Quadragésimo quinto dia do ano
Ou a bad e a abstinência
Acordei
numa bad terrível. Não quis sair do quarto e mantive as janelas fechadas. Dormi,
acordei comi meu mousse de morango “mágico”. - Basta misturar creme de leite gelado com um
pouco de suco “Clight” e misturar. Se deixar de um dia pra outro ele fica
areado. Eu não sei exatamente porque isso acontece, mas acontece e é
maravilhoso. - Dormi de novo, acordei,
liguei a luz e decidi abrir a janela. O dia está nublado e escuro, com pancadas
de chuva forte que reforçam a minha vontade de não sair da cama. Estou no
quarto dia de “low carb” e acordei morrendo de vontade de comer bolo. Dia de
chuva vai combinar com bolo e café eternamente. Eu poderia fazer um bolo low
carb, mas não tenho todos os ingredientes. Como umas colheradas de pasta de
amendoim sem açúcar pra me acalmar. Resolvo fazer um pão low carb, pra matar
essa “vontade” louca de comer carboidrato. Após pesquisar mil receitas achei
uma que eu tinha todos os ingredientes. Não é aquele pão da padaria, nem aquele
que a minha avó faz, mas deu pra comer um sanduíche e acalmar a bad.
Ou
não.
Quando
sentei pra escrever eu percebi que estou em abstinência de todos os meus
prazeres. Nada mais natural que a bad surja. Ontem teve festa de formatura e eu
nunca tinha ido à uma. Meu amigo fauno prestou-me consultoria para escolher o
look e apesar de todos meus modelitos serem reprovados, o menos pior acabou
sendo escolhido. Fiz uma maquiagem maligna, coloquei meus sapatos de “salto” e
lá fui eu ensaiar uma forma de sentar “igual mocinha”. No final até que me saí
bem. Só que na “hora do rush” a coisa é diferente. Atravessei o corredor e
cheguei no salão principal e vi toda aquela gente. Imediatamente pensei “então
é isso pessoal, já apareci, agora tchau”. Mas continuamos andando, estávamos eu
e as “minhas meninas”, encontramos a primeira colega e assim foi até chegarmos
no meio da galera. Eu me senti feliz em reencontrar algumas pessoas, apesar de
não conseguir conversar direito com elas por causa do som alto. Dois segundos
depois eu estava sentada numa cadeira com cara de idoso no baile da terceira
idade. E bem, as músicas que estavam tocando ajudavam, “boate azul, eu quero que risque meu nome da sua agenda e
por aí foi”. Gritei algumas vezes “Toca Britney” mas o grito foi engolido pelo
barulho. Os meus pés estavam doendo, então eu levantava um pouco e voltava pra
cadeira, até que eu decidi tirar o sapato. Haviam muitas pessoas no salão descalças
e bem, eu não sou obrigada à nada. Tomei uma água sem gás e foi isso. Os boatos
de que o “Guilhermino Guinle” estava pelo salão me deixaram animada e me
desanimaram em seguida com a notícia de que ele havia ido embora. Pois é,
Guilhermino, nós batalhamos tanto para manter nossa amizade por cinco anos e
hoje “temos” que agir como se não nos conhecêssemos. Mas eu ainda lembro das
lasanhas congeladas que a gente comeu e sei que foi real.
Ou
seja,
Tenho
que voltar pra terapia e dar um jeito nessa vida. Assim como eu aprendi a ser
uma pessoa “chata e cansada” , eu também posso aprender a ser uma pessoa mais
viva. Não precisa ser muito feliz, mas um pouquinho mais de vida faz bem.
Quanto
às abstinências, não sei quanto tempo vai durar. Se a bad persistir por muito tempo, eu serei
obrigada a fazer um belo pudim de leite condensado com muito caramelo e um bolo
de cenoura com ganache. Apesar das “coisas”
não funcionarem desse jeito, vou terminar o post com uma frase bem clichê “prefiro
ser gorda e feliz, do que magra e triste”. Sem mais.
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