sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

XX.

Vigésimo nono dia do ano.
Ou algumas considerações gastronômicas.

Se você me acompanha no Facebook já deve ter percebido o quanto eu gosto de cozinhar. Se você não me acompanha pelo Facebook, eu posso dizer que sou completamente apaixonada pela gastronomia. 
Minha mãe foi cozinheira durante muitos anos, no entanto, eu nunca tive muito interesse em aprender. Gostava muito de comer aquele restinho de massa de bolo que sobrava na tigela da batedeira e raspar com a colher o que sobrava do creme usado pra fazer torta de bolacha, que nada mais era que um Creme Patissière (ou pode chamar de creme de confeiteiro) ainda sem nome.
Com aproximadamente onze, doze anos fui cozinhar meu primeiro arroz. Coloquei água na panela, um caldo de galinha, tampei a panela e fui fazer outra coisa. Minutos depois minha mãe veio atrás de mim gritando "porque você ainda não colocou o arroz cozinhar??!! Já tá na hora de comer e o arroz não tá pronto!!" Eu tava esperando a água esquentar, ué. Vai entender. Na minha cabeça isso fazia muito sentido. 
Um tempo depois comecei a fazer bolos e gente, que bolos! Não tinha um bolo que eu fazia que ficasse baixo ou seco. O primeiro bolo que aprendi fazer se chama "Bolo de água", é um bolo extremamente simples que pode ser usado como pão-de-ló. É o bolo perfeito pra quando você não tem muitos ingredientes à disposição. (Mais tarde posto a receita, se quiserem).
Depois de um hiato de muitos anos, eu realmente voltei a cozinhar quando fui pra faculdade. Alguém tinha que cozinhar afinal, não dava pra ficar comendo miojo e pão todo dia. Nos primeiros anos era um movimento tímido, uma re-familiarização com alguns ingredientes. Eu não tenho muito afinidade com pratos salgados e isso teve que ser desenvolvido lentamente. Não é por nada que hoje em dia não posso ouvir falar em molho Bechamel (ou se quiser pode chamar de molho branco).
Acredito que o início do processo de aperfeiçoamento foi há mais ou menos dois anos, que foi quando eu comecei a fazer pães. E que pães! Parece que quando você inicia algo começa com mais paixão e aquilo floresce e eu vi isso acontecer com os meus pães. O pão doce e o pão recheado ainda tem admiradores perdidos por aí. 
Foi entre pães e o início das tortas que a "ciência" começou a dar as caras. Entender porque o pão não cresceu, porque ficou pesado ou leve, saber porque a massa da torta encolheu, porque quebrou toda se tornaram fundamentais. E com isso chegaram também os termos técnicos. Era preciso saber a diferença entre uma emulsão e uma redução, saber diferenciar "Pâte choux"(massa de bomba, carolinas, profiteroles e afins) de "pâte sucrée" (massa de torta doce) , de "pâte sablée" (massa de torta doce e salgada), de "pâte brisée" (massa de torta salgada) aprender como se faz e também como não se faz, saber quando se usa uma e não a outra. 
Enfim, cozinha não é bagunça. E a confeitaria exige muita precisão na preparação dos pratos. O leite muito quente cozinha as gemas e faz você perder o creme. Se amassar demais as "pâtes" elas desenvolvem glúten (e isso só é desejável para massas que queremos que cresçam, como a de pães). Se amassar pouco o pão, ele ficará duro e pesado. Se não pré-aquecer o forno, perde-se o "potencial" do fermento. Assar sua massa sem nada de peso em cima pode fazer com que ela encolha e você perdeu o formato da torta. Vai colocar o recheio como?
E assim iniciaram os embates entre a precisão necessária para cozinhar e o meu não-perfeccionismo. Comigo não tem essa história de cortar tudo em quadradinhos idênticos e coisas do gênero. Eu me preocupo mais com o sabor, a harmonia entre os elementos do prato e com a apresentação (não que uns quadradinhos idênticos não favoreçam uma boa apresentação), mas enfim, vocês entenderam. 
Nesse processo todo há diversos desafios, no entanto, é isso que torna tudo prazeroso. Eu adoro pratos que demoram horas para ficarem prontos (lembram-se das 10 horas gastas para fazer o bolo "Chiffon, o magnífico?) Cozinha é arte, é diversão, é ciência, é um conjunto de reações químicas acontecendo bem na sua frente, é magnífico. 
O desafio atual é aperfeiçoar algumas técnicas da confeitaria, desvendar os "mistérios" das preparações com carnes (hello dieta) e conhecer novos sabores. Ao longo da vida "desenvolvi" um paladar simples, pouco temperado, o que dificulta a execução e degustação de alguns pratos com elementos poucos usuais (hello páprica picante).
Inclusive, se você ficou curioso sobre as minhas "produções" gastronômicas, dê uma conferida no meu blog de receitas. Lá você encontra receitas ilustradas passo-a-passo. 
Baú Gastronômico: http://baugastronomicodana.blogspot.com.br/
Espero que gostem e testem as receitas. Se testarem me enviem fotos! Beijos e até a próxima.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

XIX.

Vigésimo sétimo dia do ano.
Ou o dia em que comecei a testar tutoriais de maquiagem do Youtube.

Hello! 
Aqui estou novamente. Depois de uma piadinha infame que foi devidamente ocultada. Bem, eu sei que sumi, mas eu tenho a "desculpa" perfeita, não se chateiem. 
Minha relação com a maquiagem mudou definitivamente no dia em que eu comprei uma base. Até então eu costumava usar muuuuuito rímel, olhos pretos e batom vermelho. Feita a maquiagem. Não preciso de muito para parecer trevosa, consigo isso até sem maquiagem. E não sei se notaram, eu estou com o cabelo preto novamente e percebi que isso faz muita diferença na minha aparência. Inclusive estou com a impressão de que meus olhos estão maiores, seria isso possível? Se você souber, comenta aí!
Bem, voltando à base que eu comprei. Fui num negócio que eu não sei como chamar, um bazar de cosméticos? Enfim, uma loja que tem muuuitos tipos de maquiagens, perfumes, pincéis e pessoas especializadas nisso pra lhe atender. Disse pra uma moça maravilhosa que eu queria uma base, ela me perguntou algo sobre cobertura (oi? de bolo?) e eu disse que tanto fazia. Acabou trazendo a base da promoção (amo!) para testar. Passou dois tons diferentes na minha cara, metade de cada lado e comparamos o resultado. Pasmem, mas ela usou uma gota minúscula e uniformizou o tom no rosto todo! Gente, eu botei fé no negócio. Saí da loja me sentindo uma super modelo. 
A base que eu comprei custou 29,90 se não me engano, e é da linha BB Cream da Avon. Tem dez benefícios em um e olha, eu fiquei muito surpresa. Depois que uso a base a minha pele fica muito macia e quando estou usando a base ela fica imperceptível na pele, fico até parecendo saudável. 
Depois que a mulher arrancou todo o couro que eu tenho nos dedos, fiquei com medo de ir fazer a maquiagem para a minha formatura lá (não quero sair de lá parecendo o Bozo) e aí fui aprender os truques. E gente, novamente, é mais fácil do que parece. Você consegue resultados maravilhosos com aquele batom e aquela sombra que custam 1,99. Eu juro! Nas próximas postagens vou ensinar umas coisinhas mágicas pra vocês, aguardem.
Voltando... a partir dos vídeos e das dicas que fui aprendendo, resolvi testar. Então toda tarde eu sento na frente do espelho e testo as técnicas. Como eu só tenho base e pó, não posso fazer o contorno (por enquanto) mas obtenho um resultado bem bom. 
Eu nunca imaginei que esfumar o côncavo com uma sombra marrom fizesse tanta diferença na vida. E esse é basicamente o segredo de uma boa aplicação de sombra, esfumar as cores para que elas pareçam unidas. O marrom no côncavo é responsável por dar profundidade ao olhar, a sombra branca ou o iluminador bem rente à sombrancelha ( e bem esfumado) fazem muita diferença. Um tom de marrom, dois níveis de esfumado, rímel e lápis de olho e pronto, você tem a maquiagem perfeita pra o dia. O negócio é adquirir a habilidade de usar os pincés e esfumar. Eu percebi que depois de uns dias, o pulso está ficando mais firme e preciso. 
Vejam nas imagens, como o esfumado marrom e o "depósito" de sombras faz diferença. Em breve explico melhor pra vocês esses termos:
Na imagem acima, a base foi aplicada em todo o rosto. No fundo há a aplicação da sombra marrom no côncavo. (Conseguem ver?) Em cima do marrom, apliquei uma sombra azul (que na foto parece preto) esfumando bastante no canto, sem cobrir o marrom totalmente. Para iluminar o olho e dar um aspecto "aberto" optei por um cinza com brilho e fui depositando com o pincel e depois esfumei de leve pra criar a unidade entre as sombras. (Consegue perceber como o branco vai se unindo com o azul/preto ao longo da pálpebra?)

