quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

XXIX.

Quinquagésimo sexto dia do ano.
Ou Tempo para Matar

Aqui estou eu novamente. Aparentemente de TPM e bem, você pode imaginar o que isso significa: PROBLEMAS.
Estou visivelmente sensível ao meu ambiente e isso têm gerado conflitos, uma sequência irritante de pequenos conflitos e claro, objetos voadores. Nos últimos dois dias tenho me mantido em silêncio, não devo ter dito mais do que dez, doze palavras, mas acredite: você não gostaria de ouvi-las.
A insuportável ladainha matutina, as discussões por causa da igreja no almoço, as reclamações sobre o tempo à tarde e as pragas e as lamúrias por causa da insônia à noite. Esta têm sido minha linda e adorada rotina. Eu pude ignorá-la eficientemente por alguns dias, me afundando em filmes e livros. Em menos de uma semana eu já estou na última parte do terceiro livro da trilogia "Cinquenta Tons", isso tudo junto soma mais de mil páginas. 
Ontem organizei-me para um ensaio fotográfico levemente sombrio e sedutor, para afastar os meus demônios. Mas é claro, o contrário aconteceu. Após ser interrompida uma quantidade significativa de vezes, eu  só não joguei minha câmera pela janela, porque eu realmente à amo e necessito dela para viver. Senão ela teria voado. 
Ao final da tarde recebi a maravilhosa notícia de que eu ficaria sozinha em casa. Deus existe, pensei instantaneamente. Mas não foi por muito tempo. Os Anciãos temem que o demônio venha me pegar, se eu estiver sozinha em casa. Então em menos de meia hora eles estavam novamente em casa, me deixando completamente irritada. Quando eles chegaram eu estava "performando" na sala, sob o meu tapete. Há muito tempo eu não me ouvia cantar tão afinadamente, foi uma excelente performance e no auge, é claro, como de costume, eu fui interrompida. Não preciso sequer falar da insônia, que me atormenta diariamente. O sono sempre vem ao amanhecer, mas aqui não é permitido dormir por muito tempo, então novamente eu sou retirada do meu mundo dos sonhos e acordo endiabrada. 
Tenho tentado fugir do contato com qualquer pessoa que seja, pessoalmente ou virtualmente, eu tento me esconder no meu quarto mas logo alguém atrás de mim para saber o que aconteceu. Se eu estou em silêncio perturbam-me, se estou gritando, magoam-se. Eu só queria que me deixassem um minuto em paz. 
Hoje, no entanto, o meu estresse estava me dominando e eu tentei relaxar olhando pela janela por diversas vezes. Meia taça de vinho me ajudou a relaxar e então ao virar as costas tive "uma visão". Num curto espaço de tempo eu olhei para mim e vi que tudo o que está acontecendo nos últimos dias é exatamente igual ao que acontecia na minha "infância". A mesma vida de merda, as mesmas chantagens emocionais de merda, as mesmas exigências de merda, os mesmos sentimentos de merda. Lendo centenas de livros para tentar esquecer de toda essa merda em cima de mim. A questão é que depois de muitos anos de terapia eu estou sem a minha armadura ... "Você é muito resistente, Ana". Resistente, o caralho. A ideia aqui é sobreviver, apenas.  Mais de dez anos se passaram e toda essa merda continua aqui e estou sem a minha armadura. Eu respirei fundo e tentei ser otimista dizendo pra mim mesma que eu já sobrevivi à toda essa porcaria e que eu preciso tentar mais uma vez. Sobreviver, mais uma vez. E recuperar a minha armadura, que me servia muito bem e me faz falta. Quem precisa de sentimentos nessa merda? Se você precisa, pegue-os para você. E não me venha novamente com essa merda de conversa de "você é resistente". Pegue essa merda de vida pra você e divirta-se com suas não-resistências. O mundo precisa disso. Me deixe sozinha. Eu estou farta!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

XXVIII.

