Nonagésimo sétimo dia do ano.
Ou quando as pessoas vão embora e os gatos aparecem.
Well, well, well ... faz um bom tempo que eu não apareço por aqui, eu sei. A razão do sumiço é que a vida é muito louca, os meus pensamentos são mais loucos ainda e muitas vezes não valem à pena serem expressados.
Estava pensando que o ano mal começou e duas pessoas já foram embora da minha vida. E sinceramente, eu achei que seria bem pior. Acho que quando você tem consciência do porquê algo está acabando, fica mais fácil aceitar que é o melhor a ser feito no momento. Mas confesso que na hora foi uma facada no coração "Não sei como dizer isso, mas não podemos mais ser amigos". No entanto, quando parei pra pensar em tudo o que a gente viveu, eu senti no meu coração que foi real, extremamente real mas que agora era hora de cada um seguir o seu caminho. Um dia, no futuro, talvez nos encontremos em Paris, eu vendendo artesanato (hoje penso que se eu morar em Paris algum dia, trabalharei numa confeitaria <3) e ele casado com três filhos, autor de algum best seller por aí. Ou talvez a gente nunca mais se encontre, mas isso não faz mais diferença. "Que seja eterno enquanto dure" e foi, fim.
Em contrapartida às despedidas, eis que surge uma gata aqui em casa. Me apaixonei, confesso, mas preferi manter distância. No entanto, a criaturinha permaneceu, dei leite pra ela porque era a única coisa que eu tinha em casa, deixei dormir no sofá e já viu né. Com ela aprendi que até os filhos do capiroto se rendem um dia. E eu me rendi. No outro dia ela quis colo. Ah, esqueci de falar, tive que dar um nome pra ele não é? Primeiro nome que me veio à mente foi Ártemis, pra quem não sabe Ártemis é uma Deusa grega ligada à caça e a vida selvagem. Hoje percebo que ela não poderia ter um nome melhor, caça borboletas, baratas, pombas e qualquer coisa que se mexa próximo dela com uma destreza invejável. O engraçado é que depois que eu finalmente me rendi à gata, um monte de gente apareceu querendo ela. Um dia ela sumiu e eu fiquei louca, depois o filho do vizinho apareceu dizendo que a mãe dele queria adotar ela. Adotar o caralho, essa gata é minha! Fiquei na bad eterna achando que tinha perdido a minha filha. Mas ela voltou e aí eu decidi que não ia deixar ninguém levar ela. Comprei vários pés de arruda, pimenta, uns manjericões, alecrim (aloka), coloquei meu vaso de Espada de São Jorge e fiz uma hortinha na frente de casa. Nenhuma das mudas morreu até agora, mas vamos esperar. Tá achando que aqui é bagunça, meu amor. A gata é minha e a gata fica.
Com isso tudo tô aprendendo a ser mãe, e é difícil hein? A gata mia e eu não entendo o que ela fala, pra variar e aí vamos na tentativa e erro, a gata mia dou comida, a gata mia dou água, a gata mia dou colo, a gata mia brinco com uma bolinha de lã, a gata mia já não sei mais o que fazer, mio de volta, vai que né? Só que não se engane, porque aqui nada são flores, eu tenho um limite pra frescura, dois toques já dou uns berros e mando dormir. HAHAHAHA. Mas confesso que é uma loucura, tenho uma mãe super protetora introjetada que me faz ter calafrios toda vez que ela sai de casa, vai que essas crianças do diabo pegam a minha pequena? Elas que se atrevam, rodo a baiana e as crianças também!
No mais, tô bem locona, procurando emprego, cozinhando e testando receitas, continuo lavando milhões de louças, a questão é que agora eu tenho uma filha e uma horta. O meu humor melhorou consideravelmente e isso faz com que as coisas fluam mais tranquilamente. Por hora, durmo a hora que quero, como a hora que quero, saio de casa se eu quero e isso está me ajudando a colocar as coisas no lugar, a recuperar coisas que se perderam nos últimos anos e que são importantes pra mim. Vamos sem pressa até encontrar a direção certa. Nos vemos por aí, abraço!