Aqui dá pra visualizar o resultado final. (Se você clicar na imagem, ela fica maior) O lápis não ficou perfeito porque a ponta quebrou várias vezes durante o procedimento. Mas em tese, é isso. 
Amanhã eu conto pra vocês uma super dica para deixar aquela sombra de 1,99 super pigmentada. Até!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

XVIII.

Vigésimo quinto dia do ano.
Ou refletindo sobre "a boa vizinhança".

Hello people! 
Eu ando escrevendo pouco, eu sei. A verdade é que tenho refletido bastante e então demoro pra escrever. O assunto de hoje é um assunto que vem me incomodando desde que cheguei de férias (nesse contexto).
A verdade é que eu odeio vizinhos. Viver em um terreno com quatro casas é algo infernal. Os vizinhos sabem quando você sai, quando você entra, se tem gente em casa, se não tem, se você recebeu visitas, que roupa você estava usando quando saiu e enfim. Não sou obrigada. Eu não sei quem são meus vizinhos, não quero saber a hora que eles saem e muito menos a hora que eles voltam e é por isso que a porta da frente está sempre fechada. Porque se não bastasse, a janela da casa da frente está alinhada com a minha porta. Não me candidatei pro Big Brother pras pessoas ficarem sabendo o que se passa na minha casa, obrigada.
Mas, voltando ao assunto da boa vizinhança, aqui onde estou passando férias, a cidade é praticamente uma "boa vizinhança". A impressão que eu tenho é que a vida de todos os moradores da cidade é pública, em instantes todos sabem que fulano escorreu na estrada, que teve um filho e pasmem, sabem até que a pessoa está grávida antes mesmo da concepção! 
Como eu não tenho nada pra fazer, realizei um pequeno "mapeamento das relações" do bairro onde estou. Acredito que as moradores ficariam chocados (ou não) quando visualizassem o mapa. Analisei (superficialmente) aproximadamente 17 casas e suas relações com os demais vizinhos e fiquei surpresa com a quantidade de recusas que encontrei. 
Entre as "casas" que se escolhem mutuamente é possível observar atitudes de "boa vizinhança", as pessoas se visitam, trocam mercadorias frequentemente. Acho muito bacana essa coisa de "ai tenho umas bananas sobrando aí, vou levar pra vizinha porque ela gosta"; "a vizinha gosta de ovos e eu tenho um monte de galinhas, vou levar uma dúzia pra ela"; "comprei uma máquina de fazer pão, vou distribuir uns pães pros vizinhos experimentarem". Entre outras coisas que acontecem, eu acho isso bonito demais e percebo que é escasso no contexto analisado.
Entre as casas que visivelmente se "rejeitam" mas são "obrigados" à manter relações a coisa muda. Essas relações me dá até preguiça de começar a falar, porque todo santo dia uma nova história começa a circular. Percebo que quando há recusa, qualquer mínimo acontecimento é motivo para gerar discussões, intrigas e fofocas. E bem, como tudo é de todos, as pessoas que não conhecem o contexto, repassam essa história e aí você já viu. É muito louco estar no meio dessas relações e ver como elas se estabelecem e desenvolvem. Em uma semana as cinco histórias que foram criadas diariamente se entrelaçaram e viraram um nó em que não se encontra o início e muito menos o fim. Haja disposição pra viver em um lugar que está constantemente em clima de guerra! E fico aqui pensando: o que seria possível fazer para amenizar esse clima e melhorar a qualidade das relações? 
A solução seria talvez medir relações antes de montarem os bairros? Construir bairros à partir da afinidade das pessoas? Mas isso de certa forma geraria algum tipo de exclusão, ou muitos tipos de exclusão... 
Ainda bem que eu vou pra casa na semana que vem, pra resolver o meu problema basta fechar a porta e voilá, "vizinhos? o que é isso? quem são? e onde vivem?" Não verei, porque não tenho televisão! hahaa

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

XVII.

Vigésimo segundo do dia.
Ou quando a lua cheia se aproxima ...

Há tempos queria escrever um post sobre sexo e sexualidade. O receio surgia devido ao fato de que não sei quem são as pessoas que estão acompanhando as postagens. A questão é que estou passando férias na cidade em que a maioria dos meus parentes moram e qualquer fofoca que surge ao meu respeito gera uma dor de cabeça do cão. 
Quando eu era virgem ainda surgiu o boato de que eu estava me prostituindo e o pior é que todo mundo acreditou! (Oh céus!) Depois surgiu o boato de que eu "tinha virado" lésbica. (Vem me dar uns pega e descubra) E o último que eu me lembro é de que eu estava fazendo/aprendendo bruxaria na faculdade e todos se perguntavam como eu ia tratar os meus pacientes. (Eu mereço!) 
Enfim, se você for uma dessas pessoas que fica espalhando esses boatos idiotas sobre mim, faça a gentileza de se retirar. Eu não sou obrigada a ficar me estressando só porque você tem uma vida desinteressante e precisa ficar mexericando sobre a minha. Obrigada. Volte pras ruínas de onde você saiu! 
Eu estava aqui na sala fazendo meu show diário e quando estava performando "Breathe on me" da Britney comecei a refletir sobre a relação das pessoas com o corpo e a com a própria sexualidade. Enquanto dançava e cantava sentia minha respiração, a vibração das cordas vocais, a dor na coluna, sede, o calor das mãos percorrendo o corpo, afinal de contas, eu tenho um corpo. 
Por diversas vezes ouvi o povo do "rock" se vangloriar porque as "mina" eram de respeito. Ao contrário das "mina" do pop que ficam exibindo o corpo por aí. Eu me pergunto: De que adianta ter o corpo coberto por uma camiseta de banda e ter um corpo queimando abaixo dela? 
Enquanto negamos nosso próprio corpo e nossa sexualidade, contribuímos para a repressão sexual e a manutenção do tabu. Me entristece e me revolta saber que aproximadamente 40% das mulheres brasileiras nunca tenham chegado ao orgasmo. Mulheres que chegam aos sessenta, setenta anos de idade sem saber onde fica o clitóris! Enquanto os meninos são pegos se masturbando no banheiro da escola.
O que tem de tão perigoso no corpo? O pecado? E se você acreditar que o corpo é um templo sagrado? E que ele é instrumento de conexão com os deuses? Você vai continuar a negá-lo?
Masturbação não faz crescer pelos nas mãos e faz um bem danado à saúde. Tem medo de se masturbar? Comece com um espelho entre as pernas, veja o paraíso que você tem aí. Tome um banho relaxante, coloque uma música que lhe agrade e se acaricie, sinta seu corpo. Converse com aquela sua amiga que é desencanada sobre as suas dúvidas (fuja das que vão mandar você pra igreja). Procure um profissional que possa ajudá-la com eventuais bloqueios. Não tenha medo do que você é! E muito menos tenha medo do corpo que você tem! Permita-se, faça amor consigo mesma! Você é rainha de si mesma e merece sentir todo o prazer que puder proporcionar. 
Inclusive, pessoas que estão sexualmente felizes não tem tempo pra ficar inventando coisas da vida dos outros.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