Quinquagésimo quarto dia do ano
Ou Cinquenta Tons de Ana

Hoje eu me olhei no espelho e pensei "Como você está graciosa, Ana". Pela primeira vez em semanas e talvez meses, eu olhei no espelho e vi uma pele relaxante e olhos brilhando. Só pra constar eu continuo na Terra do Sul. 
Por algum motivo indefinido eu realmente assisti Cinquenta Tons de Cinza e eu não pude me contentar com aquele filme raso e sem graça. Perdi o ar diversas vezes enquanto assistia, confesso. Mas não foi de longe o que eu esperava. Eu não podia me conformar com tanto alvoroço em cima de uma coisa tão vazia e então eu fui ler o livro. Sim, eu fui ler o livro e ele me devolveu alguma coisa que havia perdido.
Se a Anastasia do filme é uma decepção total, a do livro não é. E isso foi um alívio pra mim, eu não podia acreditar que Ana fosse tão vazia e sem graça. No livro Ana é bastante desafiadora e eu gosto disso. E bem, o que dizer sobre Christian Grey? O do filme não me agrada, mas o do livro ... bem, eu adoraria que Christian fosse meu amigo ou meu sócio. Eu jamais seria sua submissa e acredito que quem faria qualquer tipo de contrato, seria eu. A personalidade de Christian me agrada muito. Frio, intenso, objetivo, dominador, inteligente, humor ácido e sarcástico, tem diversas habilidades (toca piano, entende de vinhos, de arte, tem um ótimo gosto musical, aprecia pratos clássicos, sabe pilotar diversos equipamentos, e tantas outras qualidades que eu não consigo listar, entre outras coisas). Bem, trazendo-o para a vida real, bastava que gostasse de vinho (e tivesse dinheiro para comprá-lo, é claro), que tivesse um gosto musical eclético, que fosse inteligente ( e eu não estou falando de uma pessoa teórica, dispenso), não precisa ter um paladar requintado nem conhecer grandes clássicos, mas tem que ser flexível o suficiente para prová-los. Eu faço questão do humor ácido e sarcástico e se vierem acompanhados de um par de olhos profundos, eu agradeço. E que goste de jogos. Penso que isto baste. 
Quem me vê jogada num sofá com cara de "a vida é um tédio", não faz ideia de quão intensa eu posso ser. A questão principal é encontrar alguém que suporte toda essa intensidade. Tive algumas amostrar rápidas e penso que isso explica as minhas fixações. "Eu coloquei um feitiço em você, porque você é meu". No sentido mais literal da frase. Hoje enquanto me olhava no espelho pensava nisso, eu preciso conhecer pessoas interessantes. E acredito que o meu conceito de interessante, não tenha nada a ver com o seu. Deixe-me explicar:
Certa vez conheci um colombiano em um site de conversação com estrangeiros. Trocamos Skype e iniciamos nossa aula de conversação, eu ensinava algumas expressões em português e ele corrigia meu espanhol. Ele não havia dito mais do que três palavras e eu estava inebriada. Sua foto era borrada e não ligamos a câmera. Eu apenas podia ouvir sua voz e imaginar a criatura que estava do outro lado da tela. - Eu sou apaixonada por sotaques e por vozes - e dentro da minha cabeça (através dos fones) soava uma voz abafada, um pouco rouca com um leve sotaque italiano! DAMN! O problema maior era o fuso horário, são três horas de diferença, o que me obrigou a ficar acordada durante muitas madrugadas para "tener nuestras clases de conversasión" e o problema maior foi quando eu descobri que ele era inteligente e sabia falar através de códigos. Minha cabeça entrou em colapso e foi uma semana maravilhosa. Nunca mais nos encontramos, mas a pergunta ficou: "Porque encontrar conexões mentais é tão difícil?". E ainda por cima, quando encontro a pessoa está há uma distância absurda de mim. 
Eu preciso confessar que estou cansada da Psicologia, de estar cercada por pessoas que fazem Psicologia, que discutem Psicologia o tempo todo, que ficam analisando o contexto e teorizando sobre porque o cachorro atravessou a rua. Estranhamente, ao dizer isso, eu sinto falta das aulas de canto, teclado e violino. Sinto falta de toda aquela disciplina. Meu  professor não tolerava atrasos e repetia constantemente sobre a importância de seremos "artistas" disciplinados. Eu serei eternamente agradecida pela sua devoção à mim. Pelas baquetadas nos meus dedos, pela dedicação aos nossos ensaios e apresentações. E acredito que todo o controle de Grey sobre as coisas e seu modo de organizar (pra não dizer, dominar) as coisas ao seu redor. Eu senti falta de quando a minha vida era rigidamente organizada e não havia tanto tempo para sentimentalismos. Meu passatempo favorito era organizar os pensamentos para facilitar as conexões, meus textos eram claros e objetivos, bem como as ideias. A execução de algumas atividades eram cirúrgicas - pelo menos ao meu ver - e isso me dava um prazer imenso. Eu era tanta coisa antes da minha cabeça ser devastada. Eu era tão intensa e profunda nas coisas que eu fazia. Eu leio textos manuscritos e penso, fui eu que escrevi isso? Infelizmente muitos textos ficaram inacabados e eu não me atreveria a continuá-los. 
Finalmente, os cinquenta tons de Grey, me fazem pensar porquê eu deixei os meus tantos tons para trás e me tornei apenas uma cor monótona e sem vida. Eu ainda não li "Cinquenta Tons de Liberdade", mas depois de cinco malditos anos, eu me sinto livre novamente para recuperar tudo o que eu perdi. Eu quero meus cinquenta tons de volta e apesar das recaídas, vocês não perdem por esperar.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

XXVII.

