Ou algumas considerações gastronômicas.
Se você me acompanha no Facebook já deve ter percebido o quanto eu gosto de cozinhar. Se você não me acompanha pelo Facebook, eu posso dizer que sou completamente apaixonada pela gastronomia.
Minha mãe foi cozinheira durante muitos anos, no entanto, eu nunca tive muito interesse em aprender. Gostava muito de comer aquele restinho de massa de bolo que sobrava na tigela da batedeira e raspar com a colher o que sobrava do creme usado pra fazer torta de bolacha, que nada mais era que um Creme Patissière (ou pode chamar de creme de confeiteiro) ainda sem nome.
Com aproximadamente onze, doze anos fui cozinhar meu primeiro arroz. Coloquei água na panela, um caldo de galinha, tampei a panela e fui fazer outra coisa. Minutos depois minha mãe veio atrás de mim gritando "porque você ainda não colocou o arroz cozinhar??!! Já tá na hora de comer e o arroz não tá pronto!!" Eu tava esperando a água esquentar, ué. Vai entender. Na minha cabeça isso fazia muito sentido.
Um tempo depois comecei a fazer bolos e gente, que bolos! Não tinha um bolo que eu fazia que ficasse baixo ou seco. O primeiro bolo que aprendi fazer se chama "Bolo de água", é um bolo extremamente simples que pode ser usado como pão-de-ló. É o bolo perfeito pra quando você não tem muitos ingredientes à disposição. (Mais tarde posto a receita, se quiserem).
Depois de um hiato de muitos anos, eu realmente voltei a cozinhar quando fui pra faculdade. Alguém tinha que cozinhar afinal, não dava pra ficar comendo miojo e pão todo dia. Nos primeiros anos era um movimento tímido, uma re-familiarização com alguns ingredientes. Eu não tenho muito afinidade com pratos salgados e isso teve que ser desenvolvido lentamente. Não é por nada que hoje em dia não posso ouvir falar em molho Bechamel (ou se quiser pode chamar de molho branco).
Acredito que o início do processo de aperfeiçoamento foi há mais ou menos dois anos, que foi quando eu comecei a fazer pães. E que pães! Parece que quando você inicia algo começa com mais paixão e aquilo floresce e eu vi isso acontecer com os meus pães. O pão doce e o pão recheado ainda tem admiradores perdidos por aí.
Foi entre pães e o início das tortas que a "ciência" começou a dar as caras. Entender porque o pão não cresceu, porque ficou pesado ou leve, saber porque a massa da torta encolheu, porque quebrou toda se tornaram fundamentais. E com isso chegaram também os termos técnicos. Era preciso saber a diferença entre uma emulsão e uma redução, saber diferenciar "Pâte choux"(massa de bomba, carolinas, profiteroles e afins) de "pâte sucrée" (massa de torta doce) , de "pâte sablée" (massa de torta doce e salgada), de "pâte brisée" (massa de torta salgada) aprender como se faz e também como não se faz, saber quando se usa uma e não a outra.
Enfim, cozinha não é bagunça. E a confeitaria exige muita precisão na preparação dos pratos. O leite muito quente cozinha as gemas e faz você perder o creme. Se amassar demais as "pâtes" elas desenvolvem glúten (e isso só é desejável para massas que queremos que cresçam, como a de pães). Se amassar pouco o pão, ele ficará duro e pesado. Se não pré-aquecer o forno, perde-se o "potencial" do fermento. Assar sua massa sem nada de peso em cima pode fazer com que ela encolha e você perdeu o formato da torta. Vai colocar o recheio como?
E assim iniciaram os embates entre a precisão necessária para cozinhar e o meu não-perfeccionismo. Comigo não tem essa história de cortar tudo em quadradinhos idênticos e coisas do gênero. Eu me preocupo mais com o sabor, a harmonia entre os elementos do prato e com a apresentação (não que uns quadradinhos idênticos não favoreçam uma boa apresentação), mas enfim, vocês entenderam.
Nesse processo todo há diversos desafios, no entanto, é isso que torna tudo prazeroso. Eu adoro pratos que demoram horas para ficarem prontos (lembram-se das 10 horas gastas para fazer o bolo "Chiffon, o magnífico?) Cozinha é arte, é diversão, é ciência, é um conjunto de reações químicas acontecendo bem na sua frente, é magnífico.
O desafio atual é aperfeiçoar algumas técnicas da confeitaria, desvendar os "mistérios" das preparações com carnes (hello dieta) e conhecer novos sabores. Ao longo da vida "desenvolvi" um paladar simples, pouco temperado, o que dificulta a execução e degustação de alguns pratos com elementos poucos usuais (hello páprica picante).
Inclusive, se você ficou curioso sobre as minhas "produções" gastronômicas, dê uma conferida no meu blog de receitas. Lá você encontra receitas ilustradas passo-a-passo.
Baú Gastronômico: http://baugastronomicodana.blogspot.com.br/
Espero que gostem e testem as receitas. Se testarem me enviem fotos! Beijos e até a próxima.