XVI.

Vigésimo segundo dia do ano.
Ou relatos de um aniversário do ~cão ~.

Salve galerinha, o mau humor continua por aqui. Não se enganem. 
No dia do meu aniversário (terça, 19) eu estava surtada. Vocês devem ter percebido no último post, não? Eu estava realmente surtada, porque os Anciãos haviam contado pra meio mundo que era meu aniversário e eu queria ficar sozinha. Na verdade, não sei se eu queria realmente ficar sozinha, mas eu estava cansada.
Minha fada madrinha me chamou na casa dela para me dar alguns presentes. Me deu um vestido lindo, mas que não serviu por causa dos meus pequenos ~pechos ~. Fomos até a loja escolher um outro e lá fui eu, prova um, prova dois, prova três e os pechos não deixavam nada ficar bom. Até que um lindo vestido, estilo ~senhorinha~ serviu. Não adianta, certas coisas me perseguem. O vestido é lindo, com detalhes em amarelo. Minha fada madrinha queria me dar meio mundo de presentes, e eu realmente estava achando aquilo desnecessário. Tipo, é só o meu aniversário. Ela insistiu para que eu aceitasse "um dia de princesa" no salão. Incluindo, manicure e pedicure e tirar a barba com cera (trauma!). Recusei, mas ela disse que estava fazendo aquilo de bom coração e não quis magoá-la. Lá fui eu, afinal fazer as unhas é algo "inofensível" ...
Gente, arrepiei até a alma só de ver aquela cera quente aguardando por mim. (Contarei essa história em outro post). Respirei fundo e agradeci à mim mentalmente por ter feito a barba no dia anterior. E sim, é com a gilete. Não me encha o saco, eu faço a barba com o que eu quiser, não me interessa se vai crescer mais, mais grosso, mais não sei o que. A barba tá aí e é isso aí. Gilete não dói e não dá alergia. Cera sim. 
Bem, voltando ao aniversário, marquei a manicure/pedicure pra hoje e SENHOR AMADO, estou morrendo! Minhas unhas estão lindas, isso é inegável, porque as minhas unhas são lindas e eu amo elas. E sim, a manicure insistiu pra cortar um pedaço delas. É sempre assim (quem vê pensa que vou no salão toda semana). Vou à cada morte de papa e  não gosto de ninguém mexendo e muito menos opinando sobre as minhas unhas. 
Gentem, ganhei de presente, na verdade, umas horas de tortura. "Você tem a cutícula sensível" disse ela, ao arrancar metade do couro das 20 unhas. Passava o algodão com a acetona em cima e eu estava morrendo por dentro. Passava o esmalte, queimava mais um pouco. G-zus, achei que ia morrer. Mas claro, eram minhas cutículas sensíveis que estavam sangrando... Resultado: estou com as unhas lindas, maravilhas e com os dedos inchados. Fui tentar fazer nhoque hoje à noite e não teve como amassar nada. Happy Bday pra mim.
Tenho que avisar que meu humor está ótimo. Uma fada do Norte veio me visitar e me levou junto com ela para a terra das fadas. E magicamente meu humor passou. Estive lá um dia, cercada de natureza e silêncio, pessoas maravilhosas, almoços e jantares e salas de televisão com a família reunida. Foi um sonho. Cinco minutos que estava em casa, já havia soltado umas ~maldições~. É, certa coisas não mudam. Mas ter uma fada na sua vida faz toda a diferença;
Eu agradeço de coração as felicitações que recebi. Agradeço às pessoas que suportam meu mau humor diariamente e que gostam de mim mesmo assim. Eu não sei exatamente o que mudou, mas eu estou me sentindo em paz. Uma paz que eu achei que não fosse mais possível sentir. Então, só me resta agradecer à tudo e à todos que contribuíram pra que isso fosse possível. Eu realmente percebi que eu tenho muitos presentes na minha vida e isso é tudo o que preciso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

XV.

Décimo oitavo dia do ano.
Ou a véspera do meu aniversário.

Olha, eu tenho uma sorte do cão. Pelo amor de Deus. 
Amanhã é o meu aniversário e eu estava completamente feliz porque ninguém da vida real sabia disso. Sim, ninguém sabia. E eu iria aproveitá-lo completamente sozinha. Agora essas maldições dessas pessoas sabem. 
Hoje cedo decretei aqui em casa que amanhã eu queria um churrasco, com direito à maionese e tudo. E inclusive estava preparando uma festa surpresa pra mim mesma. Sim, é isso mesmo que você leu. Uma festa surpresa com direito à bolo e muitos docinhos.
No entanto, agora que essas maldições dessas pessoas sabem. Afinal, os anciões não sabem quando devem calar. Eu odeio pessoa que não sabe quando calar a boca. Mas que inferno! O meu aniversário só diz respeito à mim e ninguém mais.
Amanhã que era pra ser um dia de paz. Sim, eu planejava estar em paz amanhã. Vai ser mais um dia maldito. Com gente vindo aqui em casa me desejar feliz aniversário. Eu quero deixar bem claro que eu não preciso desses parabéns forçados. Se você não gosta de mim no restante do ano, não precisa gostar de mim no meu aniversário. E não precisa fingir, eu não me importo. Eu sinceramente prefiro que você não venha.
Amanhã é o MEU aniversário! E eu queria ter o direito de passar ele sozinha. Mas que maldição! Esqueçam que eu existo!
Amanhã é meu aniversário, repito. E eu vou ter menos paciência ainda pra quem tá começando. E não tô afim de me fingir de simpática, porque eu simplesmente não sou. Vão catar coquinho no Alasca e me deixem em paz. 
Maldição, mil vezes maldição. É nessas horas que eu gostaria de morar no meio do mato, ou naqueles lugares distantes onde o vizinho mais próximo fica a centenas de quilômetros. Inferno. Meu humor que estava bom - pela primeira vez em dias - acabou de azedar.

domingo, 17 de janeiro de 2016

XIV.

Décimo sétimo dia do ano.
Ou a segunda parte da viagem infernal.