Quinquagésimo segundo dia do ano.
Ou o fim do mundo está próximo

Hello.
Como vocês já devem ter percebido, eu sou a pessoa mais otimista do mundo. E bem, de acordo com as constatações que venho fazendo ao longe desses cinquenta e dois dias, me levam a crer, que o fim do mundo está próximo. 
Eu realmente não quero entrar em detalhes, mas eu tenho visto a barbárie acontecer na Terra do Sul. E por mais que meus ouvidos se recusem à acreditar, a realidade grita diante dos meus olhos. O último feito realizado foi "noticiado" hoje pela manhã: o vizinho teve o portão de casa arrancado pelo outro vizinho. (Como está descontextualizado, parece sem sentido. Mas se vocês soubessem a quantidade de vezes que a polícia esteve por aqui nesses cinquenta dias. É inacreditável. Cercas são cortadas, gente invadindo as terras, idas à polícia, ao juiz, ao não sei o que e as coisas continuam e pioram).
Pois bem, espero que esse mundo de barbárie termine logo (pelo menos pra mim). Já que não posso fugir daqui fisicamente, posso ao menos tentar preservar o que resta da minha sanidade mental. Se é que resta alguma coisa ... 
Com a volta do PopCorn Time (um servidor de filmes online) estou tendo acesso à vários filmes que eu queria muito ver e estou descobrindo outros, tudo isso em alta qualidade e bom som. Ver aproximadamente três filmes por dia, faz com que eu ocupe todo o meu tempo ocioso e apesar da minha insônia estar piorando à cada dia, eu posso ao menos ficar acordada digerindo os filmes e as suas emoções tão peculiares. 
Eu amo filmes franceses. Amo, amo, amo. É muito peculiar, intenso, visceral e perturbador. Tudo isso num filme me agrada muito. A falta de tabu ou a exuberância de temas tabus me fascinam no cinema francês. O sexo, a morte, a dor é escancarada na sua frente, cirurgicamente explorada e você tem que engolir tudo cru. E em seguida você tem uma congestão e quando vomita, não vomita só o que viu e sentiu, mas sim o que tinha de seu nisso tudo. Extremamente renovador. 
A ordem de filmes vistos num dia geralmente estabelecem a ordem: um triste, um feliz e um perturbador. O filme triste pra despertar as emoções, o feliz para equilibrar e o perturbador pra limpar e organizar (ou desorganizar). À medida parece girar em torno de dois filmes americanos e um francês, que são mais fáceis de encontrar. Mas eu amo o cinema latino e suas tramas e dramas intensas. E claro, seu idioma. Nada como um filme legendado. 
Os últimos filmes vistos foram: 1."Burnt" (em português: Pegando fogo; Um filme sobre um chef, fotografia impecável, bons atores, boas comidas. Me hipnotizou);  2. "Fathers and Daughters" (em português: Pais e filhas; Intensamente tocante, identificação master. Conta a história de uma estudante de Psicologia e a relação com seu pai, que é escritor) 3. 'LOVE' (em português: Transa 3D. Se você tem alguma restrição em relação ao sexo e seus fluídos, não veja esse filme. Intenso e extremamente perturbador. Ou não, depende do que você considera perturbador. Drogas, traições, experiências sexuais, vida, morte, amor) 4. A walk in the Woods ( em português: não sei. Um filme sobre dois idosos que resolvem fazer uma trilha. Amo esse tipo de filme, e eu com certeza seria um dos velhos. Muito divertido, ri demais); 5. Fifthy Shades of Grey (em português: Cinquenta Tons de Cinza; Resisti durante um ano e finalmente decidi ver o filme. As atuações não me convenceram, não entendi o porquê de tanta polêmica em cima do filme. A trilha sonora me conquistou, muito bem feita. Confesso que fiquei com vontade de ler o livro pra entender melhor a história do Grey. Só que não sou obrigada.
Hoje ainda tenho tempo de ver mais um filme, ainda não sei qual irá me escolher. Enquanto isso, vou beber uma taça de vinho ouvindo Crazy in Love (versão do filme) enquanto vejo a chuva. Sem mais.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

XXVI.

Quadragésimo nono dia do ano.
Ou depois da bad vem o sol (ou a vela).

