Ou a escrita como ferramenta de auto-análise.
Tenho que confessar para vocês que meu mau humor têm diminuído à medida que escrevo sobre ele aqui no blog. O ato de escrever reserva em si uma característica terapêutica à medida em que penso e reflito acerca do que está sendo escrito. [Menos na postagem que tive que ocultar rs]
No primeiro dia de existência do blog eu era apenas mau humor e tédio, no segundo dia também, no terceiro nem se fala, mas em algum momento passei à refletir acerca do que estava sentindo. Na verdade estava refletindo desde o primeiro post, porque eu precisei saber o que estava sentindo para então poder denominá-los "mau humor e tédio".
Depois de entender o que eu estava sentindo, passei a refletir sobre o que estava despertando em mim tais sentimentos. E quando compreendi as "origens" dos meus sentimentos, pude então modificar meus sentimentos em relação as causas. Hoje meu mau humor e tédio diminuíram consideravelmente em determinadas situações. Bem, pelo menos, não atirei nada em ninguém hoje.
Sim, eu costumo atirar tudo o que eu tiver à mão quando eu estou irritada. Meu sonho é comprar muitos copos e arremessá-los contra uma parede. O "bom" do Psicodrama, é que posso fazer isso utilizando almofadas e deixando em zero a possibilidade de um acidente.
O que eu quero dizer com tudo isso? É que a medida em que você entende o que sente e porque sente determinada coisa, passa a ter ferramentas para lidar com o que está sentindo. Aliás, pra quem não sabe, aprendemos à identificar nossos sentimentos/sensações na infância, quando um adulto ou cuidador nos organiza dizendo "isso que você está sentindo é fome", "isto que você está sentindo é medo", "isso é dor de barriga" e enfim, com o passar do tempo, internalizamos essas consignas e passamos a identificar aquilo que estamos sentindo. No entanto esse processo não é homogêneo, não acontece ao mesmo tempo e do mesmo modo para todo mundo. Há inúmeros adultos hoje que foram crianças que não tiveram cuidados adequados. - E não me venha com essa história de que a culpa é da mãe - Que condições essa mãe tinha para cuidar de uma criança? Que referências ela possuía sobre ser mãe? Que mãe ela teve? Que a mãe a mãe dela teve? - Já falamos sobre culpabilizar o sujeito em postagens anteriores.
Enfim, voltando à questão da identificação dos sentimentos/emoções/sensações. Escrever pode ser uma ótima ferramenta de auto-análise, de autoconhecimento ou seja lá como você queira chamar esse processo. Seja um blog, um diário, ou um bloquinho de anotações aleatório. Tente anotar tudo o que gasta durante uma semana, desde o dinheiro da lotação, o troco do mercado e a parcela da geladeira. E você se dará conta de como está utilizando suas finanças.; Anote suas atividades diárias e veja como está gastando seu tempo; Anote as roupas que utilizou no período de uma semana, um mês, uma estação e perceba quantas roupas você não utiliza mais.
Escrever é uma ferramenta simples, que não precisa de dinheiro, nem de muito tempo, e você não precisa usar a língua rebuscada de Dom Pedro I e muito menos precisa ser o Fernando Pessoa ou a Clarice Lispector. Você pode ser você, escrever do jeito que sabe. Em frases, em tópicos, em mapas conceituais. O importante é a forma que funciona pra você.
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