Como disse anteriormente, no segundo dia, acordei com um humor terrível mas com a esperança que o dia seria tranquilo, afinal o Urso Negro só retornaria à noite. 
Eu estava guardando a louça do café da manhã quando a criatura entra pela porta. Meu sangue ferveu. Vou esclarecer aqui que eu gosto muito do Urso Negro, mas eu não gosto de conversar sobre assuntos que não me interessam. E detalhe: ele estava bêbado. E segundo detalhe: FALAVA SOBRE A MESMA COISA DE DOIS EM DOIS MINUTOS. 
Teve um momento que não aguentei mais e fingi que fui dormir. Fiquei lá estirada até a hora do almoço. Comi em silêncio porque meu sangue ainda estava quente. E depois do almoço comecei a preparar as coisas para fazer a massa da torta para a janta.
Cortei a manteiga, coloquei a farinha no freezer, esperei gelar bem e em instantes a massa estava pronta. Levei a geladeira pois teria de descansar por três horas. Enquanto isso a Grande Mãe preparou o recheio para a torta. Sem dúvida é o melhor molho de frango que eu já comi e o pior é que eu não consigo fazer igual.
Nesse intervalo, fomos à um bar não sei exatamente fazer o quê. O bar ficava lá no fim do mundo. E lá vamos nós, sobe morro no meio do mato, anda e anda e anda e anda e anda e nada de avistar um mínimo sinal de civilização. Depois de um bom tempo chegamos no Bar e mini mercado.
O Urso Negro insistiu que eu pegasse um picolé, no final aceitei. Acabamos tomando um litrão de cerveja. Eu não duvido que o Urso Negro goste de mim, repito. Mas o meu mau humor não permite tanta aproximação assim. Quanto mais se aproxima, mais me irrito e demoro muito tempo pra me acalmar. Depois que bebemos era hora de voltar para casa, eu estava tão irritada que quando percebia estava andando à muitos metros à frente deles, o sol escaldante me deixava ainda mais humorada. 
Chegamos em casa, abri a massa e coloquei para assar. Enquanto isso a Grande Mãe e o Urso Negro improvisavam um fogão lá fora para cozinhar feijão, mondongo/bucho/dobradinha ou sei lá como se chama e esquentar a água do chimarrão. 
Me escondi até a torta estar pronta. Meu hobbie favorito é fingir que estou dormindo, afinal dormir de verdade é uma missão praticamente impossível. Jantamos e eles foram dormir. Eu como de costume fiquei morceguiando até tarde. Mas o pior ainda estava por vir ...

sábado, 16 de janeiro de 2016

XIII.

Décimo sexto dia do ano.
Ou relatos de uma viagem infernal.

Hello, queridos. Estou de volta com meu mau humor.
Foram quatro dias de viagem e eu não sei como sobrevivi. Fui novamente para as terras do Oeste. Precisava levar uma encomenda para a Grande Mãe. E lá fui eu, aguentar três horas de ônibus. Santa 3g. 
Quando cheguei na rodoviária a Grande Mãe estava lá me esperando. Seguimos até o mercado fazer as compras para os quatro dias de coisas que eu queria cozinhar. 
Até aí tudo bem, tudo tranquilo e tudo lindo. Eu amo mercados, não sei se já contei isso pra vocês. Fico louca na sessão de vinhos, de frutas exóticas e qualquer produto que me chame a atenção. Meu sonho é trabalhar em um, apesar de ouvir centenas de relatos de que é um inferno. Considero um ótimo estimulante mental.
Aí chegou a hora ruim. Lá fora estava fazendo trinta e cinco graus e estávamos com várias sacolas e melhor detalhe é que a Grande Mãe mora lá onde Judas perdeu as meias, porque as botas ele já tinha perdido mais cedo. Lá vamos nós, subindo o morro e parando a cada sombra. Senhor tende piedade! 
Gosto da arquitetura da cidade, em especial as estátuas que estão espalhadas nos jardins dos casarões. São leões, anjos, senhoras com jarros, uma lindeza. Nossa senhora, esse morro não acaba mais. Tivemos que parar numa sombra porque a Grande Mãe estava passando mal. No final das contas tivemos que pedir socorro pra um parente e fomos de carro para casa.
Finalmente em casa. Localizada no meio do mato, quase no fim do mundo. Pelo menos a 3g funcionava lá, santo Instagram! Porém tudo estava muito bom para ser verdade. 
Ao abrir a casa tivemos uma surpresa: o Urso Negro já estava em casa. Em tese ele deveria estar trabalhando. Esse era o começo de uma looonga semana, mal sabia eu. 
Fiz cachorro quente de janta e depois tive que arrumar minha cama no mesmo quarto que a Grande Mãe por que só havia um ventilador no recinto e um bilhão de mosquitos e morcegos. Primeira noite: não sei se dormi duas horas. Levantei durante a noite e fiquei escrevendo até quase três horas da manhã. No outro dia acordei com um humor terrível mas o dia tinha tudo para ser tranquilo, porque eu ficaria o dia todo sozinha com a Grande Mãe e o Urso Negro só retornaria a noite. 
[ Continua na próxima postagem];

XII.

Décimo sexto dia do ano.
Ou o assombro cotidiano.

Logo contarei sobre a minha viagem de férias, motivo pelo qual sumi aqui do blog.
Bem, não é novidade que a vida tem me causado assombro diariamente. Parece que nestes últimos cinco anos eu estive num outro mundo e agora retornei em um lugar que não sei bem qual é.
Hoje uma criança de uns sete anos que mora aqui perto sofreu um acidente de bicicleta. Uma bola bateu no pneu dianteiro da bicicleta e a criança acabou por desequilibrar-se. O resultado: cara esfolada, braço sangrando e uma unha do dedo do pé arrancada. 
Vieram nos chamar, quando cheguei lá a criança estava chorando muito e várias pessoas estavam em volta dela falando mil coisas, "não chore vai assustar sua mãe", "quem mandou andar de bicicleta?", "se ficasse em casa na acontecia" e enfim, milhões de lições de moral começaram a envolver a criança.
Por um instante tive a sensação de que a criança machucada havia virado fundo e o que se mostrava ali eram uma porção de adultos fazendo reclamações e recomendações. Minutos depois haviam chegado mais umas dez pessoas que também desataram a falar. Haviam também uma porção de crianças assustadas com o ocorrido.
Ninguém acalmou a criança, ninguém verificou os machucados. Ninguém chamou a mãe logo após o acidente. Eu não conseguia me aproximar da criança porque as "autoridades" estavam mantendo tudo sobre controle. 
A criança continuou assustada e chorando copiosamente, reclamando da dor. Seu rosto estava visivelmente machucado e sangrando. Quando a mãe chegou, começou a gritar com a criança. Culpabilizou-a pelo acidente, disse que deveria cair todas as vezes que subisse na bicicleta e enfim. No final, a criança continuou sangrando, chorando e com dor. E foi pra casa como se nada tivesse acontecido. 
Eu imagino que cenas como estas sejam mais comuns do que eu estou pensando e que este meu assombro seja resultado do pouco convívio com crianças. No entanto, como ficam as crianças nessas situações? Quem é que olha pra elas como sujeitos que precisam de cuidados? E os cuidados vão para muito além dos cuidados físicos, como limpar os machucados e fazer curativos. Os cuidados passam por saber onde a criança está brincando, ter equipamento de segurança, saber se tem algum adulto supervisionando as brincadeiras de vez em quando. Aonde estavam aquela penca de adultos enquanto as crianças estavam brincando? Porque só aparecerem para dar sua opinião sobre a "desgraça" que aconteceu. 
E o pior é quando você tem apenas vinte e um anos e as pessoas sequer te consideram como uma pessoa que pode auxiliar. Quem sabe das coisas são os "adultos, mais velhos". Eu não duvido do seu saber e da sua experiência, no entanto, há coisas que precisam receber novos olhares. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

XI.