É minha gente, nem só de mau humor vive o mundo, mas de bad também. Me afundei no bosque das sombras e deixei que as trevas tomassem conta de mim, literalmente. Mas nesse mergulho redescobri a importância da luz. 
Parece aqueles papos de conversão mas não é. Eu penso que se você quer adorar Jesus, você adora. Se você quer adorar o Satanás, você adora. Mas acho feio quando você fica metendo o bedelho na crença dos outros achando que só a sua religião é que salva. Cadê o direito daqueles que não querem ser "salvos"? 
Acho um desrespeito quando chamam qualquer crença/prática/ação que fuja das crenças cristãs de "macumba/macumbeira". Respeito é bom e todo mundo gosta. Na Terra do Sul tem "umas pessoas" que adoram me chamar de macumbeira. Um dia desses, essas pessoas vão ver com quantas velas se faz uma canoa. Eu tenho respeito e admiração pela Umbanda e o Candomblé, mas não é a crença que eu sigo. 
Mas enfim - independentemente do seu credo - eu acho que você sempre deve ter uma boa quantidade de velas em casa. E não estou falando pra caso falte luz. Na verdade, estou sim. Quando falta luz dentro da gente, acender uma luz fora pode ser uma forma de reencontrar o caminho. 
Eu estava numa bad do cão, aparentemente causada pela abstinência de açúcar. Mas foi um pouco de muita coisa que emergiu junta e me derrubou, literalmente. Eu me senti dramaticamente com duas escolhas, "morrer" e acabar com tudo aquilo ou "viver" e dar um basta naquilo tudo. Optei pela segunda opção, porque apesar de tudo os meus "santos" são fortes. E então lá fui eu, catei umas velas, umas ervas, umas divindades, umas rezas, o meu samba enredo, a minha dança, a minha certeza e pedi socorro. E o socorro veio minha gente. Sempre vem. Apesar de eu ser bem teimosa e esperar sempre a míngua chegar pra então pedir um help. Mas o socorro veio. Quem tá comigo, tá sempre comigo, mesmo que as vezes se cale. A teimosia vem dos dois lados, no caso. Não consegui dormir a noite toda mas acordei maravilhosamente energizada. Levantei me sentindo viva e não estava me sentindo mal por isso. Limpei a casa, arrumei o quarto, me mantive ativa por todo o dia, mas ao anoitecer me senti mal de novo e a bad veio me visitar avisando que não tinha ido embora. Mas aí decidi que o bicho ia pegar e eu ia mostrar quem é que mandava! 
Velas pra quê te quero! Intuitivamente fui passando pela casa e pegando coisas: velas, incensos, ervas, óleos, pratos, fotos, sombra, delineador, batom, coca zero, bala de goma e paçoca e lá fui eu pro quarto. Coloquei um samba enredo daqueles e tasquei-lhe ficha! Rapaz a coisa ficou tão linda que deu vontade de chorar. Todas aquelas velas, aquelas cores, a iluminação, a energia. Me senti profundamente emocionada e empoderada com a minha 'criação'. Até o meu coração ressuscitou! Fiquei ali por horas, igual uma boba olhando a luz e cantando o samba enredo. A luz ... a luz ... a luz ... como disse certa vez o meu irmão do coração: "Ana, a luz deve ser nosso alimento diário". 
Eu sempre estou com o meu pézinho nas trevas, mas confesso que estar envolta de luz me fez bem, me senti um bebê cósmico retornando ao lar. Um salve aos que me acompanham e um pouco de luz aos que estão necessitando. Já dizia alguém: Nem só de trevas vive o homem. Que possamos encontrar o nosso equilíbrio. Sem mais.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

XXV.

