Sétimo dia do ano.
Em cada palavra há uma recusa, um silêncio e na casa apenas ecoam gritos. Eu acredito em maldições e em crianças amaldiçoadas. E quando vejo minhas árvores amigas e confidentes serem derrubadas, vejo nelas o meu futuro.
Os dias se passam e já fazem dezesseis dias desde a minha partida. Tenho evitado espelhos desde então e tento ao máximo ignorar que minha seiva está secando. Gritos, tudo o que existe aqui são gritos. Um condado preenchido por gritos, guerras e mortes. Não há espaço para cuidar dos feridos, há apenas espaço para lutar e morrer com glória.
Eu temo a vida muito mais do que temo a morte. Eu temo as pessoas muito mais do que temo a solidão. Eu temo as palavras muito mais do que temo o silêncio. Silêncio. Não conheço mais tuas melodias suaves, ó amado silêncio. Apenas gritos que ecoam noite e dia.
Há dias em que desperto com uma pedra sobre meu peito que lentamente esmaga meu coração e não me deixa respirar em paz. Arrependimento. Não restam sequer espaços para os sarcasmos, apenas gritos. Irei gritar até que não me reste voz e então silenciarei.
Quantos males são causados por pessoas que só querem o seu bem? Quantas prisões são construídas para a sua própria proteção? Quantos gritos são necessários para negar a sua verdade? Quantos sentimentos são necessários para sacrificar o seu amor? Quantos medos serão necessários para o seu fim?
Em cada palavra há uma recusa e um grito que pede socorro. Em cada necessidade de silêncio, há uma fuga e uma tentativa de salvação. As lágrimas que ninguém vê, a dor que ninguém sente, o clamor aos Deuses que se fazem presentes. Salve-me senhora para que os meus pés sejam livres. Salve-me senhora para que meu coração seja livre. Salve-me enquanto ainda posso dançar. Salve-me enquanto ainda restam-me palavras para louvar-te. Salva-me enquanto ainda há tempo para correr. E quando não houver mais tempo e nem pés, acolhe-me novamente em teu ventre sagrado e permita-me descansar.
Em cada grito há uma oração que pede piedosamente que tudo silencie.
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