Décima dia do ano.
Ou "a bruma leve das paixões que vêm de dentro" ou "faltam nove dias para o meu aniversário".

O mau humor cessou por uns instantes. Eu estou tomando café e ouvindo Kid Abelha e vendo fotos no Instagram. Tudo começou com uma matéria sobre manteiga caseira que remeteu à uma hashtag #amocaseirices. 
Não sei se vocês sabem, mas eu sou completamente apaixonada pela fotografia. Passar horas observando fotos no Instagram é um prazer enorme. Sou apaixonada pelas cores, pelas composições das fotos. Os padrões de cores e formas e enfim, a fotografia é um mundo de possibilidades. 
Amo fotografar também, mas as vezes é difícil encontrar "modelos". Eu adoro ser minha própria modelo. A minha câmera é praticamente a extensão dos meus olhos, e me olha como no poema de Moreno "E tu arrancara os meus olhos e os colocara no lugar dos teus. Então, eu te olharei com teus olhos e tu me olharas com os meus". 
Pra não perder o costume, auto-retratos podem ser uma ferramenta terapêutica. Sempre que sinto que algo mudou e se consolidou em mim, eu faço um ensaio. Seja quando retoco o cabelo, quando uma pinta nova surgiu na cara ou quando meus olhos parecem mais brilhantes. Lá vou eu com a minha coroa de flores e o meu vestido de cetim. Porque dentro de mim eu sou rainha e o reino que governo é o meu reino interior.
Algo me chamou atenção hoje enquanto navegava no Instagram, vi pessoas vivendo - aparentemente- de uma maneira muito leve. Coisas simples, sabe? Uma flor num vasinho feito de um vidro de leite de coco vazio. Um prato verde florido. Um encontro. Um sorriso. Um violão e amigos. E coisas assim ...
Eu olho tudo isso e penso: é possível realmente viver uma vida leve? Não que vida leve seja sinônimo de vida sem tristezas. Mas eu penso: O que deixa uma vida leve? O que é afinal, levar uma vida leve?
Eu não sei ... talvez o meu mau humor me deixe cada dia mais distante dessa vida leve. Mas vou confessar pra você, só pra não ficar achando que eu sou um monstro de pedra: hoje eu senti um amorzinho. Até disse para um amigo que ele é um "querido" e me senti feliz.  Acredito que a distância às vezes torna os sentimentos mais genuínos e torna os momentos juntos mais intensos. Quem sabe ... eu não sei ... talvez esse seja o verdadeiro segredo ...

sábado, 9 de janeiro de 2016

X.

Nono dia do ano.
Ou a lenda do sagu das trevas.

Imagine cinco litros de vinho fervendo em uma panela com um punhado de cravo e outro punhado de canela. Até aqui ele poderia ser um quentão perfeito. Se não fosse o fato de que estamos em pleno verão e parece que esqueceram de fechar a porta do inferno. Digo isso não só pelo calor mas também pelas criaturas que tem aparecido por aqui ultimamente.
Bem, voltando ao vinho. Pessoalmente o vinho de garrafão não agrada meu paladar, parece aguado. Eu gosto de vinho com corpo [isso pode ser entendido de diversas maneiras]. O meus vinhos favoritos são:  o vinho argentino Ampakama Torrontes 2011, esse vinho é uma verdadeira obra de arte engarrafada! É o único vinho branco da lista e eu fiquei completamente apaixonada pelas notas florais do fundo. Acompanhado de uma quiche então, é uma maravilha. Eu ainda preciso experimentar as outras versões do Ampakama, incluindo os tintos. Meu segundo vinho favorito é brasileiro, Miolo ano 2011. Eu acho que 2011 foi um ano de glória para a produção de vinhos, só provei vinhos maravilhosos dessa safra. Não sei nem o que dizer desse, apenas quero outra garrafa de presente. 
No entanto, eu não tenho dinheiro para comprar esses vinhos maravilhosos toda a semana. Então me contento com um Chalise tinto [ jamais compre o rosé, a menos que queira fazer um porre logo na primeira taça]. É um vinho encorpado, suave, fácil de beber, casa bem com comidas salgadas e também com sobremesas. E custa menos de 10 reais [ saudades de quando custava 6 reais]. Mas eu acredito mesmo que o que torna vinho especial é o ritual. Tirar a rolha, servir na taça, sentir o aroma e provar. Só de descrever isso tive um orgasmo. [Alô Argentina, vou morar aí em breve, guarde muitos Torrontes 2011, please] 
Voltando ao vinho de garrafão, foram cinco litros de vinho e quase meio quilo de sagu. Queimou o fundo da panela, tive que trocar de panela, mal dava pra mexer, acharam pouco açucarado [hello, é sagu de vinho e não de açúcar] o caldo enxugou e enfim, os castores como de costume só sabem reclamar. Fazer, no entanto, não sabem. Há dez dias estamos tendo um "Festival Culinário" aqui. Eu levo horas fazendo um bolo e em menos de meia hora não existia mais bolo. Eu faço pudim, o coitado nem termina de esfriar e não tem mais nem sinal de pudim. Eu faço sagu, a mesma coisa. Cozinhar é bom, relaxa, é um ritual. Mas no final de dez dias, haja ritual que aguente e ovos! Aceito doações! Eu tenho até medo de contabilizar quantos ovos gastei até hoje, mas enfim, no final tudo vira trevas. 
Os castores tem sorte, eu não costumo ser vingativa. Porque se eu fosse, o sagu das trevas se tornaria um remedinho pra eles. Em especial para a castora. Imagina que linda ela ficaria com uma calda de cinco litros de vinho fervendo em cima dela. Tratamento estético, gata. Pra ver se melhora essa cara de cu! 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

IX.

Oitavo dia do ano.
Ou "Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações, nas horas tristes e nos momentos de prazer, amigos para sempre". 