Quadragésimo sétimo dia do ano
Ou o entediante cotidiano

Hello ... it's me.
Aqui estou eu novamente, na bad. As balas de goma que eu comi me ressuscitaram mas não fizeram com que a bad fosse embora. E parece que ela não vai tão cedo. ~ Hello terapia, estou chegando ~
Há uma explicação hormonal para essas bads, li vários estudos realizados com pessoas que possuem Síndrome dos Ovários Policísticos e vi que é um "efeito colateral". Como eu sou uma bad eterna, nunca saberei.  O que eu sei é que nos últimos dias viver tem sido algo insuportável. E eu me recuso à voltar para a minha querida e amada (só que não) Seritralina. A realidade dói diariamente e eu tô naquela fase que em que eu não sei porque tô viva. E falando nisso, o dia que eu encontrar o responsável pela minha vinda à vida, eu vou dar um tiro nessa pessoa. Eu quero ver onde eu assinei dizendo que eu queria vir pra Terra viver uma vida miserável. Eu preferia ficar centenas de anos no meio das trevas até não saber mais o que era eu e o que era trevas. Sem pessoas, de preferência. 
Hoje fiz um favor à uma criatura necessitada e coloquei meus lindos pezinhos na Universidade Capitar. Eu havia jurado nunca mais pisar lá depois de formada, mas infelizmente e bem infelizmente, eu tive que pisar lá mais uma vez. Não sei se fiquei mais de meia hora lá, mas foi o suficiente pra reviver o horror de cinco anos. A minha aversão ao lugar é tão grande que eu comecei a me sentir mal. Aquele lugar é sinônimo de lutas intensas e vazias. De sujeira e podridão. Um dia eu já amei as lutas estudantis e me senti intensamente orgulhosa de fazer parte delas, hoje passo longe. O mesmo digo das lutas feministas. E de tantas outras lutas que eu aprendi a ter aversão. Foi lá que eu aprendi que as pessoas não são "boas" e que a maioria das lutas, no final das contas, é só uma luta de egos. Eu perdi muitos amigos nessas lutas, que se deixaram cegar pelo poder. Um poder que é ilusório, ao meu ver.
 Pra mim, títulos não dizem nada. Eu sou psicóloga e daí? Eu sou tão humana quanto a vendedora que me atende na loja, à moça que entrega panfletos na rua, à doméstica que só pôde estudar até a quarta série. Eu preciso de um emprego, de casa, comida, roupas tanto quanto elas. As hierarquias existem e são inegáveis. Mas, penso, que podemos estabelecer relações de poder com respeito. Em cinco anos eu cansei de ouvir que tudo o que dava errado era culpa do bolsista/estagiário (ou seja, eu).  E cansei de admitir que a culpa era realmente minha quando a questão fugia totalmente da minha alçada. E me indignei muitas vezes, quando pessoas que estavam no mesmo patamar que eu, se portavam com superioridade em relação à mim. Como se EU devesse alguma coisa à ela. E pior, tive que agir como se devesse, pois meus superiores não davam à mínima.
E foi num processo lento e exaustivo que as coisas foram perdendo  o sentido pouco à pouco. Primeiro às lutas estudantis, depois as lutas feministas, depois as lutas da profissão. Não faz sentido algum lutar por uma causa em que o resultado é apenas a foto de um fulano qualquer num jornal, num pôster ou numa cadeira. De que me adianta ser chamada de "Diva feminista, maravilhosa, extremista, ou sei lá o que" e ver que no meu próprio convívio o machismo continua sendo reproduzido e legitimado. E que isso acontece principalmente no meio das feministas, o que me assusta ainda mais. Eu jamais aceitarei que uma mulher seja oprimida na minha frente, mas essa luta não é pra mim. Nem a estudantil e nem nenhuma outra. 
Enquanto isso eu fico em casa lavando a louça pela milésima vez, ouvindo que tem uma "crosta" no chão, que a casa está suja e afins. E fico pensando onde é que eu assinei o contrato de empregada doméstica. Sem mais.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

XXIV.



Quadragésimo quinto dia do ano
Ou a bad e a abstinência

Acordei numa bad terrível. Não quis sair do quarto e mantive as janelas fechadas. Dormi, acordei comi meu mousse de morango “mágico”.  - Basta misturar creme de leite gelado com um pouco de suco “Clight” e misturar. Se deixar de um dia pra outro ele fica areado. Eu não sei exatamente porque isso acontece, mas acontece e é maravilhoso. -  Dormi de novo, acordei, liguei a luz e decidi abrir a janela. O dia está nublado e escuro, com pancadas de chuva forte que reforçam a minha vontade de não sair da cama. Estou no quarto dia de “low carb” e acordei morrendo de vontade de comer bolo. Dia de chuva vai combinar com bolo e café eternamente. Eu poderia fazer um bolo low carb, mas não tenho todos os ingredientes. Como umas colheradas de pasta de amendoim sem açúcar pra me acalmar. Resolvo fazer um pão low carb, pra matar essa “vontade” louca de comer carboidrato. Após pesquisar mil receitas achei uma que eu tinha todos os ingredientes. Não é aquele pão da padaria, nem aquele que a minha avó faz, mas deu pra comer um sanduíche e acalmar a bad.
Ou não.
Quando sentei pra escrever eu percebi que estou em abstinência de todos os meus prazeres. Nada mais natural que a bad surja. Ontem teve festa de formatura e eu nunca tinha ido à uma. Meu amigo fauno prestou-me consultoria para escolher o look e apesar de todos meus modelitos serem reprovados, o menos pior acabou sendo escolhido. Fiz uma maquiagem maligna, coloquei meus sapatos de “salto” e lá fui eu ensaiar uma forma de sentar “igual mocinha”. No final até que me saí bem. Só que na “hora do rush” a coisa é diferente. Atravessei o corredor e cheguei no salão principal e vi toda aquela gente. Imediatamente pensei “então é isso pessoal, já apareci, agora tchau”. Mas continuamos andando, estávamos eu e as “minhas meninas”, encontramos a primeira colega e assim foi até chegarmos no meio da galera. Eu me senti feliz em reencontrar algumas pessoas, apesar de não conseguir conversar direito com elas por causa do som alto. Dois segundos depois eu estava sentada numa cadeira com cara de idoso no baile da terceira idade. E bem, as músicas que estavam tocando ajudavam, “boate azul,  eu quero que risque meu nome da sua agenda e por aí foi”. Gritei algumas vezes “Toca Britney” mas o grito foi engolido pelo barulho. Os meus pés estavam doendo, então eu levantava um pouco e voltava pra cadeira, até que eu decidi tirar o sapato. Haviam muitas pessoas no salão descalças e bem, eu não sou obrigada à nada. Tomei uma água sem gás e foi isso. Os boatos de que o “Guilhermino Guinle” estava pelo salão me deixaram animada e me desanimaram em seguida com a notícia de que ele havia ido embora. Pois é, Guilhermino, nós batalhamos tanto para manter nossa amizade por cinco anos e hoje “temos” que agir como se não nos conhecêssemos. Mas eu ainda lembro das lasanhas congeladas que a gente comeu e sei que foi real.
Ou seja,
Tenho que voltar pra terapia e dar um jeito nessa vida. Assim como eu aprendi a ser uma pessoa “chata e cansada” , eu também posso aprender a ser uma pessoa mais viva. Não precisa ser muito feliz, mas um pouquinho mais de vida faz bem.
Quanto às abstinências, não sei quanto tempo vai durar.  Se a bad persistir por muito tempo, eu serei obrigada a fazer um belo pudim de leite condensado com muito caramelo e um bolo de cenoura com ganache.  Apesar das “coisas” não funcionarem desse jeito, vou terminar o post com uma frase bem clichê “prefiro ser gorda e feliz, do que magra e triste”. Sem mais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

