quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

VII.

Sexto dia do ano.
Ou "antes de diagnosticar a si mesmo com depressão ou baixa auto-estima, primeiro tenha certeza de que você não está, de fato, cercado por idiotas" (Sigmund Freud?)

Hoje eu acordei com um mau humor ainda pior. No entanto, desde que criei o blog tenho feito algumas considerações sobre o que está causando o meu mau humor. Porque uma coisa é eu "ser" uma pessoa mau humorada, outra coisa é estar mau humorada em um determinado lugar, com determinadas pessoas. Isso significa que há algo fora de mim que influencia o meu humor. Esse algo é o contexto. 
É muito fácil colocar a culpa no sujeito quando ignora-se o contexto em que o mesmo está inserido. O aluno que desiste da escola é considerado preguiçoso, sem vontade de estudar. Mas ninguém olha para a escola, para os professores e muito menos para as condições que esse aluno tem ou não para estudar. Você pode estar pensando "Pra estudar, basta querer". Se fosse simples assim, qualquer pessoa poderia estudar, afinal a maioria das pessoas têm capacidade de querer/desejar algo. 
O mesmo acontece com a pessoa que "tem" depressão e "não se ajuda"; Com a pessoa que está desempregada e "não encontra emprego porque não quer, porque vagas tem";  A mulher que está sofrendo violência doméstica, que está "apanhando do marido porque quer, porque gosta".
Olhamos para as situações do cotidiano como se tudo fosse simples e causal, ou seja, o cotidiano em tese funcionaria como causa-efeito. Logo, o aluno tem vontade de estudar, então ele estuda e tira notas boas. A pessoa que "tem" depressão se ajuda e se "cura" da depressão. A pessoa que está desempregada, tem vontade e instantaneamente encontra um emprego. E a mulher que está apanhando, e deseja não mais apanhar e isso acaba.
Parece simples, não? Mas esquece-se que nessa relação há sempre um outro, seja a escola no caso do aluno, seja os fatores que adoecem essa pessoa, seja o mercado de trabalho, seja a exigência de qualificação, seja o marido. 
O outro que geralmente está fora de nós, é incontrolável. O que de certa forma é frustrante. Ao mesmo tempo em que não somos super heróis e não nos bastamos. O ser humano constitui-se em relação com o outro e está o tempo todo estabelecendo relações, seja no trabalho, na família, no lazer, enfim.
O desafio aqui é aprender a relacionar-se de maneira saudável. Compreender as redes relacionais que se estabelecem e entender de que maneira você é afetado por isso. No meu caso, são cinco anos fora de casa. São cinco anos vivendo de uma maneira diferente e num instante, me percebo vivendo no passado, com as velhas regras e modos de conviver. A irritação/mau humor é sintoma. Um aviso de que algo está errado. A questão é, o que eu posso fazer com isso? Veremos nos próximos posts ... rsrs

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