Nos últimos dias tenho pensado sobre os meus amigos. Se não me falha a memória, meu primeiro amigo foi meu primo. Depois na pré-escola conheci várias pessoas que são meus amigos até hoje, mesmo que não tenhamos tanto contato como antes. Alguns amigos que conheci na pré-escola me acompanharam até o final do Ensino Médio. 
Olhando minha história com meus amigos é inevitável perceber a relação entre a duração das amizades com o início e fim de ciclos. A maioria dos meus amigos da pré-escola ficaram na pré-escola, se tornaram colegas que não lembro o nome. O mesmo aconteceu com meus amigos do Ensino Fundamental, no entanto, eu nunca poderei esquecer da minha amiga Letícia. Nós nos conhecemos na segunda-série, eu adorava ela até que um dia ela foi embora. Durante muitos anos procurei por ela, mas nunca descobri qual era seu verdadeiro sobrenome. Independente do que aconteceu, eu ainda lembro daquele sorriso sem dentes.
No Ensino Médio fiz muitos amigos e esses foram os primeiros que ultrapassaram os muros da escola. Quantas histórias eu tenho pra contar! E apesar de encontrar um ou outro rapidinho, tudo ainda está muito vivo dentro de mim. Sinto saudades! 
E agora recentemente ao final da graduação revivi todas as vezes em que as amizades se foram junto com os ciclos. Então eu me pergunto o que é necessário para que as amizades sobrevivam aos fins. Entendo, que muitas vezes essas amizades foram motivadas por fatores que tínhamos em comum (a vida escolar, a vida acadêmica), mas me pergunto, se os laços formados eram tão frágeis que não suportaram uma mudança sequer. 
Não sei ao certo como concluir estas ideias expostas aqui, quem sabe sejam apenas questionamentos buscando respostas. Estamos apenas no oitavo dia de um novo ano, no entanto, coisas do ano anterior estão se finalizando e outras ainda precisam de finalização. E também novas coisas estão se iniciando e com isso novos amigos. Eu apenas gostaria que para ter novos amigos eu não precisasse abrir mão dos amigos antigos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

VIII.

Sétimo dia do ano.
Ou a escrita como ferramenta de auto-análise.

Tenho que confessar para vocês que meu mau humor têm diminuído à medida que escrevo sobre ele aqui no blog. O ato de escrever reserva em si uma característica terapêutica à medida em que penso e reflito acerca do que está sendo escrito. [Menos na postagem que tive que ocultar rs]
No primeiro dia de existência do blog eu era apenas mau humor e tédio, no segundo dia também, no terceiro nem se fala, mas em algum momento passei à refletir acerca do que estava sentindo. Na verdade estava refletindo desde o primeiro post, porque eu precisei saber o que estava sentindo para então poder denominá-los "mau humor e tédio". 
Depois de entender o que eu estava sentindo, passei a refletir sobre o que estava despertando em mim tais sentimentos. E quando compreendi as "origens" dos meus sentimentos, pude então modificar meus sentimentos em relação as causas. Hoje meu mau humor e tédio diminuíram consideravelmente em determinadas situações. Bem, pelo menos, não atirei nada em ninguém hoje. 
Sim, eu costumo atirar tudo o que eu tiver à mão quando eu estou irritada. Meu sonho é comprar muitos copos e arremessá-los contra uma parede. O "bom" do Psicodrama, é que posso fazer isso utilizando almofadas e deixando em zero a possibilidade de um acidente.  
O que eu quero dizer com tudo isso? É que a medida em que você entende o que sente e porque sente determinada coisa, passa a ter ferramentas para lidar com o que está sentindo. Aliás, pra quem não sabe, aprendemos à identificar nossos sentimentos/sensações na infância, quando um adulto ou cuidador nos organiza dizendo "isso que você está sentindo é fome", "isto que você está sentindo é medo", "isso é dor de barriga" e enfim, com o passar do tempo, internalizamos essas consignas e passamos a identificar aquilo que estamos sentindo. No entanto esse processo não é homogêneo, não acontece ao mesmo tempo e do mesmo modo para todo mundo. Há inúmeros adultos hoje que foram crianças que não tiveram cuidados adequados. - E não me venha com essa história de que a culpa é da mãe - Que condições essa mãe tinha para cuidar de uma criança? Que referências ela possuía sobre ser mãe? Que mãe ela teve? Que a mãe a mãe dela teve?  - Já falamos sobre culpabilizar o sujeito em postagens anteriores. 
Enfim, voltando à questão da identificação dos sentimentos/emoções/sensações. Escrever pode ser uma ótima ferramenta de auto-análise, de autoconhecimento ou seja lá como você queira chamar esse processo. Seja um blog, um diário, ou um bloquinho de anotações aleatório. Tente anotar tudo o que gasta durante uma semana, desde o dinheiro da lotação, o troco do mercado e a parcela da geladeira. E você se dará conta de como está utilizando suas finanças.; Anote suas atividades diárias e veja como está gastando seu tempo; Anote as roupas que utilizou no período de uma semana, um mês, uma estação e perceba quantas roupas você não utiliza mais. 
Escrever é uma ferramenta simples, que não precisa de dinheiro, nem de muito tempo, e você não precisa usar a língua rebuscada de Dom Pedro I e muito menos precisa ser o Fernando Pessoa ou a Clarice Lispector. Você pode ser você, escrever do jeito que sabe. Em frases, em tópicos, em mapas conceituais. O importante é a forma que funciona pra você. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

VII.

Sexto dia do ano.
Ou "antes de diagnosticar a si mesmo com depressão ou baixa auto-estima, primeiro tenha certeza de que você não está, de fato, cercado por idiotas" (Sigmund Freud?)

Hoje eu acordei com um mau humor ainda pior. No entanto, desde que criei o blog tenho feito algumas considerações sobre o que está causando o meu mau humor. Porque uma coisa é eu "ser" uma pessoa mau humorada, outra coisa é estar mau humorada em um determinado lugar, com determinadas pessoas. Isso significa que há algo fora de mim que influencia o meu humor. Esse algo é o contexto. 
É muito fácil colocar a culpa no sujeito quando ignora-se o contexto em que o mesmo está inserido. O aluno que desiste da escola é considerado preguiçoso, sem vontade de estudar. Mas ninguém olha para a escola, para os professores e muito menos para as condições que esse aluno tem ou não para estudar. Você pode estar pensando "Pra estudar, basta querer". Se fosse simples assim, qualquer pessoa poderia estudar, afinal a maioria das pessoas têm capacidade de querer/desejar algo. 
O mesmo acontece com a pessoa que "tem" depressão e "não se ajuda"; Com a pessoa que está desempregada e "não encontra emprego porque não quer, porque vagas tem";  A mulher que está sofrendo violência doméstica, que está "apanhando do marido porque quer, porque gosta".
Olhamos para as situações do cotidiano como se tudo fosse simples e causal, ou seja, o cotidiano em tese funcionaria como causa-efeito. Logo, o aluno tem vontade de estudar, então ele estuda e tira notas boas. A pessoa que "tem" depressão se ajuda e se "cura" da depressão. A pessoa que está desempregada, tem vontade e instantaneamente encontra um emprego. E a mulher que está apanhando, e deseja não mais apanhar e isso acaba.
Parece simples, não? Mas esquece-se que nessa relação há sempre um outro, seja a escola no caso do aluno, seja os fatores que adoecem essa pessoa, seja o mercado de trabalho, seja a exigência de qualificação, seja o marido. 
O outro que geralmente está fora de nós, é incontrolável. O que de certa forma é frustrante. Ao mesmo tempo em que não somos super heróis e não nos bastamos. O ser humano constitui-se em relação com o outro e está o tempo todo estabelecendo relações, seja no trabalho, na família, no lazer, enfim.
O desafio aqui é aprender a relacionar-se de maneira saudável. Compreender as redes relacionais que se estabelecem e entender de que maneira você é afetado por isso. No meu caso, são cinco anos fora de casa. São cinco anos vivendo de uma maneira diferente e num instante, me percebo vivendo no passado, com as velhas regras e modos de conviver. A irritação/mau humor é sintoma. Um aviso de que algo está errado. A questão é, o que eu posso fazer com isso? Veremos nos próximos posts ... rsrs

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

VI.

Quinto dia do ano.
Ou não escreva textos quando estiver à beira de um colapso. Ou escreva, mas não publique.