XXIII.

Quadragésimo dia do ano
Ou acabou a palhaçada.

Olá queridos,
há dias venho tentando escrever algo e no entanto a postagem sempre acabava na metade da página sem um final. Eu conheço esse sentimento de outros carnavais e sei que isso significa que estou processando alguma ideia que só aparecerá quando estiver totalmente processada.
Hoje pareceu um bom dia para isso. E penso que a frase que melhor expressa o sentimento atual é "acabou a palhaçada". Isso mesmo.
Pra começar, o final de ano foi ridículo. E foi suficiente para eu sentir que está na hora de dar um basta nessa palhaçada familiar. Eu sou uma pessoa e eu mereço respeito. Não interessa se eu não ganhei um Prêmio Nobel ou não sou a Presidenta da República. Eu mereço respeito e as pessoas vão ter que aprender a me respeitar. E não vai ser por mal, não. 
O segundo ponto é que decretei 2016 como o ano da limpeza. Nada vai ficar no lugar antigo. Começando com os últimos cinco anos de faculdade e especialmente os últimos, que foram uma palhaçada. Metade dos textos e cópias já foram devidamente picadas e jogadas no lixo. Metade do processo já foi iniciado. A limpeza passará pela Terra do Sul e da "Capitar". Já separei alguns livros que vou doar, já joguei muita coisa que estava acumulada fora e em breve vou conseguir me livrar de uma roupa que ganhei da Anciã quando eu tinha 8 anos. Mas a limpeza não passará apenas por aspectos físicos e materiais. Tem um monte de gente que está precisando ir para o lixo, literalmente. Eu até fiz uma separação mental e confesso que fiquei muito feliz ao perceber as pessoas maravilhosas que eu tenho na minha vida. E por isso sou imensamente grata. No entanto, percebi também que tem um monte de gente inútil ocupando espaço dentro de mim, pessoas que eu amei e que foram embora mas que eu insisto em "estar aqui para se caso ela voltar". Queridinho, escute-me bem, perdeu playboy. Tu foi porque quis, a vida é minha e eu decido quem volta pra ela e quem não. E você perdeu a sua chance. 
O lado "ruim" de "ser" um baú é que muitas vezes você acaba por acumular coisas demais com você. "Se um dia eu precisar, estará aqui". Bobagem. Cansei dessa palhaçada e dessa vida. Eu quero uma vida nova e esse momento é maravilhoso pra criar o que eu quero. Como diria minha "amiga" Shakira ~ la vida me ha dado un hambre voráz y tú apenas me das caramelos ~ Chega de viver como se eu não tivesse fome, quando na verdade eu tenho um apetite voraz. Chega de me esconder porque as pessoas à minha volta não suportam a minha intensidade. Chega de cortar as unhas porque as pessoas se sentem incomodadas com o comprimento delas. Chega de não usar roupas que eu gosto porque as pessoas acham estranho. Eu quero que todos vocês se fodam, sabe?! Querida, se você quer ter unhas compridas como as minhas, vá comer os nutrientes necessários pra fortalecer as suas unhas, vá usar um esmalte fortificante. Minhas roupas te incomodam? Não olhe pra mim, simples. Isso é um favor. E melhor ainda, me ignore querida. De gente como você eu quero distância.
Nesse ano eu quero menos "tranqueira" trancando o meu caminho. Eu quero abrir espaço pra luz passar. Se alguém não ficar feliz com isso, o problema não é meu. E você aí, o que na sua vida está precisando de uma limpeza?
Vou terminar o post cantando: Vou banindo pela Terra e Ar/ Vou banindo pelo fogo e mar/ Vou banindo, vou banindo pra purificar/ Vou banindo, vou banindo pra exterminar/ Espiral, Espiral, Espiral/ Sugue o que há de ruim/Leve todo mal.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

XXII.

