Nono dia do ano.
Ou a lenda do sagu das trevas.
Imagine cinco litros de vinho fervendo em uma panela com um punhado de cravo e outro punhado de canela. Até aqui ele poderia ser um quentão perfeito. Se não fosse o fato de que estamos em pleno verão e parece que esqueceram de fechar a porta do inferno. Digo isso não só pelo calor mas também pelas criaturas que tem aparecido por aqui ultimamente.
Bem, voltando ao vinho. Pessoalmente o vinho de garrafão não agrada meu paladar, parece aguado. Eu gosto de vinho com corpo [isso pode ser entendido de diversas maneiras]. O meus vinhos favoritos são: o vinho argentino Ampakama Torrontes 2011, esse vinho é uma verdadeira obra de arte engarrafada! É o único vinho branco da lista e eu fiquei completamente apaixonada pelas notas florais do fundo. Acompanhado de uma quiche então, é uma maravilha. Eu ainda preciso experimentar as outras versões do Ampakama, incluindo os tintos. Meu segundo vinho favorito é brasileiro, Miolo ano 2011. Eu acho que 2011 foi um ano de glória para a produção de vinhos, só provei vinhos maravilhosos dessa safra. Não sei nem o que dizer desse, apenas quero outra garrafa de presente.
No entanto, eu não tenho dinheiro para comprar esses vinhos maravilhosos toda a semana. Então me contento com um Chalise tinto [ jamais compre o rosé, a menos que queira fazer um porre logo na primeira taça]. É um vinho encorpado, suave, fácil de beber, casa bem com comidas salgadas e também com sobremesas. E custa menos de 10 reais [ saudades de quando custava 6 reais]. Mas eu acredito mesmo que o que torna vinho especial é o ritual. Tirar a rolha, servir na taça, sentir o aroma e provar. Só de descrever isso tive um orgasmo. [Alô Argentina, vou morar aí em breve, guarde muitos Torrontes 2011, please]
Voltando ao vinho de garrafão, foram cinco litros de vinho e quase meio quilo de sagu. Queimou o fundo da panela, tive que trocar de panela, mal dava pra mexer, acharam pouco açucarado [hello, é sagu de vinho e não de açúcar] o caldo enxugou e enfim, os castores como de costume só sabem reclamar. Fazer, no entanto, não sabem. Há dez dias estamos tendo um "Festival Culinário" aqui. Eu levo horas fazendo um bolo e em menos de meia hora não existia mais bolo. Eu faço pudim, o coitado nem termina de esfriar e não tem mais nem sinal de pudim. Eu faço sagu, a mesma coisa. Cozinhar é bom, relaxa, é um ritual. Mas no final de dez dias, haja ritual que aguente e ovos! Aceito doações! Eu tenho até medo de contabilizar quantos ovos gastei até hoje, mas enfim, no final tudo vira trevas.
Os castores tem sorte, eu não costumo ser vingativa. Porque se eu fosse, o sagu das trevas se tornaria um remedinho pra eles. Em especial para a castora. Imagina que linda ela ficaria com uma calda de cinco litros de vinho fervendo em cima dela. Tratamento estético, gata. Pra ver se melhora essa cara de cu!
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