O texto anterior foi ocultado por motivos de: não sei exatamente, mas vamos evitar a exposição excessiva do cotidiano. Se você acompanhou as últimas postagens já sabe que eu sou extremamente mal humorada e que isso piora quando estou irritada. E eu posso ser bastante violenta também. No entanto, só sou violenta em casos que isso é extremamente necessário. Do contrário você vai me ouvir dizendo: "Quer apanhar?" Isso é o aviso.
O interessante nisso tudo, é que eu sou psicóloga, ou quase, não sei. Estou aguardando a formatura. Mas independentemente do que eu seja, as pessoas me perguntam "Fez Psicologia pra quê se não sabe nem se controlar?" Agora a coisa ficou séria.
Escuta aqui queridinho, antes de ser psicóloga, eu sou uma pessoa. Pra sua informação, cursar uma graduação de Psicologia não lhe torna um super homem ou uma super mulher e muito menos te torna imune aos sentimentos/emoções/problemas e tudo mais.
"Mas como é que você vai resolver os problemas dos outros se não consegue resolver os seus próprios problemas". Querido, eu não resolvo problema de ninguém. E aliás, acho que psicólogo não resolve problema de ninguém. O processo terapêutico é muito mais do que um "Disk resolução de problemas". Resolver problemas é muito mais complexo do que dizer sim ou não, faça isso ou faça aquilo. E é aí que a psicoterapia entra. O autoconhecimento é ferramenta essencial para a resolução de problemas de uma maneira menos danosa. Quando você compreende o modo como reage às situações e porque age dessa maneira, passa a ter ferramentas para modificá-las. E isso é um processo, que leva um tempo que é diferente para cada um.
"Mas Psicólogo só conversa", a resposta é "só conversa o caralho". Eu não precisaria cursar uma graduação de cinco anos, fazer especializações, pós, mestrados pra aprender a conversar com uma pessoa. Até o papa sabe olhar pra uma pessoa e perguntar "Como foi a semana?", "Me fale mais sobre isso". O que muda é a forma como você ouve e lida com o que está sendo dito. É diferente de ouvir que a semana foi legal e achar que está tudo ok. Porque a semana foi legal? O que aconteceu de bacana nessa semana? E se não foi legal, o que aconteceu de ruim? Como é que a pessoa lida com as coisas que não saem do jeito que ela espera? Que outros momentos da vida a pessoa se sentiu dessa maneira? Como agiu diante dessas situações? E enfim.
O processo terapêutico é muito mais complexo do que conversar e resolver problemas. E justamente porque os psicólogos são pessoas e também tem dificuldades, é recomendado que os mesmos também façam psicoterapia. Fazer psicoterapia não é sinal de fraqueza, pelo contrário, você muitas vezes precisa ser muito forte para olhar para as suas sombras, mas o importante é que você não está sozinho nesse processo. Cuide de você, não há nada de errado em pedir ajuda quando se está precisando.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

V.

Quarto dia do ano.
Depois de muitas semanas de insônia, ontem finalmente hibernei. Fui dormir às 00:20 e acordei às 11:40 da manhã. Isso se chama TPM, meu bem.
Acabei de devorar uma tigela de sorvete e estava me sentindo terrivelmente entediada enquanto olhava algumas páginas do facebookson. Olhei pra tigela de sorvete vazia, senti saudades da minha nova "dieta". Falta quase um mês para eu voltar para a minha casa. Sinto falta de fazer minha própria comida e estou de saco cheio de ter parentes em casa.
Ontem por acaso li uma mensagem da castora dizendo no whats que por ela já teria ido embora daqui. Pensei em dizer: Querida, vai tarde! Uma múmia se mexe mais e é mais interessante do que você.
Hoje de meio-dia teve escândalo porque a castora não come salada com vinagre, mas a queridíssima só avisa isso na hora em que todos estão comendo. Eu não tenho paciência pra quem tá começando.
Estava aqui relembrando as falas das pessoas quando contava que estava experimentando um novo modo de me alimentar, mais saudável e natural, com o mínimo de industrializados possíveis.
Quando você é/está gorda as pessoas te enchem o saco, dizem estarem preocupadas com a sua saúde, que você está feia, que ninguém vai te querer, que você vai ter um ataque do coração, que precisa fazer exercícios físicos e enfim.
Quando você diz que está se "preocupando" com a sua "saúde", que está querendo perder peso e ter uma vida saudável, as pessoas dizem que você está louca! Como assim que você não come mais açúcar? E batata? Porque não pode comer batata? Existem centenas de outros legumes que podem ser consumidos, já ouviu falar em cenouras, vagens, brócolis, couve-flor, aspargos, tomates? Todos esses possuem mais sabor e vitaminas do que a batata e menos carboidrato. Se você não toma refrigerante, você toma o que? Pra sua informação ainda existe água e pode ser bebida sem medo. Mas como assim você come bacon no café da manhã? Você não come pão? Como sobrevive?
E em poucos segundos você é desestimulada a continuar sua "dieta". Na verdade, você fica desestimulada à compartilhar sua nova experiência. Sim, você está emagrecendo. Sim, você está se sentindo muito mais ativa e com energia. Sim, você está dormindo melhor. Mas isso não importa.
É engraçado ser julgada por querer comer comida de verdade. É engraçado que o seu peso corporal seja mais importante do que a pessoa que você é. Porque me desculpe, eu não sou o meu peso. Se eu pesar 50, 70 ou 120 quilos, eu ainda sou uma pessoa. Uma pessoa que pensa, sente, ama, sofre, caminha e enfim. E sim, eu caminho devagar. Eu tenho o direito de ter o meu próprio ritmo. Me respeite!

domingo, 3 de janeiro de 2016

IV.

Eu estava aqui pensando: Fácil mesmo é ter um "Deus" que vive numa igreja. Você vai lá, ele está lá. Você sai de lá e ele continua lá. Você vai, faz uma oração, perde perdão pelos pecados e está livre. Tem uma semana para pecar e pode voltar no próximo domingo para se confessar. Simples, prático e rápido;
Mas se o teu "Deus" ou os teus "Deuses" não vivem em igrejas, a coisa complica. Porque? Simples. Porque tudo passa a depender exclusivamente de você, do seu desejo, da sua vontade (desejo e vontade, a meu ver são coisas diferentes), da sua disponibilidade, do seu estado de espírito, da sua dedicação, da sua capacidade de tolerar a frustração.
Afinal de contas não há uma igreja, não há um número de telefone, nem whatsapp, nem sempre o sistema de velas funciona, nem os incensos, nem os sinais de fumaça de papéis queimados e nem a puta que pariu. Você quer e então vai lá, lê, lê, lê, lê, tenta, treina, testa, dá tudo errado. Lê, lê, lê, sente, sente, sente, treina, tenta, tenta, tenta, dá errado de novo. Tenta um contato mais próximo com alguma criatura e não tem sinal nenhum. No primeiro dia tu acende uma vela e diz um Olá, eu sou fulano. No segundo dia, tu acende uma vela, diz Olá e deixa uma fruta/pedra/flor e nada. No terceiro dia, tu acende uma vela, diz um "Hello, its me", deixa fruta/pedra/flor/ ouro/prata/ estátua/ coca cola diet/ um burguer king com batata suprema e nada. No quarto dia, tu tenta algo diferente, toma um banho de ervas, passa incenso pelo corpo, recita todos os hinos órficos/nórdicos/cria umas rimas, acende vela, medita com os cristais, faz o ritual do sono e nada.
Daí tu pensa, que merda eu tô fazendo? Tu pega tudo o que comprou e joga tudo fora. Desmonta o altar. E manda tudo pra puta que pariu. E nada, absolutamente nada. Tu jura nunca mais tentar.
Umas semanas depois você repensa, acha que está exagerando, que quer as coisas rápidas demais. Monta um novo altar, pega mais leve, lê mais coisas, tenta contato com outras divindades. Aprende falar grego, etrusco, alemão, chinês e italiano. Compra ervas novas, cristais, produz uns filtros do sonho, espalha pela casa, acende velas e recomeça. Ninguém atende, nenhum sinal, nem pra dizer que você é um babaca e que eles estão cheios de você.
Passam alguns anos e você é a bruxa experiente, cool for the summer, conhece os mitos de metade dos Deuses, sabe de cor e salteado os hinos, criou centenas de encantamentos e já pode lançar um livro. E os Deuses? Ah, bem ... Como eu ia dizendo, bem mais fácil ir lá na igreja e encontrar ele lá. Sem mais.