Trigésimo oitavo dia do ano.
Ou as coisas voadoras.

Novamente estou na terra do Sul e as coisas começaram a esquentar por aqui. Cheguei há aproximadamente dois dias e já perdi as contas de quantas vezes eu já disse "Maldição; Maldição do demônio; Maldição do diabo dos infernos"; e suas demais variações.  
No dia que cheguei eu estava tomada pela paz da minha casa, o que não durou muito por aqui. Quando fui dormir estava calma, mas dois segundos depois que eu havia deitado a minha cabeça foi invadida por pensamentos que eu não conseguia saber de onde vieram e trouxeram junto sentimentos que não eram meus. Eu estava ok. Parei pra pensar um instante enquanto toda aquela "nhaca" me perturbava e pensei: isso só pode ser energia acumulada. Alguém está pensando muita coisa louca nesse lugar. E enfim, no outro dia acordei como se tivesse trabalhado a noite inteira, eu estava acabada. Acho que fui puxar lenha no inferno enquanto dormia. 
Imagine só o meu estado, os sinais de possessão demoníaca começaram a aparecer. A tarde fui ao mercado, que programa maravilhoso, não? Eu amo ir ao mercado, passar nas prateleiras, olhar os produtos, que amor. Acabei comprando um demaquilante  e uns discos de algodão pra ajudar a tirar a maquiagem. E também comprei doce de leite e ameixa, porque estava com desejo. 
Pois bem, depois que voltei do mercado, separei cinco tigelas, enchi com sal grosso, adicionei alguns cravos, alho e alecrim (o ideal era pimenta, mas não tinha). Coloquei um incenso de flor de laranjeira em cada tigela - que é o aroma mais aceito pelos Anciãos - afinal eu não podia correr o risco deles jogarem meus incensos fora. Iniciei fazendo uma oração pra mim, me protegendo. E depois acendi incenso por incenso e passei por todos os cômodos da casa rezando e imaginando que a fumaça do incenso estava limpando as nhacas do lugar. Depois abri todas as janelas e depositei uma tigela em cada espaço e deixei queimar. Nem preciso dizer que depois de algumas horas o lugar era outro.
Todo mundo dormiu maravilhosamente bem à noite. Eu deitei e desmaiei, acordei só hoje de manhã. Almocei e fui dormir de novo. E aí acordei com vontade de comer meu bolo recheado de ameixa com doce de leite. E foi aí que o clima começou a esquentar.
Eu deixo bem claro aqui que eu odeio pão-de- ló, na verdade eu odeio fazer, mas se alguém fizer eu como. Mas queria uma massa básica pra destacar o recheio. Encontrei uma bendita receita e lá fui eu. 
Iniciei fazendo o "Mise en place" que significa "posta no lugar". Ou seja, peguei a forma que eu iria usar, cortei o papel manteiga, separei as claras da gema, medi o açúcar, a farinha, peguei a batedeira e pré-aqueci o forno. Tudo isso pode parecer besteira, mas faz toda a diferença na hora de executar uma receita. Com todos os ingredientes à mão você não vai ficar louca no meio da receita por descobrir que não tem farinha suficiente ou que acabou o fermento. 
Pois bem, feito o "Mise en place" iniciei as claras em neve. Perfeitas, lindas. A receita pedia que eu adicionasse as gemas nas claras e batesse, eu não gosto disso, mas resolvi seguir a receita. Em seguida, pedia para adicionar a farinha à mão e lá fui eu. A massa estava estranha, eu não tinha colocado metade da farinha e massa estava com aspecto de dura, mas ok. Aprendi num curso que o pão-de-ló não necessita de fermento, devido à ação das claras em neve então não liguei para a falta do mesmo na receita. Coloquei a massa na forma, dei uma ajeitada e coloquei assar. Quando volto para ver a receita, ia fermento na maldita. Fiquei louca, tirei a forma rapidamente do forno e fiz uma tentativa de colocar o fermento, mas fiquei tão louca que atirei a forma longe e aí começou o espetáculo. Eu não sei como o fogão ainda resiste, ele sempre é vítima das minhas fúrias. E em instantes tudo ficou lindo, era pano de prato voando, forma girando no ar, farinha no chão. Eu sei muito bem o que significa a expressão "cega de ódio". 
Mas ok, resolvi que iria fazer o maldito bolo. Procurei uma nova maldita receita e lá fui eu. As claras em neve ficaram uma porcaria, agradeci o fato dos garfos da batedeira não serem afiados, porque senão eu teria perdido uns três dedos. Respirei fundo. E segui a nova receita e sim, dessa vez eu coloquei fermento. Foi só colocar a forma no forno e eu desapareci da cozinha. 
Quero a minha casa.
Sem mais.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

XXI.

