Ou depois da bad vem o sol (ou a vela).
É minha gente, nem só de mau humor vive o mundo, mas de bad também. Me afundei no bosque das sombras e deixei que as trevas tomassem conta de mim, literalmente. Mas nesse mergulho redescobri a importância da luz.
Parece aqueles papos de conversão mas não é. Eu penso que se você quer adorar Jesus, você adora. Se você quer adorar o Satanás, você adora. Mas acho feio quando você fica metendo o bedelho na crença dos outros achando que só a sua religião é que salva. Cadê o direito daqueles que não querem ser "salvos"?
Acho um desrespeito quando chamam qualquer crença/prática/ação que fuja das crenças cristãs de "macumba/macumbeira". Respeito é bom e todo mundo gosta. Na Terra do Sul tem "umas pessoas" que adoram me chamar de macumbeira. Um dia desses, essas pessoas vão ver com quantas velas se faz uma canoa. Eu tenho respeito e admiração pela Umbanda e o Candomblé, mas não é a crença que eu sigo.
Mas enfim - independentemente do seu credo - eu acho que você sempre deve ter uma boa quantidade de velas em casa. E não estou falando pra caso falte luz. Na verdade, estou sim. Quando falta luz dentro da gente, acender uma luz fora pode ser uma forma de reencontrar o caminho.
Eu estava numa bad do cão, aparentemente causada pela abstinência de açúcar. Mas foi um pouco de muita coisa que emergiu junta e me derrubou, literalmente. Eu me senti dramaticamente com duas escolhas, "morrer" e acabar com tudo aquilo ou "viver" e dar um basta naquilo tudo. Optei pela segunda opção, porque apesar de tudo os meus "santos" são fortes. E então lá fui eu, catei umas velas, umas ervas, umas divindades, umas rezas, o meu samba enredo, a minha dança, a minha certeza e pedi socorro. E o socorro veio minha gente. Sempre vem. Apesar de eu ser bem teimosa e esperar sempre a míngua chegar pra então pedir um help. Mas o socorro veio. Quem tá comigo, tá sempre comigo, mesmo que as vezes se cale. A teimosia vem dos dois lados, no caso. Não consegui dormir a noite toda mas acordei maravilhosamente energizada. Levantei me sentindo viva e não estava me sentindo mal por isso. Limpei a casa, arrumei o quarto, me mantive ativa por todo o dia, mas ao anoitecer me senti mal de novo e a bad veio me visitar avisando que não tinha ido embora. Mas aí decidi que o bicho ia pegar e eu ia mostrar quem é que mandava!
Velas pra quê te quero! Intuitivamente fui passando pela casa e pegando coisas: velas, incensos, ervas, óleos, pratos, fotos, sombra, delineador, batom, coca zero, bala de goma e paçoca e lá fui eu pro quarto. Coloquei um samba enredo daqueles e tasquei-lhe ficha! Rapaz a coisa ficou tão linda que deu vontade de chorar. Todas aquelas velas, aquelas cores, a iluminação, a energia. Me senti profundamente emocionada e empoderada com a minha 'criação'. Até o meu coração ressuscitou! Fiquei ali por horas, igual uma boba olhando a luz e cantando o samba enredo. A luz ... a luz ... a luz ... como disse certa vez o meu irmão do coração: "Ana, a luz deve ser nosso alimento diário".
Eu sempre estou com o meu pézinho nas trevas, mas confesso que estar envolta de luz me fez bem, me senti um bebê cósmico retornando ao lar. Um salve aos que me acompanham e um pouco de luz aos que estão necessitando. Já dizia alguém: Nem só de trevas vive o homem. Que possamos encontrar o nosso equilíbrio. Sem mais.
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