III.

Terceiro dia do ano.
Eu chamaria de terceiro dia das trevas. Bem, chame como quiser. 
Hoje fiz uma viagem extremamente "empolgante" com a minha "família". Mas antes disso preciso dizer que tive mais uma noite terrível de insônia. Pensei em deuses, salame frito, contei gnomos, pensei em corpos nus, na morte da bezerra, no lugar onde Judas perdeu as botas e nada do maldito sono aparecer. Levantei para comer duas vezes e nada. Levantei para tomar água e nada. Levantei para ir ao banheiro e encontrei uma aranha gigante no teto e logo pensei "se eu te picar é você que morre, desgraçada". No final eu não piquei ela, mas ela morreu.
Três da manhã desisti de tudo e acho que dormi. Acordei as seis para a bendita viagem. Fomos visitar a Grande Mãe que vive na Terra do Oeste. No veículo estavam a Anciã, o Ancião, eu e o casal de castores. Todos de mau humor. E como de costume, para variar, o Ancião não parou de falar sequer um minuto durante a viagem que durou mais de duas horas! O meu sangue ferveu centenas de vezes e acho que coagulou. A Anciã agarrou-se tantas vezes na minha perna que perdi toda a circulação sanguínea do corpo. O castor ia dirigindo enquanto a castora emburrada se fingia de morta. Eu queria explodir tudo aquilo. 
Devo ter feito algo muito grave nos últimos anos para estar vivendo esse karma. Os meus ouvidos estavam zunindo de tanta gente falando e reclamando, eu estava com sono e a Terra do Oeste fica há centenas de léguas daqui! E ainda por cima, o Ancião enganava-se o tempo todo sobre a estrada correta a se seguir.
Depois de muitas horas intermináveis, chegamos finalmente à Terra do Oeste. Fomos recebido com um farto banquete. Comi rapidamente e abundantemente para ver se meus nervos acalmavam. E fui deitar. Queria dormir e esquecer todo aquele inferno. Dormi por alguns minutos e quando acordei ainda estava no inferno. Afinal de contas eu tinha ido com o inferno viajar. Reclamações, reclamações, reclamações. Por favor me tirem daqui, eu estou implorando!
Hora de voltar, o mesmo inferno da ida. Com a exceção de que comprei um chip para a 3g. Cheguei em casa irritada e ansiosa para finalmente ocupar minha cabeça com meu querido Instagram. No entanto, por algum motivo, essa porcaria não funciona!
Não quero jantar, se eu comer capaz de eu morder minha própria língua e morrer com meu veneno. Estou surtando, com vontade de colocar fogo em todo mundo e ir viver nas montanhas. Quando essas malditas férias acabarem eu nem lembrarei mais o que significa ter "saúde mental".
Vão pro inferno vocês também, hoje não tô com saco nem pra mim mesma! O tédio e o mau humor andam juntos e eles matam! Cuidado!

sábado, 2 de janeiro de 2016

II.

Segundo dia do ano.
Desde o Natal venho acompanhando pessoas felizes o tempo todo. Isso me dá calafrios!
É textinho no facebook com desejos de paz, amor, felicidade, prosperidade, uma explosão de good vibes. Seria, se tudo isso não passasse de um marketing facebookiano. Até parece que o fato de você ter escrito um texto com sentimentos bons anula todas as coisas ruins que você fez durante o ano.
Quem não te conhece, que te compre - diz o ditado né. Eu não te conheço e jamais te compraria. Com ou sem texto.
Eu não escrevi texto nenhum sobre 2015. Porquê? Eita ano do cão, eu quero é que as lembranças desse ano vão pra puta que pariu. E não me venha com aquela ladainha de que a gente aprende com os anos difíceis. Eu aprendi, não nego, aprendi que não quero mais um ano assim na minha vida.
Bem, voltando ao Natal.
Uma semana antes eu estava linda, fitness, tinha emagrecido 2 quilos. Não estava mais comendo nada que possuísse açúcar ou farinha. Sim, eu estava endiabrada. Meu mau humor se multiplicou por milhares e eu quase podia matar com o olhar. Mas depois de cinco dias eu voltei ao normal. (Mal humorada do mesmo jeito).
Férias. O nome do céu e do inferno. Não sei como pode isso. Café, almoço, janta, lanche da tarde. Açúcar, carboidratos diversos, açúcar, mais açúcar, refrigerante, refrigerante, refrigerante. Hello, 500 gramas. Hello tédio. Hello, vontade de matar todo mundo. Hello, minha avó reclamando desde o momento que levanta até que vai dormir. Hello, tédio de sair e as pessoas da cidade me olharem como se eu fosse um alienígena. Hello, ter que ir na igreja pra não ter que ficar aguentando chantagem emocional. Hello, chocolates. Me acalmem, senão eu mato alguém.
Tá pensando que acabou? Não seja otimista!
Os parentes chegaram para as festas de Ano Novo. Sim, você ouviu certo. Festa. E sim, eu estou sem 3g no celular. Cerveja, cerveja, cerveja, cerveja. Comida (carboidrato), sobremesa (açúcar), refrigerante (não precisa falar).
Não tenho uma alma viva nessa cidade para ir visitar ou ir conversar. E tenho insônia durante a noite.
Falta muito pra acabar tudo isso?

I.

Na Astrologia a casa 1 representa o Eu, a identidade entre outras coisas. Mas por agora é só isso que você precisa saber.
Capricorniana, mal humorada, estressada, pessimista, venenosa, ácida, tediosa. Adoro cozinhar, fotografar e escrever e tenho pensamentos obsessivos.
Tem dias em que acordo de bom humor, mas cinco minutos depois, eu paro e penso, quem é que pode se sentir feliz ao acordar? E além do mais, quem é que pode se sentir feliz por estar vivo? Eu é que não.
Esqueci de dizer que sou rabugenta. Um dia eu vou comprar uma casa no meio do mato e vou resolver esse problema.
Porque eu criei o blog? Bem, um amigo aquariano cansado de ouvir minhas reclamações sugeriu que eu criasse um blog para escrever sobre o meu recorrente tédio e mau humor. Ei-lo aqui.
O tédio está mais presente na sua vida do que você pensa. Duvida? Acompanhe o blog que eu vou te mostrar.