Trigésimo sétimo dia do ano.
Ou tentando voltar para a vida normal.

Hello! 
Eu sei que sumi e peço desculpas, mas foi por um bom motivo.  Passei uma semana incrível na "capitar", na minha casca de ovo. Vocês não podem imaginar a minha "alegria". A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi abrir as janelas e tirar a roupa. Livre estou! livre estou! Em seguida me joguei no meu colchão e fiquei lá por horas olhando para o teto. Eu nem podia acreditar que estava sozinha! Não faço ideia de que horas fui comer, quem é que sente fome quando se está sozinha em casa? Só fui cozinhar porque terminei de ver um episódio do MasterChef Júnior e fiquei muito inspirada. E isso também é um fato sobre mim, eu sempre assisto as coisas atrasadas. 
Eu voltei para casa decidida à retomar minha alimentação paleo- low carb, high fat (menos carboidrato, mais gordura. Comida de verdade). Que consiste basicamente em reduzir a ingestão de carboidratos, açúcares, farináceos, laticíneos e produtos industrializados. Há uma maior ingestão de produtos que não contém rótulos e que são semi-industrializados. Então se você está se perguntando o que dá pra comer, eu respondo: comida de verdade. Alface, rabanete, cenoura, couve, espinafre, brócolis, morangos, ovos, manteiga, carnes em geral, castanhas, amêndoas, azeite de oliva, coco, óleo de coco, leite de coco, (água de coco, não!) creme de leite (dá pra fazer chantilly <3), cream cheese, chocolate 70% cacau e afins. Tem centenas de opções pra comer e beber e ninguém morre por diminuir a quantidade de açúcar, pelo contrário. Vi recentemente que os brasileiros consomem 51 kg de açúcar por ano, na low carb, o consumo de açúcar diário varia de 30 à 50 gramas, dependendo das necessidades/objetivos individuais. No final do ano passado, antes de vir para a terra do Sul, eu me mantive nessa alimentação por uma semana e perdi dois quilos e quatrocentas gramas e em compensação ganhei mais energia e disposição, a fome desapareceu, a sensação de saciedade após as refeições aumentou consideravelmente e eu estava me sentindo incrível. 
Cientificamente falando, você deve estar se perguntando qual a vantagem disso ou sei lá, mas a resposta é: esse modo alimentar diminui os picos de insulina no organismo, com menos açúcar entrando no corpo, o mesmo precisa encontrar uma nova fonte de energia, no caso, a gordura que foi estocada devida à alta ingestão de carboidratos. O processo é mais ou menos assim, você consome uma quantidade muito grande de açúcar/carboidratos, o corpo aumenta a quantidade de insulina pra dar conta de metabolizar o que está entrando, o que vai diretamente para a corrente sanguínea e o resultado é que você engorda, e sente fome logo em seguida, porque carboidratos e farináceos brancos, são de rápida absorção. A explicação não está muito boa, mas se tiver interesse, podemos conversar sobre isso. 
Continuando, se você tem resistência à insulina, diabetes, síndrome metabólica ou simplesmente está se sentindo muito cansado e sem disposição, você pode se beneficiar desse modo alimentar. E não, isso não é dieta da proteína. E não, o seu colesterol, triglicerídeos, sei lá o que não vai aumentar, as suas artérias não vão entupir de gordura. Porque você não vai se alimentar exclusivamente de carne e gordura. Você está comendo um abacate, meu bem. Uma cenoura na manteiga, uma pizza de couve-flor com queijo e tomate. Um punhado de morangos com chantilly. Um peixe grelhado. Se você acha que esse tipo de comida vai te matar, continua tomando aquele suco que tem 0,04% de polpa depois de diluído, continua tomando aquele iogurte de morango que tem aromatizante sabor morango. Continua comendo alimentos que tem ingredientes que você não sabe nem dizer o nome. 
Enfim, eu tenho resistência à insulina causada pela Síndrome dos Ovários Policísticos e eu me beneficio muito com esse modo alimentar. Aqui na terra do sul eu não consegui manter essa alimentação devido às regras familiares. Nessa casa todo mundo come a mesma coisa, não tem lugar pra gente "enjoada" e a alimentação é baseada em carboidratos nas mais diversas formas. O resultado de um mês comendo basicamente carboidratos é que a minha cintura aumentou consideravelmente, as bochechas também e até as pálpebras estão com dobras. Cada vez mais me convenço que viver em família é nocivo para a saúde. 
Nessa semana eu consegui me alimentar mais ou menos dentro do modo alimentar, a cabeça estava gritando por carboidrato e eu comi massa. E bem, como sabia que retornaria para o Sul, de nada adiantaria me adaptar para depois voltar a me entupir de carboidrato. Falando nisso, em breve testarei novas receitas e conto pra vocês.
Se vocês se interessarem eu posso trazer melhores informações sobre a low carb. Comentem aí.