domingo, 14 de fevereiro de 2016

XXIV.



Quadragésimo quinto dia do ano
Ou a bad e a abstinência

Acordei numa bad terrível. Não quis sair do quarto e mantive as janelas fechadas. Dormi, acordei comi meu mousse de morango “mágico”.  - Basta misturar creme de leite gelado com um pouco de suco “Clight” e misturar. Se deixar de um dia pra outro ele fica areado. Eu não sei exatamente porque isso acontece, mas acontece e é maravilhoso. -  Dormi de novo, acordei, liguei a luz e decidi abrir a janela. O dia está nublado e escuro, com pancadas de chuva forte que reforçam a minha vontade de não sair da cama. Estou no quarto dia de “low carb” e acordei morrendo de vontade de comer bolo. Dia de chuva vai combinar com bolo e café eternamente. Eu poderia fazer um bolo low carb, mas não tenho todos os ingredientes. Como umas colheradas de pasta de amendoim sem açúcar pra me acalmar. Resolvo fazer um pão low carb, pra matar essa “vontade” louca de comer carboidrato. Após pesquisar mil receitas achei uma que eu tinha todos os ingredientes. Não é aquele pão da padaria, nem aquele que a minha avó faz, mas deu pra comer um sanduíche e acalmar a bad.
Ou não.
Quando sentei pra escrever eu percebi que estou em abstinência de todos os meus prazeres. Nada mais natural que a bad surja. Ontem teve festa de formatura e eu nunca tinha ido à uma. Meu amigo fauno prestou-me consultoria para escolher o look e apesar de todos meus modelitos serem reprovados, o menos pior acabou sendo escolhido. Fiz uma maquiagem maligna, coloquei meus sapatos de “salto” e lá fui eu ensaiar uma forma de sentar “igual mocinha”. No final até que me saí bem. Só que na “hora do rush” a coisa é diferente. Atravessei o corredor e cheguei no salão principal e vi toda aquela gente. Imediatamente pensei “então é isso pessoal, já apareci, agora tchau”. Mas continuamos andando, estávamos eu e as “minhas meninas”, encontramos a primeira colega e assim foi até chegarmos no meio da galera. Eu me senti feliz em reencontrar algumas pessoas, apesar de não conseguir conversar direito com elas por causa do som alto. Dois segundos depois eu estava sentada numa cadeira com cara de idoso no baile da terceira idade. E bem, as músicas que estavam tocando ajudavam, “boate azul,  eu quero que risque meu nome da sua agenda e por aí foi”. Gritei algumas vezes “Toca Britney” mas o grito foi engolido pelo barulho. Os meus pés estavam doendo, então eu levantava um pouco e voltava pra cadeira, até que eu decidi tirar o sapato. Haviam muitas pessoas no salão descalças e bem, eu não sou obrigada à nada. Tomei uma água sem gás e foi isso. Os boatos de que o “Guilhermino Guinle” estava pelo salão me deixaram animada e me desanimaram em seguida com a notícia de que ele havia ido embora. Pois é, Guilhermino, nós batalhamos tanto para manter nossa amizade por cinco anos e hoje “temos” que agir como se não nos conhecêssemos. Mas eu ainda lembro das lasanhas congeladas que a gente comeu e sei que foi real.
Ou seja,
Tenho que voltar pra terapia e dar um jeito nessa vida. Assim como eu aprendi a ser uma pessoa “chata e cansada” , eu também posso aprender a ser uma pessoa mais viva. Não precisa ser muito feliz, mas um pouquinho mais de vida faz bem.
Quanto às abstinências, não sei quanto tempo vai durar.  Se a bad persistir por muito tempo, eu serei obrigada a fazer um belo pudim de leite condensado com muito caramelo e um bolo de cenoura com ganache.  Apesar das “coisas” não funcionarem desse jeito, vou terminar o post com uma frase bem clichê “prefiro ser gorda e feliz, do que magra e triste”. Sem mais.

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