domingo, 10 de janeiro de 2016

XI.

Décima dia do ano.
Ou "a bruma leve das paixões que vêm de dentro" ou "faltam nove dias para o meu aniversário".

O mau humor cessou por uns instantes. Eu estou tomando café e ouvindo Kid Abelha e vendo fotos no Instagram. Tudo começou com uma matéria sobre manteiga caseira que remeteu à uma hashtag #amocaseirices. 
Não sei se vocês sabem, mas eu sou completamente apaixonada pela fotografia. Passar horas observando fotos no Instagram é um prazer enorme. Sou apaixonada pelas cores, pelas composições das fotos. Os padrões de cores e formas e enfim, a fotografia é um mundo de possibilidades. 
Amo fotografar também, mas as vezes é difícil encontrar "modelos". Eu adoro ser minha própria modelo. A minha câmera é praticamente a extensão dos meus olhos, e me olha como no poema de Moreno "E tu arrancara os meus olhos e os colocara no lugar dos teus. Então, eu te olharei com teus olhos e tu me olharas com os meus". 
Pra não perder o costume, auto-retratos podem ser uma ferramenta terapêutica. Sempre que sinto que algo mudou e se consolidou em mim, eu faço um ensaio. Seja quando retoco o cabelo, quando uma pinta nova surgiu na cara ou quando meus olhos parecem mais brilhantes. Lá vou eu com a minha coroa de flores e o meu vestido de cetim. Porque dentro de mim eu sou rainha e o reino que governo é o meu reino interior.
Algo me chamou atenção hoje enquanto navegava no Instagram, vi pessoas vivendo - aparentemente- de uma maneira muito leve. Coisas simples, sabe? Uma flor num vasinho feito de um vidro de leite de coco vazio. Um prato verde florido. Um encontro. Um sorriso. Um violão e amigos. E coisas assim ...
Eu olho tudo isso e penso: é possível realmente viver uma vida leve? Não que vida leve seja sinônimo de vida sem tristezas. Mas eu penso: O que deixa uma vida leve? O que é afinal, levar uma vida leve?
Eu não sei ... talvez o meu mau humor me deixe cada dia mais distante dessa vida leve. Mas vou confessar pra você, só pra não ficar achando que eu sou um monstro de pedra: hoje eu senti um amorzinho. Até disse para um amigo que ele é um "querido" e me senti feliz.  Acredito que a distância às vezes torna os sentimentos mais genuínos e torna os momentos juntos mais intensos. Quem sabe ... eu não sei ... talvez esse seja o verdadeiro segredo ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário