaçaram e viraram um nó em que não se encontra o início e muito menos o fim. Haja disposição pra viver em um lugar que está constantemente em clima de guerra! E fico aqui pensando: o que seria possível fazer para amenizar esse clima e melhorar a qualidade das relações? 
A solução seria talvez medir relações antes de montarem os bairros? Construir bairros à partir da afinidade das pessoas? Mas isso de certa forma geraria algum tipo de exclusão, ou muitos tipos de exclusão... 
Ainda bem que eu vou pra casa na semana que vem, pra resolver o meu problema basta fechar a porta e voilá, "vizinhos? o que é isso? quem são? e onde vivem?" Não verei, porque não tenho televisão! hahaa

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